DE GETÚLIO A TEMER CONHECI TUDO

Talvez porque tenha nascido em ambiente político com um pai atuante diante de governos, lembro-me bem da figura de Getúlio, falando no Dia do Trabalho, direto do Campo do Vasco e reforçando a constante abertura de seus discursos com um empolgante “brasileiros e brasileiras”. Depois, o seu segundo governo, cinco anos após ter sido deposto e trazido de volta nos braços e nos votos do povo. A crise que assolou seu governo, seu suicídio ainda estão na minha mente. Depois, períodos de tranquilidade e também de revoltas, mas com um Juscelino fazendo o seu governo de cinquenta anos  em cinco. Um estadista! Chega Jânio Quadros, que figura! Também querendo, depois de uma inesperada renúncia, voltar nos braços do povo acabou por ficar chorando dentro de um avião em Cumbica. E aí chegou a vez de João Goulart que com a renúncia teria que assumir a presidência, já que era vice-presidente. Mas foi duro, difícil e conseguiu negociando um período de parlamentarismo histórico neste país. E, então, taxado de comunista, o que não era, foi deposto pelos militares que ocuparam o país por vinte anos em total regime exceção. Aí o país volta ao presidencialismo que, com a morte de Tancredo dá vez a Sarney que preside eleições e o povo elege Collor, retirado do Planalto por um “impeachement” até hoje discutível. Entra  Itamar Franco, na sucessão o Fernando Henrique Cardoso e finalmente, depois de muito tentar Lula assume o governo do Brasil por dois períodos consecutivos. Elege sua sucessora, Dilma Roussef que também sofre “impeachement”, entra o Temer e o resto vocês sabem. Lula preso, as instituições abaladas e o Brasil, sem dúvida alguma, com grandes dúvidas quanto ao seu futuro. Hora de escrevê-lo e de resgatar os nosso valores. Continuar lendo “DE GETÚLIO A TEMER CONHECI TUDO”

A espiral da morte

Geoberto Espírito Santo

Engº, Prof. aposentado da UFAL e membro da Associação Alagoana de Imprensa – AAI

Pela predominância das fontes hídricas, o Brasil é um dos países no mundo com maior oferta de energiarenovável em sua matriz. Essa hegemonia era de 98% nos anos 70, estando agora com 65% e tendendo a diminuir pelas crescentes restrições ambientais, mesmo sendo a água uma fonte renovável. Temos 260 GW hídricos inventariados eapenas 40%utilizado. Entretanto, 70% do restante encontra-se na Amazônia, região de múltiplos interesses que envolvem topografia, áreas alagadas, terras indígenas, sítios arqueológicos, biodiversidade, proteção da fauna e da flora e até interesses internacionais. Essa é uma questão que precisa ser enfocada com altivez e racionalidade para que esse potencial não seja totalmente desperdiçado.

Para atender a demanda em um país em desenvolvimento é preciso ampliar a oferta e a política energética está priorizando os investimentos em fontes renováveis, também em função do nosso grande potencial de país tropical com dimensões continentais. O incentivo direcionado começou com a energia eólica, que já participa com 8% da nossa geração e está praticamente consolidada. As regras para essa fonte estão em transição, no financiamento, nos subsídios e nos seus impactos tarifários, pois chegamos a contratar Energia de Reserva quando já havia sido contratada a “garantia física” do sistema.

Na mesma trajetória vem a energia solar, quer pela redução de custos nos sistemas fotovoltaicos, quer pelas mudanças regulatórias promovidas pela ANEEL, vão resultar numa grande transformação na atual centralização do setor elétrico. Com a geração descentralizada e a presença do “prosumidor”, ou seja, o consumidor que também produz, teremos diferentes tipos de fonte e fluxos de potência em várias direções. Os benefícios ambientais do uso do sol para gerar eletricidade são notórios para os objetivos de uma matriz renovável, mas alguns cuidados regulatórios, técnicos e econômicos precisam desde já serem trabalhados.

Com um investimento em torno de R$ 7.000/kW registramos em fevereiro 23.623 unidades instaladas, número 65% maior que o projetado, sendo que 99% delas são de fonte fotovoltaica, obviamente instaladas por serem competitivas com tarifas, encargos, subsídios e impostos. Entretanto esses “prosumidores” continuam dependentes da concessionária pela falta de total aderência entre a geração fotovoltaica e a curva de carga diária do consumo. Com a difusão dessa postura as distribuidoras perderão receita, mas continuarão com as mesmas responsabilidades e custos dessa disponibilidade.

Como esse custo está embutido em tarifas ligadas ao volume do mercado, haverá um desequilíbrio econômico-financeiro da concessão calculada por baixoem 1,1% ao ano até 2024, só atualizado nas revisões tarifárias de 4 em 4 anos, que é diferente dos reajustes feitos todos os anos. Tarifas mais altas estimulam uma maior adesão dos “prosumidores” e essa “espiral da morte” promove uma perversa transferência de custos para os “sem painel”, justamente aqueles que não dispõe de recursos para produzir sua própria energia. Cabe ao regulador a alocação consistente e sustentável desses custos, benefícios e riscos entre os diferentes agentes do setor.

Com o sucesso, vema proliferação de empresas nesse ramo tendendo a baixar cada vez mais os custos pela competição quando algumas ficarão inviabilizadas pelos limites da qualidade do serviço. Antes da decisão do investimento, convém consultar especialistas no assunto para dissecar projetos, cálculos e cláusulas contratuais.

 

ROUPA SUJA SE LAVA EM CASA

E, de preferência nos fundos da casa, na área destinada à lavagem sem que os vizinhos ou visitas tenham acesso. Aí é a certeza de eliminar a sujeira, de tornar tudo novo e deixar que todos desfilem pelas ruas com a melhor das aparências.

Infelizmente, no Supremo Tribunal Federal parece que a coisa não está funcionando exatamente assim e, através das câmeras indiscretas do plenário estamos assistindo a um lavar de roupas sujas que não condiz com dignidade daquele tribunal, o mais alto do país e que deveria dar exemplos de coerência, de discussão saudável e, sobretudo de educação sob todos os aspectos.

Pelo bem da transparência tudo é aceito nos dias de hoje, mas quando se vê dois ministros da Suprema Corte a se ofenderem pessoalmente em plenário só podemos lamentar e ao mesmo tempo aplaudir a aparente frágil presidente suspender a sessão para que os ânimos dos dois ministros voltassem ao lugar da razão.

O contraditório é perfeito e faz parte da vida, mas quando é exercido de maneira pessoal e não em função da atividade fim, não  se justificam os meios escolhidos para que sejam atingidos aqueles fins.

Longe de mim criticar o Supremo Tribunal Federal, mas, como cidadão, posso fazê-lo, por desejá-lo imaculado dentro deste mar de lama que assola o país. O STF e seus pares são uma esperança dos brasileiros por dias mais honestos.

Portanto, senhores ministros, lavanderias não faltam em todo o país, busquem-nas, por favor.

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REFORMA RADICAL

Há um grande equívoco no Brasil quando se fala em reforma, uma aqui outra acolá, como se fossem essas reforminhas as salvadoras da pátria. Dessa pátria amada, idolatrada, nem tanto e nem por todos, que sofre as agruras de quem nasceu há pouco mais de 500 anos e lhe faltou o carinho materno e paterno, o amor leal dos seus descobridores e fundadores que dela se locupletaram, que roubaram suas riquezas e implantaram nela e desde o primeiro presente dado por um português a um índio, as políticas do roubo, do desperdício, do mal administrar, da corrupção enfim. Mudar este “status quo” deste país mal educado significa abraçar com garra e muita coragem uma reforma radical de métodos e sistemas, de costumes, de enganos e desenganos, diminuindo a participação dos governos no desenvolvimento e devolvendo ou oferecendo à iniciativa privada as possibilidades de crescerem e, sobretudo a de ofertarem empregos, uma das melhores maneiras de se obter inclusão social, sem favorecimentos esdrúxulos e sem o burro assistencialismo que tomou eleitoralmente conta de nosso país. Reformar politicamente essa “coisa” que é a enorme presença numérica de partidos sem nenhuma ideologia, sem nenhum objetivo a não ser o de eleger parlamentares e executivos despreparados para a grande reforma. Que não podemos detalhar neste simples e curto artigo, mas que sabemos como muitos e muitos brasileiros sabem a sua verdadeira extensão e profundidade. Um trabalho inequívoco, mas para duas ou três gerações à frente se, a partir de agora, soubermos lutar e exigir.

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QUANDO O SONO NÃO CHEGA

Quem já não passou por isto? O sono não chega. Você fecha os olhos, vira de um lado, vira para o outro, fecha os olhos de novo e nada do sono chegar. É quando o pensamento aumenta, e tudo vem à tona como num passe de mágica. Você tenta esquecer, mas repare que dificilmente vêm coisas boas naquela hora. São as merdas da vida, a conta por pagar, aquele projeto de trabalho que ainda não chegou, um monte de coisas que, ao invés de trazerem o sono lhe abrem cada vez mais o pensar. E você pensa, se vira, levanta, toma água, fecha os olhos bem fechadinhos, mas o danado não vem. Bem, então vamos escolher no que pensar. E você escolhe o Brasil. Para que? Lá vem a Lava Jato lembrando-lhe que o Brasil é uma corrupção só; que os políticos presos talvez estejam com a mesma insônia que você só que procurando uma maneira de escapar da sentença do Moro; que o Temer deve dormir bem pouco já que o fim do mandato pode ser o fim do sonho e o princípio do seu pesadelo; que o Lula já imagina o que será dele se for preso e o Bolsonaro imagina assumir o posto maior da nação. Quando vocês perde o sono tudo, mas tudo mesmo, pode vir à sua cabeça e o que é melhor, sono ou pesadelo, só você sabe. Ninguém mais.

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