Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara -Tribuna Independente-25-09-2020
ONDE ESTOU NOS 70 ANOS DA TV?
Desde os tempos ousados de 1950 quando um paraibano da cepa chamado Assis Chateaubriand trouxe a primeira emissora de televisão para o Brasil parece que meus olhos brilharam já naquele momento de ainda menino. Mas, 10 anos depois eu já estava trabalhando nela. Nos idos de 1960 estreava na TV Rio a então melhor emissora de televisão do Rio de Janeiro que eu costumo dizer que era a Globo da época com a diferença de que ao invés das novelas, os humorísticos e shows musicais eram a coqueluche. Independente da formação de “marketing” e publicidade com extensão para o jornalismo, o produzir, o dirigir e o atuar passaram a ser também os meus anseios. E o fiz com muito gosto e muita garra até os dias de hoje quando já tenho 60 anos de televisão além de todas as outras atividades no mundo dos negócios e da administração pública.
Mas aqui se fala de TV. Na TV Rio minha convivência com grandes nomes, dentre eles Chico Anisio e Carlos Manga quando pude escrever programas como o Chico Anísio Show, acabaram por me levar para São Paulo onde fiz televisão a rodo na TV Tupi e na TV Record produzindo, dirigindo e apresentando grandes programas na época, alguns feitos para o grande J.Silvestre. Enfim, aí pela vida afora vieram as viagens e estadas no exterior, um programa na TV de Buenos Ayres, o primeiro do Mercosul com o título de “Em Tiempo de Portuñol”, um ano como jurado do saudoso Flávio Cavalcante e a chegada pelas televisões do nordeste onde há vinte e oito anos produzo e apresento o Bartpapo com Geraldo Câmara.
O Bartpapo e o Almoçando com a Notícia, casos à parte nasceram em João Pessoa em 1992 e seguiram ininterruptamente até os dias de hoje passando paralelamente por Natal e em Maceió desde 1997. Vale dizer que na somatória de convidados que recebo com muito prazer e honra, de todas as categorias, profissões e paixões já somo nada mais nada menos do que 27 mil convidados do Bartpapo e do Almoçando. Uma honra!
Não tive aqui a pretensão de fazer currículo até porque o que fazemos o nosso público já sabe. Na verdade quis mostrar que uma paixão de vida pode ter seguimento bastante produtivo quando as boas idéias surgem. E também para ressaltar com muito orgulho de que, agora aos 82 anos absolutamente ativos completo 60 anos de televisão dentro dos 70 anos da TV brasileira.
ALERTAS DO DIA
O governador do estado, Renan Filho acaba de colocar todo o estado na chamada Zona Azul da Pandemia o que representa mais liberdade para a volta à normalidade. E é aí que ronda o perigo. É preciso saber fazer uso dessa liberdade para não se incorrer no erro de perdê-la
Pois é! Administrador que brinca com fogo nos dias de hoje acaba se queimando com força. É o caso do governador do Rio de Janeiro que já viu a autorização para a votação de sua saída do governo ser aprovada por unanimidade. Se o júri misto aprovar a medida, tchau Witzel.
PARE PRA PENSAR
Pensar sem agir ou agir sem pensar são dois caminhos que não levam a nada.
“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 21-09-2020 – Geraldo Câmara
QUEM DISSE QUE SOU VELHO?
Vocês me perdoem o tema, mas vão acabar por entender. No último 17 de setembro foi meu aniversário. 82 anos de uma vida bem vivida, saudável, agradável, intensa como acho que deve ser a vida de todos. Uma vida sem ódios, sem rancores com muito amor pra dividir, com muita experiência para passar adiante, mas, sobretudo com aquelas pitadas de aprendizado, aprendendo e estudando sempre pra não ficar pra trás. Trabalhando ininterruptamente nos últimos sessenta e quatro anos, acompanhando fases históricas de nosso Brasil, fazendo publicidade, jornalismo, rádio, televisão, entrevistando os assuntos internacionais e nacionais no Brasil e no exterior, mas sempre ativando os neurônios, fator preponderante para a mente fresca e aberta que tenho e que, se Deus assim o permitir, terei para o que me restar de vida, que espero ainda longa. Tudo isso foi para dizer o quanto defendo a proteção do idoso que não pode ser chamado de velho se ele próprio admitir, como eu, que a vida foi feita para ser vivida em toda a sua plenitude e que a idade contribui e muito para uma experiência capaz de transformar vidas, de discutir possibilidades, de fazer a união de passado com o presente para a construção de futuro melhor.Tudo isso foi para reafirmar e principalmente às autoridades desse país que a renovação de pessoas, de costumes, de trabalho é absolutamente sadia, mas ainda mais sadia será a aproximação de duas ou mais gerações sem a imposição de uma sobre a outra, mas numa salutar troca de experiências exemplificativas com a modernidade delas próprias. “Uma idéia nova não existe. O que existe é uma nova conjugação de velhos elementos” e é por aí que os velhos e os novos se coexistem, se aproveitam e criam melhores perspectivas para a vida no mundo. Aos novos, olhar para frente e buscar no atrás mais uma somatória para os bons caminhos. Aos idosos, olhar para frente com a perspectiva dos novos para que juntos, sem pieguices, ordenada e inovadoramente possam abrir os caminhos de uma sempre e constante nova era.
Este artigo foi publicado originalmente no jornal Tribuna Independente e reprisado aqui e nas Redes Sociais a pedidos.
DESTACÔMETRO
O destaque vai para este cara que já foi prefeito de Maceió por duas vezes e que parece estar se perguntando: “Ser ou não ser” de novo? De qualquer forma, sendo ou não sendo merece o nosso destaque. Cícero Almeida.
PÍLULAS DO OUVIDOR
A repetição deste artigo principal que rodou também pelas Redes Sociais se deve a sua enorme repercussão, com as pessoas ligando as coisas nessa epidemia e verificando que os idosos estão aqui para serem úteis e não para móveis e utensílios.
A propósito do tema, a promotora Marluce Falcão que é altamente persistente em defender os idosos sob todos os aspectos, incluindo os jurídicos, merece todo o respeito dos idosos até por ter entendido que a causa é boa e proveitosa.
Temos tido notícias de que os assaltos estão aumentando nas grandes cidades de maneira assustadora. Infelizmente, até porque essa não é a solução para os apertos financeiros provocados pela pandemia e o desemprego também em massa.
No entanto é preciso que a sociedade produtiva esteja atenta para que o mais rápido possível consiga minorar os efeitos financeiros da crise e possa voltar à empregabilidade com mais afinco.
Essa questão do atendimento do INSS vai deixar marcas profundas em quem está precisando dos seus serviços. Falta de planejamento ou sei lá de que, mas o povo, sobretudo os doentes e idosos precisam ser mais bem assistidos.
O uso da máscara tem provocado também muita confusão quando as lojas e outros estabelecimentos exigem e encontram pessoas teimosas e recalcitrantes. Já houveram casos de violência por parte dos “desmascarados”.
Esse insistente povo à parte que insiste em não tomar cuidados contra a Covid19 não consegue também entender que o problema não é só dele, mas de toda a comunidade que ele freqüenta.
Começou em larga escala o abuso do comércio, sobretudo o de alimentos. Os preços estão subindo como se estivéssemos em época de inflação. Os supermercados sobem tudo todo o dia. Daqui a pouco vão voltar as famosas maquinetas remarcadoras de preços.
Então, fica a pergunta: Onde está o governo que não está de olhos atentos para isso. O poder de compra das pessoas, principalmente das mais necessitadas está diminuindo assustadoramente. É bom ver antes que vire moda.
A Cruz Vermelha Alagoas tem uma nova vice-presidente, Helenice Moraes (foto). Advogada, Doutora em direito pela PUC RS, vários pós e a graduação pela UFAL. Helenice está dando tudo de si pela boa causa daquela instituição.
ABRAÇOS IMPRESSOS
Meus abraços impressos vão para um homem de bem, advogado, mas sobretudo o maratonista de Alagoas. O negócio é correr e nessa pandemia, Djalma Melo está correndo 10 km em 1 hora. E diz que vai baixar o tempo. Gente boa demais que deu show no Bartpapo, último sábado.
Vocês me perdoem o tema, mas vão acabar por entender. Neste 17 de setembro foi meu aniversário. 82 anos de uma vida bem vivida, saudável, agradável, intensa como acho que deve ser a vida de todos. Uma vida sem ódios, sem rancores com muito amor pra dividir, com muita experiência para passar adiante, mas, sobretudo com aquelas pitadas de aprendizado, aprendendo e estudando sempre pra não ficar pra trás. Trabalhando ininterruptamente nos últimos sessenta e quatro anos, acompanhando fases históricas de nosso Brasil, fazendo publicidade, jornalismo, rádio, televisão, entrevistando os assuntos internacionais e nacionais no Brasil e no exterior, mas sempre ativando os neurônios, fator preponderante para a mente fresca e aberta que tenho e que, se Deus assim o permitir, terei para o que me restar de vida, que espero ainda longa.
Tudo isso foi para dizer o quanto defendo a proteção do idoso que não pode ser chamado de velho se ele próprio admitir, como eu, que a vida foi feita para ser vivida em toda a sua plenitude e que a idade contribui e muito para uma experiência capaz de transformar vidas, de discutir possibilidades, de fazer a união de passado com o presente para a construção de futuro melhor.Tudo isso foi para reafirmar e principalmente às autoridades desse país que a renovação de pessoas, de costumes, de trabalho é absolutamente sadia, mas ainda mais sadia será a aproximação de duas ou mais gerações sem a imposição de uma sobre a outra, mas numa salutar troca de experiências exemplificativas com a modernidade delas próprias. “Uma idéia nova não existe. O que existe é uma nova conjugação de velhos elementos” e é por aí que os velhos e os novos se coexistem, se aproveitam e criam melhores perspectivas para a vida no mundo.
Aos novos, olhar para frente e buscar no atrás mais uma somatória para os bons caminhos. Aos idosos, olhar para frente com a perspectiva dos novos para que juntos, sem pieguices, ordenada e inovadoramente possam abrir os caminhos de uma sempre e constante nova era.
Publicado no Valor Econômico, na página A18, Opinião
A transição energética para uma economia de baixo carbonoé baseada em três pilares: ambiental, evolução tecnológica e participação mais ativa do consumidor. Agora, estão aparecendo soluções pós-pandemia que parecem nunca terem sido debatidas. Pelas diretrizes e investimentos projetados, a retomada da economia mundial está centrada em eólicas e solares, mas sempre é bom pensar estrategicamente como e onde devemos investir para assegurar uma infraestrutura de qualidade e menor custo. O direito de ser ouvido não deve ser entendido como compromisso de implantação. Não devemos ser infectados pelo contato de modelos de outros países porque temos anticorpos energéticos que nos livram dos respiradores artificiais, quando podemosaté exportar a nossa vacina diversificada.
Exceto a geotérmica, temos as demais fontes de energia em abundância para nos tornarmos uma potência elétrica e energética. A eletrificação da sociedade é uma tendência mundial, mas nossa matriz elétrica já tem 83% de fontes renováveis e a energética 48%, contra 14% na matriz do planeta.A emissão de gases de efeito estufa está no setor de transportes e é bem possível que nossa vocação não seja por veículos totalmente elétricos, o sim um modelo híbrido,pois já temos uma frota compartilhadaque usa etanol e pode ser ampliada para outros biocombustíveis. Devemos ter em mente que desmantelar uma infraestrutura que pode ser aproveitada, para implantar totalmente uma outra, poderá resultar num custo insuportável para uma sociedade muito desigual como a nossa.
Temos espaço em nossas matrizes, energética e elétrica, para uma complementação inteligente e econômica com diversas fontes de energia, mas precisamos nos modernizar, fazendo. Muito importante é o papel dos nossos parlamentares na votação das leis, devendo retirar as distorçõesprovocadas pela evolução do sistema e dizer o que não pode ser feito, deixando a regulação de mercado para as agência reguladoras. Uma lei quando quer fazer detalhamento de especificidades, demora muito porque tem que atender aos partidos da base do governo que, em nome do povo, termina numa colcha de retalhos com remendos típicos de atendimento às corporações. O mercado é dinâmico, requer inovação e criatividade, e o regulador deve estar tecnicamente preparado, se possível induzindo as tendências, para não ser capturado, nem pelo governo de plantão, nem pelas empresas, nem pelos consumidores.
O setor de energia do Brasil precisa estar preparado para um futuro diversificado e competitivo e, com a finalidade de modernizar e atrair investimentos, encontram-se em tramitação no Congresso projetos de lei que precisam ter sinergia para que os detalhes de um não travem os outros.A Lei do GSF (garantia física) levou quase cinco anos para ser aprovada, mas só resolveu o problema do risco hidrológico passado com custo para o consumidor que vai pagar, a preço de mercado, por mais 2 ou 3 anos de concessões prorrogadas, uma energia que já pagou. O problema da garantia física vai permanecer até que haja uma reformulação do MRE (Movimento de Realocação de Energia) ou até mesmo um outro mecanismo de precificação desse risco, com a revisão da garantia das usinas.
No Congresso estão o PL 6.407/2013, que trata da Nova Lei do Gás; o PLS 232/2016, sobre a modernização do setor elétrico; o PLS 3.178/2019, que se refere aos leilões de petróleo e gás natural e o Código Brasileiro de Energia Elétrica (CBEE). No percurso legislativo, o CBEE apresentou quatro novidades em suas 197 páginas e 408 artigos: incorpora as regras da GD (Geração Distribuída) e o PLS 232, prevê leilões por fonte e cria o programa social “Bolsa Energia”. Espera-se que a “Taxação do Sol” seja tratada sem conotação populista, deixando espaço para a GD continuar crescendo, mas diminuindo subsídios até a sua total extinção porque a fonte solar já é um negócio consolidado.
A Nova Lei do Gás está no Congresso desde 2013, e foi aprovado na Câmara o texto possível no momento, porque as distribuidoras estaduais se sentem prejudicadas com o mesmo. Temos de aproveitar a riqueza do gás do pré-sal, hoje com reinjeção de 45%, transformando essa perda em royalties, impostos e empregos. A competição com o GNL (Gás Natural Liquefeito) importado, com o gás da Bolívia, da Costa de Sergipe e dos campos onshore, com molécula mais seca e menor custo de tratamento, será saudável para a economia brasileira. O gás natural é considerado o combustível da transição energética porque poderá compor o lastro da segurança elétrica e fazer a indústria brasileira mais produtiva e competitiva.
Mas, “Gás para Todos” parece ser outro populismo energético. Nossa Carta Magna não prevê a universalização do gás natural, sendo o direito de todos o acesso à energia elétrica e ao saneamento básico, praticamente só alcançado pelo primeiro benefício pois o segundo não chega para 50% dos brasileiros.Gás natural também é energia, mas não se pode sair implantando gasodutos por todas as partes do país, um sobreinvestimento que, no futuro, pode ficar obsoleto porque existem outras maneiras de transportar a molécula e alternativas energéticas a serem econômica e socialmente aproveitadas.
Nossa visão sempre foi geração pelo lado da oferta, mas não devemos esquecer de efetivas ações de eficiência energética, a mais barata e menos poluente das formas de energia. Precisamos fazer uma alocação racional dos preços da energia de cada fonte porque o consumidor do mercado regulado não suporta mais uma composição tarifária cheia de subsídios eque apresenta 47% da conta com encargos e impostos. O STF deu um alívio com a retirada do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS e sua cobrança sobre a demanda registrada, e não sobre a contratada. Devemos ficar de olho na PEC nº 45/2019, que prevê a unificação de impostos federais e estaduais, essa mais difícil de sair porque agora tem eleições, daqui a dois anos novas eleições, e assim vamos continuar sustentando uma voracidade tributária que consome nosso tempo e competitividade.