Categoria: IDEIAS DE OUTROS

Resiliência e transição no setor elétrico.

Geoberto Espírito Santo

Engenheiro e Professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas – UFAL

Com um insistente déficit fiscal e a gestão politicamente temerária das estatais, foi inevitável a volta da demonizada palavra privatização na agenda econômica. Falar nisso era tabu, considerado até um crime de lesa-pátria. Os estatizantes são contrários à privatização e, à favor, os defensores do mercado. Mas cabe às lideranças sindicais, empresariais, acadêmicas e políticas informarem à sociedade a situação de suas estatais com honestidade intelectual e política.  É preciso colocar luz nesse debate, mas estão colocando sombras, distorcendo a real projeção da luz só para fazer barulho, tirar vantagens políticas e/ou pessoaisapenas com a visão eleitoreira do quilovoto.

Os argumentos contrários à privatização das distribuidoras federalizadasbeiram o catastrofismo e não passam por um debate sério e racional. Vender uma empresa dessa por R$ 50 mil seria realmente um absurdo, se não tivesse um patrimônio líquido negativo, prejuízos acumulados e que fazer vultosos investimentos que deixaram de ser realizados. Ecoam vozes que vão privatizar a água, o serviço vai piorar, a tarifa vai aumentar, vai ter apagão,vão haver demissões e energia é um recurso estratégico, não é mercadoria.

Na realidade, quem opera os reservatórios é o ONS e o serviço das federalizadas é tão ruim que não conseguiram atingir as metas da ANEEL. As regras para a fixação das tarifas são iguais para empresas públicas e privadas e se houver apagões são pelas mesmas razões dos que outrora já ocorreram. No Brasil, 69% da geração de eletricidade já é feita por empresas privadas. A Eletrobras tem 46% da quilometragem das linhas de transmissão e das 63 distribuidoras, 57 são privadas. Energia é um recurso estratégico sim, mas as empresas não, haja vista os vários modelos corporativos existentes entre o capital público e o privado,função de fatores que vão muito além da ideologia e da defesa de privilégios. Se a energia elétrica não é mercadoria, por que cobra-se ICMS sobre ela?

As federalizadas, em 20 anos, deram um prejuízo à holding de R$ 23 bilhões. Mas o ponto central não é esse, é que certamente haverá demissões de empregados pois o salário médio das 6 distribuidoras da Eletrobras (AC, AL, AM, PI, RO e RR) é de R$ 11.763,48 enquanto que o da Neoenergia (BA, PE, RN) é de R$ 4.314,32. Mas esses direitos adquiridos são garantidos pela legislação trabalhista e muito pior seria a liquidação das mesmas, com mais R$ 16 bilhões que sairiam dos cofres da Eletrobras.As empresas de capital aberto do setor elétrico, desde 2011, perderam R$ 103 bilhões em valor, sendo que 89% coube a Eletrobras. Nela, a “privatização” não tem venda de ativos, é uma emissão de ações para diluir a participação da União no quadro societário, na realidade uma estratégia para profissionalizar a governança corporativa.

Mercado livre, fontes renováveis, matriz diversificada, geração distribuída, já projetam a obsolescência do modelo centralizado de geração, transmissão e distribuição. Fomos consumidores, usuários, clientes e agora somos “prosumidores”. Estão no para-brisa a tarifa horária, comercializador varejista, resposta da demanda, bioenergia, carros elétricos, armazenamento, eficiência energética, portabilidade elétrica, mini grids, redes inteligentes em cidades inteligentes. A Energia 4.0 e a Engenharia 5.0 estão na janela, batendo à nossa porta e o debate é esse: que tipo de empresa e governança corporativa podem assegurar qualidade/preço ao cidadão energético livre para escolher. (21/09/2018)

 

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Energia 4.0

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A revolução 4.0

A REVOLUÇÃO 4.0

Por Geoberto Espírito Santo

Engº, Prof. aposentado da UFAL e membro da Associação Alagoana de Imprensa – AAI

Na História, dizemos que houve uma revolução quando novas tecnologias e novas formas de ver o mundo provocaram, de forma abrupta e radical, mudanças profundas nos sistemas econômicos e nas estruturas sociais. Com foco agora na indústria, podemos dizer que tivemos três grandes revoluções industriais e já entramos na quarta.

Há cerca de 10.000 anos,antes das revoluções industriais, registramos uma revolução agrícola quando da transição da busca por alimentos para a agricultura, graças à domesticação dos animais. Essa combinação da força dos animais com a dos seres humanos transformou a produção, o transporte e a comunicação e aos poucos estimulou o crescimento da população e o aparecimento dos assentamentos que o processo de urbanização fez aparecer as cidades. Vieram em seguida três revoluções industriais, tendo como marca registrada a transferência da força muscular para a energia mecânica. A quarta, que bate à nossa parte, e em alguns países já entrou em casa, o aumento da produção humana vem por intermédio da cognição como fator de aumento da potência.

A primeira revolução industrial (1760 – 1850) surgiu pela invenção da máquina à vapor, a construção das ferrovias, o telégrafo e daí a produção mecânica, a siderurgia e a metalurgia. Uma das lições dessa época é que um fator determinante do progresso é função da extensão com que a inovação tecnológica é adotada pela sociedade. Quanto ao tempo, o tear mecanizado levou quase 120 anos para se espalhar pela Europa.

A segunda revolução industrial (1850 – 1945) foi caracterizada pela produção em massa, com o advento da eletricidade, do motor de combustão interna, do telefone e da linha de montagem. Ainda não plenamente vivenciada, pois 1,3 bilhão de pessoas, cerca de 17% da população mundial, não têm acesso à eletricidade, já nos deparamos com novas tecnologias, com a digitalização, com a próxima revolução.

A terceira revolução industrial, também chamada de “revolução do computador”, começou por volta de 1960 com o aparecimento dos mainframes. O desenvolvimento dos semicondutores também impulsionou a computação pessoal nas décadas de 70 e 80, as telecomunicações, aparecendo a internet na década de 1990. Mesmo que governos, instituições públicas e privadas façam as suas partes, a velocidade das mudanças amplia a defasagem dos benefícios para a sociedade, haja vista que atualmente 4 bilhões de pessoas, ou seja, mais da metade da população mundial, não tem acesso à internet.

Podemos afirmar que a quarta revolução industrial bateu à nossa porta na virada do século e sua característica é digital, com uma internet móvel, sensores menores, mais velozes, mais poderosos, mais baratos e a inteligência artificial com o aprendizado na própria máquina. A “indústria 4.0”está presente nas feiras internacionais mostrando que as “fábricas inteligentes” já personalizam produtos e criam novos modelos operacionais numa fusão de tecnologias e interação com os mundos físicos, digitais e biológicos. Essa revolução vai mais além, invadindo áreas da nanotecnologia, da robótica, da genética, da internet das coisas, das redes elétricas inteligentes em cidades inteligentes.

As grandes questões que ficam é se teremos formas coerentes e positivas de descrever os desafios e as oportunidades que ocorrerão com as mudanças nos nossos sistemas econômicos, sociais e políticos e se teremos lideranças capazes de repensá-los para que a sociedade se aproprie dos benefícios dessa quarta revolução sem criar um fosso ainda maior na desigualdade hoje existente.

 

A reinvenção da política

Geoberto Espírito Santo

Engº, Prof. aposentado do CTEC – UFAL e membro da Associação Alagoana de Imprensa

O Brasil que eu quero é o prometido nas campanhas políticas e nuncaentregue.Vivemos num mundo de tecnologia, robótica e inteligência artificial e a sociedade passa por uma profunda transformação econômica, tecnológica e social, mas a política não acompanhou esses movimentos. Temos um vazio de poder e de consenso perigosos para o futuro,originado por um minimalismo municipal e regional promotor de um sistema de trocas e favores entre a União, Estados, municípios e empreiteiras neles interligadas para a compra e venda de poder. A eleição, como parte da democracia, serve maispara proteger corruptos, pois um mandato poderá postergar infinitamente umjulgamento na Justiça.

Por indignação e desesperança, entre 60% e 75% dos cidadãos não acreditam que os políticos ainda sejam seus legítimos representantes.Pesquisas internacionais mostram que apenas 7% das pessoas no Brasil ainda acreditam nos partidos, as instituições menos confiáveis. Sua qualidade é inversamente proporcional a quantidade. São 35 registrados no Tribunal Superior Eleitoral e 27 deles atuam no Congresso, uma pulverização que dificulta a tomada de decisões, a adoção de reformas e fertiliza o terreno para a corrupção. A taxa de renovação dos dirigentes nacionais dos partidos foi de apenas 25% em uma década. Não formaram novas lideranças. São vistos atualmente como castelos medievais onde funcionam casas de negócios, nas quais inexistem proteções até para que um candidato que queira, possa desempenhar bem a sua candidatura e posterior mandato. Os partidos trabalham para seus interesses financeirose a política ganhou má fama, perdeu o seu sentido nobre e passou a ser entendida como lugar de malandros. São a única forma de tomar e conservar o poder numa democracia, mas não unificam mais doutrinas ou interesses sociais, levando para a falência do Estado Democrático de Direito.

Os marqueteiros, especialistas em ilusionismo, evitam tratar da ética de seus patrões e transformaram o processo eleitoral numa repetição enfadonha. Em 2013 e 2015 o povo foi para a rua, numa festa sem nenhuma conexão com o dia seguinte. A geração jovem não é guiada pela lealdade partidária, mas pela necessidade de apoiar candidatos que personifiquem suas próprias causas. Hoje, a maioria das pessoas gostam de se diferenciar por raças, religiões, gêneros, sexo, cor da pele, nacionalidades. Isso são apenas árvores, mas a política precisa olhar a floresta. A política, como meio de conexão entre os indivíduos e a sociedade, não criou mecanismos de participação e as pessoas não se interessaram em participar.O que consolida uma democracia, nem é o voto, nem é o governo, e sim uma sociedade educada e libertária. Dessa forma, pode vir quem vier.

A representatividade política é a matriz de todas as crises e sua reforma tem que vir de uma mobilização social não manipulada que deve anteceder a construção política, um novo olhar nas estruturas formais e institucionais do poder. Se queremos mudar alguma coisa, temos que ter atitude, conscientes que o novo não é o dono da verdade e que pode ser pior do que o velho.A educação de qualidade e a tecnologia cívica poderão nos levar a uma reinvenção da política, transformando eleitores em cidadãos. Gosto de mega tendências e um livro tempos atrás me mostrava como seria o fim da atual democracia representativa. Os parlamentares de no máximo cinco partidos, argumentavam, discutiam, debatiam um determinado tema no Congresso e era mercadodia e hora da votação e,em praça pública,os cidadãos votavam através de seus celulares, instalados em relógios de pulso. Como na Grécia antiga, berço da democracia, mas com alta tecnologia.

 

A espiral da morte

Geoberto Espírito Santo

Engº, Prof. aposentado da UFAL e membro da Associação Alagoana de Imprensa – AAI

Pela predominância das fontes hídricas, o Brasil é um dos países no mundo com maior oferta de energiarenovável em sua matriz. Essa hegemonia era de 98% nos anos 70, estando agora com 65% e tendendo a diminuir pelas crescentes restrições ambientais, mesmo sendo a água uma fonte renovável. Temos 260 GW hídricos inventariados eapenas 40%utilizado. Entretanto, 70% do restante encontra-se na Amazônia, região de múltiplos interesses que envolvem topografia, áreas alagadas, terras indígenas, sítios arqueológicos, biodiversidade, proteção da fauna e da flora e até interesses internacionais. Essa é uma questão que precisa ser enfocada com altivez e racionalidade para que esse potencial não seja totalmente desperdiçado.

Para atender a demanda em um país em desenvolvimento é preciso ampliar a oferta e a política energética está priorizando os investimentos em fontes renováveis, também em função do nosso grande potencial de país tropical com dimensões continentais. O incentivo direcionado começou com a energia eólica, que já participa com 8% da nossa geração e está praticamente consolidada. As regras para essa fonte estão em transição, no financiamento, nos subsídios e nos seus impactos tarifários, pois chegamos a contratar Energia de Reserva quando já havia sido contratada a “garantia física” do sistema.

Na mesma trajetória vem a energia solar, quer pela redução de custos nos sistemas fotovoltaicos, quer pelas mudanças regulatórias promovidas pela ANEEL, vão resultar numa grande transformação na atual centralização do setor elétrico. Com a geração descentralizada e a presença do “prosumidor”, ou seja, o consumidor que também produz, teremos diferentes tipos de fonte e fluxos de potência em várias direções. Os benefícios ambientais do uso do sol para gerar eletricidade são notórios para os objetivos de uma matriz renovável, mas alguns cuidados regulatórios, técnicos e econômicos precisam desde já serem trabalhados.

Com um investimento em torno de R$ 7.000/kW registramos em fevereiro 23.623 unidades instaladas, número 65% maior que o projetado, sendo que 99% delas são de fonte fotovoltaica, obviamente instaladas por serem competitivas com tarifas, encargos, subsídios e impostos. Entretanto esses “prosumidores” continuam dependentes da concessionária pela falta de total aderência entre a geração fotovoltaica e a curva de carga diária do consumo. Com a difusão dessa postura as distribuidoras perderão receita, mas continuarão com as mesmas responsabilidades e custos dessa disponibilidade.

Como esse custo está embutido em tarifas ligadas ao volume do mercado, haverá um desequilíbrio econômico-financeiro da concessão calculada por baixoem 1,1% ao ano até 2024, só atualizado nas revisões tarifárias de 4 em 4 anos, que é diferente dos reajustes feitos todos os anos. Tarifas mais altas estimulam uma maior adesão dos “prosumidores” e essa “espiral da morte” promove uma perversa transferência de custos para os “sem painel”, justamente aqueles que não dispõe de recursos para produzir sua própria energia. Cabe ao regulador a alocação consistente e sustentável desses custos, benefícios e riscos entre os diferentes agentes do setor.

Com o sucesso, vema proliferação de empresas nesse ramo tendendo a baixar cada vez mais os custos pela competição quando algumas ficarão inviabilizadas pelos limites da qualidade do serviço. Antes da decisão do investimento, convém consultar especialistas no assunto para dissecar projetos, cálculos e cláusulas contratuais.

 

MÍSTICA FEMININA

The Feminine Mystique, o livro de Betty Friedan lançado em 1964 não foi o primeiro, mas tornou-se um marco no contexto da supremacia masculina sobre o feminino. Em 1948, em seu livro Anything But Love, Elisabeth Hawes já atacava o machismo nas revistas femininas americanas sem maiores conseqüências. O Segundo Sexo, grande trabalho de Simone de Beauvoir, lançado em 1953, também não significou nenhum movimento, nenhuma ação.

O feminismo organizado tem apresentado interesses, exigências ou táticas que muitas vezes não se justificam porque a batalha fundamental deve ser pela igualdade de oportunidades para todos. Pessoas, grupos e até estruturas político-governamentais que só defendem os direitos das mulheres, de certa forma estão discriminando a cidadania na sua totalidade, que independe de sexo, crença, raça, nacionalidade, religião ou condição social. A cidadania é um dos direitos universais de qualquer ser humano. A luta com essa parcialidade não deixa de ter a sua importância porque em quase todas as culturas as mulheres foram violadas, dominadas, restringidas, na melhor das hipóteses sutilmente controladas pelos homens. Em vários países as evidências do machismo são encontradas nas leis, nas oportunidades de trabalho e até nas piadas e na galhofa. Continue reading “MÍSTICA FEMININA”

E SE FOSSE VERDADE?

E se fossem verdades todas aquelas “verdades” formadas nas cabeças das pessoas que permeiam o mercado publicitário? E falo de todos: publicitários (profissionais e estudantes), anunciantes e profissionais de veículos.

Já perdi as contas de quantas vezes me deparei com pessoas, inclusive este que vos escreve, confesso, despejando as verdades formadas em diversas ocasiões, como reuniões de brainstorm, trazendo um imenso risco de que a campanha futura já nascesse fadada a tomar os caminhos errados e não encontrar de fato o público-alvo. E falo isto não apenas do ponto de vista da mídia, mas de tudo que envolve uma boa campanha publicitária.

“Ah, o pessoal mais jovem não assiste mais TV aberta.”

“Esse programa começa cedo demais. Ninguém assiste.”

“Quero uma mídia de TV com 350 GRP. Isso resolve.”

“Se é classe C, tem que ter linguagem popular SEMPRE.”

“Digital resolve esta campanha.”

“NINGUÉM mais lê jornal impresso.”

Bom, poderia citar muito mais “verdades” como esta, mas não vem ao caso agora. O fato é que sim, a comunicação está mudando rápido; com certeza está. Mas também é fato que nem tudo mudou por completo ainda e precisamos estar atentos a isto. E ainda bem que muitas pessoas estão.

Senão vejamos: talvez se o jovem não assistisse mais TV aberta, a Globo não precisasse estar com Malhaçãono ar há 23 anos ininterruptos. Quem sabe se 350 GRP resolvesse tudo, nem precisasse de um mídia. Bastaria compra dez inserções no Jornal Nacional (35 pontos cada). Pronto; resolvido. E se o digital resolvesse TUDO? Olha aí, Google, Apple e Netflix! Pra que anunciar na TV, em outdoor ou em mídia de aeroporto?

É verdade, até como disse meu colega Vinícius Batista no último post deste blog, que a tecnologia é a base de tudo na comunicação de hoje, mas também é fato que sempre foi. Não teríamos jornal impresso se não tivesse havido a nova tecnologia da prensa. Não teríamos o rádio, se alguém não tivesse pensado no que fazer com as tais “ondas”. E depois a TV, preta e branca e depois colorida, a TV a cabo, a internet, etc, etc, etc. Obviamente o que mudou tudo ao longo da história da humanidade foi exatamente a tecnologia. Então, também obviamente, foi ela quem sempre trouxe todos estes questionamentos e estas verdades, que foram diferentes, cada um a seu tempo. E o tempo? O tempo mostrou que o rádio não matou o jornal, a TV não aniquilou o rádio e a internet não matou (e nem vai matar) a TV. Vai mudar tudo? Já mudou. Como? Através justamente da tecnologia, pois tudo que temos se adapta às suas mudanças e avança em direção ao futuro.

Mas sabem qual é a verdade, na minha humilde opinião? Falta de bom senso, poder de observação e até de humildade pra se aprofundar mais, entendendo de fato as mudanças e tudo que elas trarão, mas sobretudo o que realmente elas já trouxeram. Do contrário corremos o risco de incorrer nestas “verdades” formadas e até passarmos o incômodo dos números e fatos nos desmentirem, mostrando que apesar de muito disso tudo ser realmente tendência, precisamos ter cuidado, pois nem tudo que tende se concretiza ou pelo menos ainda não se concretizou.

Fred Teixeira, Coordenador de Mídia da Aporte.biz Comunicação.texera-300x300

COMPLEXIDADE E DESAFIO

Esse 2018 será complexo e cheio de incertezas para os negócios no setor elétrico brasileiro. Temos um cenário com os reservatórios em níveis baixos, forte expansão das fontes intermitentes, o nosso Nordeste com as dificuldades de sempre e uma previsão de predomínio da bandeira vermelha. Portanto, a operação do sistema será um desafio pela complexidade que esses fatores, juntos, representam.

Na Região Norte, 2018 será melhor que no ano passado, pois são boas as previsões de geração nas usinas do Rio Madeira no período úmido. O reservatório da UHE Serra da Mesa, importante elo da interligação Norte-Sul, deverá ter uma boa recuperação. No Nordeste, as hidrelétricas da bacia do São Francisco vem registrando queda nos níveis de armazenamento há 20 anos, fato que se agravou em 2013. Não se espera chuvas em abundância nesse ano e deve-se levar em conta que no Velho Chico a água também vai para seus usos múltiplos, como o abastecimento humano, animal e agricultura. Portanto, teremos uma operação mais voltada para a segurança hídrica do que para o suprimento energético. Atualmente, das seis turbinas de Sobradinho, duas estão operando e das seis de Xingó, apenas uma, pois a vazão que era de 1.300 m3/s passou a ser de 550 m3/s. Existem 405 parques eólicos no Nordeste e a expectativa é que os ventos continuem com bom desempenho, que resultará num alto fator de capacidade. Com essa forte dependência dos ventos, os modelos de previsão devem ser aprimorados, ainda porque começam a operar usinas solares, mesmo que essas apresentem uma incerteza menor.

No Sudeste registrou-se em 2017 a segunda pior marca de sua série histórica e o despacho térmico será necessário, mesmo com mais turbinas de Belo Monte entrando em operação. Para a recuperação dos reservatórios, seria importante que no período de chuvas as térmicas permanecessem ligadas, mas dificilmente isso ocorrerá. Com a liberação para operação do linhão Belo Monte-Sudeste, a hidrelétrica de Tucuruí poderá transferir mais hidroeletricidade para o Nordeste, não só evitando o maior uso de térmicas como também podendo poupar água nos reservatórios do São Francisco.

A ANEEL modificou os critérios de acionamento das térmicas, que agora vão considerar também as perspectivas de armazenamento dos reservatórios, o que pode trazer preocupações operacionais ao fim do período úmido. Para quem comprou mais ou menos energia e precisa recorrer ao mercado spot, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) para esse ano deve ficar entre R$ 40/MWh e R$ 550/MWh. Nos temas diretamente ligados à comercialização de energia, estão o GSF (Garantia Física) e a descotização. Esperava-se que a Medida Provisória nº 814, de 28 de dezembro de 2017, apresentasse uma proposta para resolução de uma judicialização que já chega aos R$ 6 bilhões e a situação tende a se agravar a depender dos volumes de chuva. A questão da descotização das usinas hidrelétricas e em quem será alocado o risco hidrológico, terá reflexo nas tarifas, na abertura do capital da Eletrobras e na ampliação do mercado livre, cuja normatização também aguarda um Projeto de Lei ou até mesmo uma Medida Provisória, um embate com o Congresso em qualquer uma das escolhas.

Tudo isso com um pano de fundo de julgamentos na Lava Jato, Carnaval, Reforma da Previdência, desincompatibilização de ministros, Copa do Mundo e eleições gerais. Ôba! Que bom que temos mais problemas, pois nos ajudam a buscar soluções e evoluir.

Geoberto Espírito Santo

Personal Energy da GES Consultoria, Engenharia e Serviços

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Educação brasileira e o contexto global: por que não avançamos? Por Janguiê Diniz

No momento em que o Brasil corre o risco de ver extinta sua maior política pública de acesso à educação superior da história, o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2017/18, recém divulgado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), alerta para o quanto a transformação de uma política social em política econômica pode comprometer o progresso do país.

A agenda de desenvolvimento sustentável adotada pelas Nações Unidas, lançada em setembro de 2015 com metas a serem atingidas até 2030, inclui entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a garantia de educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos.

Algumas metas relacionadas a esse objetivo, o 4º em uma lista de 17, ressaltam exatamente a relevância da educação superior para que as nações consigam melhorar a vida das pessoas. A meta 4.3, por exemplo, diz que cabe aos Estados-Membros assegurarem a igualdade de acesso para todos os homens e mulheres à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços acessíveis, incluindo universidade. Além disso, também está entre as metas o aumento do contingente de professores qualificados. Continue reading “Educação brasileira e o contexto global: por que não avançamos? Por Janguiê Diniz”

Sustentabilidade deve ser um dos pilares empresariais.

 

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Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com

 

Há vinte anos, poucos empresários consideravam importante o respeito ao meio ambiente. Atualmente, a sustentabilidade é um elemento central na atividade e cada vez mais essencial na estratégia das empresas. Durante muito tempo se acreditou, erroneamente, que a sustentabilidade estaria diretamente relacionada ao meio ambiente. Entretanto, essa ideia é dividida em três principais pilares: social, econômico e ambiental. Para se desenvolver de forma sustentável, uma empresa deve atuar de forma que esses três pilares coexistam e interajam entre si de forma plenamente harmoniosa.

 

O pilar ambiental refere-se, basicamente, à preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, além da redução do desperdício de materiais. O social compreende ao capital humano relacionado às atividades do empreendimento, incluindo a comunidade, o público-alvo, os fornecedores e a sociedade em geral. E finalizando, o econômico inclui assuntos referentes à produção, distribuição e consumo de bens e serviços, considerando os pilares ambiental e social.

 

Para a ONU, entre os dez objetivos que o mundo poderia adotar para atingir o desenvolvimento sustentável estão erradicar a pobreza extrema, incluindo a fome; assegurar o aprendizado efetivo de todas crianças e jovens para a vida e a subsistência; alcançar a saúde e o bem-estar para todas as idades; melhorar os sistemas agrícolas e aumentar a prosperidade rural; tornar as cidades mais inclusivas, produtivas e resilientes; entre outras.

 

O desenvolvimento sustentável já é um assunto recorrente na sociedade mundial. A assiduidade das pautas de discussão está ligada diretamente a urgência e a necessidade de se criar movimentos para equilibrar as ações desenvolvimentistas do homem e da preservação dos recursos naturais. Assim, pensar no desenvolvimento sustentável implica considerar a necessidade de recuperar o patrimônio natural, preservar os ecossistemas e definir o uso racional dos recursos, permitindo o equilíbrio socioeconômico e cultural.

 

Mundialmente, o consumidor brasileiro é menos preocupado com a preservação dos recursos naturais do que os consumidores dos países desenvolvidos. Nos EUA, ações de premiação para as empresas que agem sustentavelmente já alcançam 50% da população consumidora. Essa relação fica ainda mais clara quando analisamos o percentual das pessoas que buscam os produtos ecologicamente corretos: nos países desenvolvidos esse número é de 39%, enquanto aqui, os percentuais são de 13%.

 

O papel da educação e da erradicação da pobreza é extremamente importante para atingir os objetivos propostos pela ONU. Um país que investe em educação está investindo em desenvolvimento – econômico e sustentável. É preciso criar e ter a consciência de que assegurar esse equilíbrio entre o desenvolvimento dos países e a preservação do meio ambiente, significa, acima de qualquer outro objetivo, garantir que nossos filhos, netos e bisnetos tenham condições mínimas de sobrevivência.

 

A busca das empresas pelo equilíbrio de suas ações nas áreas econômica, ambiental e social, visando à sua sustentabilidade e a uma contribuição cada vez mais efetiva à sociedade, é hoje um fato. Para medir esse equilíbrio, alguns modelos e ferramentas de gestão, globalmente aceitos, têm sido utilizados no dia-a-dia empresarial para o aperfeiçoamento de seus processos e ações.

 

Mas a sustentabilidade, entendida no ambiente corporativo como fator estratégico para a sobrevivência dos negócios, é bem mais que um princípio de gestão ou uma nova onda de conceitos abstratos. Representa um conjunto de valores e práticas que deve ser incorporado ao posicionamento estratégico das empresas para definir posturas, permear relações e orientar escolhas.