TRANSIÇÃO ENERGÉTICA JUSTA.

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

O Banco Mundial mostra que a arrecadação de títulos soberanos verdes passou de
US$ 41 bilhões, aproximadamente R$ 215 bilhões. Esses títulos são emitidos pelos países
com o objetivo de arrecadar fundos para incentivar o uso de energia renovável ou para
cumprir metas de redução de carbono na transição energética. Em aproximadamente 60%
dos países de alta renda (EUA, Japão, Dinamarca…) existem instrumentos financeiros
públicos endereçados à sustentabilidade. Nos países de renda média alta (Brasil, China,
Peru…) esse percentual cai para 25% e para 10% em países de renda média baixa (Filipinas,
Índia, Senegal…). Naqueles de renda baixa, como Etiópia, Nigéria e Haiti, não se fala nisso.
Visualizando os títulos verdes de dívida emitidos em 2021, maior parte pelo setor
privado da Europa, atingiram US$ 621 bilhões ou R$ 3,25 trilhões. Para os “títulos sociais”,
com a finalidade de comprar casas, financiar a agricultura, melhorar os serviços de saúde e
acesso à água potável, foram levantados US$ 206 bilhões ou R$ 1 trilhão. Mas é preciso
que fique bem claro que a emissão desses títulos de renda fixa não é caridade, são emitidos
pelos governos ou por players do setor privado e estão expostos aos fatores de risco e
sujeitos a taxas de retorno diferentes.
A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, sigla em inglês), realizou
um estudo sobre a importância de incluir as comunidades locais na transição energética e
chegou à conclusão que elas são um poderoso acelerador. Além de gerar desenvolvimento
socioeconômico local, a inclusão de comunidades nos projetos de energia limpa também
permite uma maior autonomia na gestão dos recursos, tanto energéticos, como financeiros.
Cita experiências que existem no mundo e uma condição crucial para a sua implantação são
os ambientes políticos estáveis e não discriminatórios. Além do enfoque da transição
energética justa, rumo a uma matriz mais limpa, os desafios envolvem também um mercado
de trabalho e até mesmo a busca pela segurança.
E o que seria uma transição energética justa no Brasil? Justa do ponto de vista de
quem? Da oferta ou de quem consome energia? Tudo começa nessa definição, que não
existe consenso, ainda mais se formos compor com alguns elementos que estão comumente
a ela associados. Na era dos 5G, alguns formuladores pregam que a transição energética no
Brasil é composta por 5Ds: Descarbonização, Descentralização, Digitação, Desenho de
mercado e Democratização.
Descarbonização se refere às mudanças climáticas, podem aumentar sua frequência e
assim vai afetar com maior magnitude as camadas mais vulneráveis da sociedade.
Certamente que a descarbonização das matrizes elétrica e energética é muito benéfica para o
mundo em geral, principalmente para os mais ricos, mas há de se convir que leva perdas
para grupos sociais, cidades e, talvez, até para regiões inteiras. Nesses primeiros anos,
talvez décadas, painéis solares nas residências, carros elétricos, hidrogênio verde produzido
com energia eólica offshore, não vai ser acessível para a população mais pobre. Portanto,
apenas a descarbonização da matriz energética será insuficiente, mesmo que envolva outros
Ds, como a descentralização e um maior grau de digitalização.
Descentralização com eólicas e solares para comunidades pequenas e distantes dos
centros de carga, só com recursos do governo, nesse caso de nossos impostos.
Historicamente, seus modos de vida estão atrelados a atividades baseadas em fontes fósseis,

como é o caso da lenha, do carvão e do botijão de gás. É óbvio que vão encontrar inúmeras
dificuldades de fazer uma acelerada adaptação para uma economia de baixo carbono. Para
esse caso, serão necessárias alternativas produtivas associadas a fontes de energia de baixa
emissão e que possam oferecer uma melhoria na renda e na qualidade de vida dessas
populações.
Na digitalização, presente em quase todas as atividades econômicas e sociais, com
tendência para a entrada exponencial de novas tecnologias de informação e comunicação,
cada vez mais irá causar uma crescente dependência da energia no modo de vida das
pessoas. E quem mais sofrerá com a tecnologia são os mais velhos e os mais pobres, que
dificilmente poderão acompanhar essa expansão tão rápida e cara. Consequentemente, o
fosso social vai ampliando as discrepâncias que existem em nossa sociedade,
principalmente se uma grande parcela da população não tiver acesso à energia barata e de
qualidade, condição fundamental para a melhoria da sua situação econômica e do seu
padrão de vida.
No desenho de mercado, não podemos deixar de considerar que a desigualdade de
acesso à energia está relacionada com a desigualdade socioeconômica, às vezes até pela
discriminação étnico-racial, disparidade de gênero, quase sem renda e mobilidade social
inexistente, fatores que determinam a falta de oportunidades de acesso às instâncias
decisórias. Da solução faz parte a regulação, a capacitação, para fazer com que as
comunidades passem a compreender questões técnicas, financeiras e políticas, e até
comecem a desenvolver iniciativas com o próprio negócio.
Democratização agora é um nome que cabe em qualquer lugar, mas sempre muito
distante daquilo que foi idealizado pelos filósofos gregos. Aqui, nesse caso da transição
energética, por democratização definiu-se o acesso amplo e módico à energia, de forma
inclusiva e participativa, dando maior prioridade à questão social no aproveitamento dos
recursos energéticos. Nem mesmo com os parlamentares que elegem, essas comunidades
participam dessas definições. Discurso afiado, palavras envolventes, propaganda milionária,
mas quais são as ações, metas, recursos, como acompanhar resultados?
Portanto, uma transição energética para ser justa no Brasil, não pode ficar apenas
sendo indutora de mudanças nas matrizes elétrica e energética, na direção de uma economia
de baixo carbono. É preciso que sejam dadas proteções as camadas mais vulneráveis da
sociedade, não só para ampliar o acesso desses grupos à energia, mas somente com
educação, capacitação profissional e criação de oportunidades é que poderemos erradicar a
pobreza e combater a gritante desigualdade existente nesse nosso país. (11/08/2022)
Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

Bartpapo 30-07-2022

CONVIDADOS

MARÇAL ARANHA – diretor técnico da Escola de Contas do TCE-AL

MARISTELA POSITANO – diretora do MOVPAZ em Alagoas

ALFREDO GAZZANEO – engenheiro e diretor do Serestas da Pitangunha

Ouvidor Geral 01-08-2022

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 01-08-2022 – Geraldo Câmara

A EDUCAÇÃO FUGIU

Em todos os sentidos e em todos os setores da vida humana a educação, fator básico para a formação da humanidade vem deixando de ser primordial e por isso, exatamente por isso, o nosso país está em profunda decadência, mostrando muito mais seu lado sujo do que as qualidades que deveria e poderia mostrar a si próprio e ao mundo. Foi-se o tempo em que a família era o baluarte, o porto seguro, a certeza dos princípios de respeito, de dignidade e de progresso cultural e existencial. Foi-se o tempo em que a escola era considerada complementar na educação familiar entrando com o lado cultural mas mantendo os princípios adquiridos nos ambientes caseiros. Foi-se o tempo em que os professores eram respeitados e dignificados pela significância das suas missões e que os seus alunos eram levados a absorver não só os ensinos curriculares mas, e sobretudo, o estímulo aos seus desejos profissionais futuros colhidos nas sementes lançadas ainda na chamada escola primária. Foi-se o tempo em que o hino nacional era cantado pelas crianças antes de adentrarem suas salas de aula e que a bandeira nacional era erguida e reverenciada. E, ademais, foi-se o tempo em que as autoridades, então formadas em magníficas bancas ainda lutavam por manter no país o mínimo exigível para educação dos filhos pátrios e ainda acreditavam que pudessem fazer política e administração do país com base na educação de seus futuros gestores. Que pena! Foi-se o tempo e a educação nos escapou pelos dedos.

DESTACÔMETRO

O destaque vai para Maristela Positano, engajada juntamente com o marido, André Carnaúba em movimentos de paz, há muitos anos, lança agora uma oportuna campanha “Vote em Paz”. Diante de toda a intolerância que estamos vendo nada mais justo do que pedir paz e compreensão.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Ainda em atenção à campanha “Vote em Paz” é preciso observar que o que leva o povo a pedir por isto é exatamente o radicalismo de alguns grupos que insistem em fazer das eleições motivo para batalhas campais e não para demonstrações democráticas.

Eleições são um ato cívico necessário a todo o país que exerce a democracia e que precisam ser entendidas como tal e não como motivo para que idolatrias por este ou aquele candidato sirvam de mote para a violência. Seja ela verbal ou física.

A Equatorial alerta: Manter as instalações elétricas de casa bem conservadas é uma questão de segurança e de economia. E quando essas instalações possuem mais de cinco anos, a atenção deve ser ainda mais redobrada pelos responsáveis e donos de imóveis.

Momento de chamar um profissional capacitado para realizar uma boa revisão evitando, assim, o risco de acidentes graves além do desperdício de energia proveniente da fuga de eletricidade. Não são poucos os incêndios domésticos que começam por uma má instalação.


Você deve conhecer alguém ou já ouviu falar no transtorno do “déficit” de atenção com hiperatividade (TDAH). É que, segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), há no Brasil cerca de 2 milhões de indivíduos com TDAH.

Preocupado não só com quem tem o TDAH, mas com os estudantes que tenham transtornos os mais diversos com dificuldades acentuadas de aprendizagem, o vereador Alan Balbino criou um projeto de lei que visa oferecer apoio pedagógico para os alunos. Muito bom!

O Senai deu as boas-vindas aos alunos dos cursos técnicos nesse dia 25, com pipoca quentinha e uma recepção digna de cinema. Assim foi o início do segundo semestre de 2022 nas unidades do Poço e do Benedito Bentes para os novatos e “veteranos” que retornaram do recesso.

Buscando estreitar laços entre as instituições, o Presidente do Tribunal de Contas de Alagoas, conselheiro Otávio Lessa, recebeu a visita institucional da nova superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegada Juliana de Sá, primeira mulher a ocupar o cargo.

Marçal Aranha (foto) é o novo diretor técnico da Escola de Contas do Tribunal de Contas de Alagoas e está inteiramente integrado visando as obras da fisicamente nova escola e grandes eventos que vêm por aí a exemplo do XIII EDUCONTAS, em setembro.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os nossos abraços impressos vão para o engenheiro e arquiteto, Alfredo Gazzaneo, misto de diretor da Serestas da Pitanguinha cujo fim foi marcado pela falta de interesse dos dirigentes de cultura desta cidade ou deste estado. A Serestas deveria ser, sem dúvida, um bem imaterial de Alagoas e como tal deve ser visto e poupado.

coluna BARTPAPO

Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara -Tribuna Independente–2907-2022

PRAZO DE VALIDADE

Pois é! Os alimentos, os remédios, muita coisa hoje em dia tem prazo de validade e como tal esses prazos precisam ser respeitados. Use ou jogue fora quando vencer, jamais dê a alguém, porque pode ao invés de proporcionar saúde, levar a pessoa a doenças e até ao óbito. Mas, os idosos de nosso país têm sido tratados em grande maioria como se tivessem prazo de validade e quando chegam a uma determinada idade querem jogar fora tudo o que eles amealharam em sabedoria, em conhecimento, em vida. Se o idoso pertencer a uma categoria mais privilegiada, ainda merece um pouco mais de consideração, mas se ele for uma pessoa comum, do povo será até a morte “aquele velho”, isto se não acrescentar o caduco na observação.

Este introito foi para, com conhecimento de causa e perdoem a modéstia, referir-me a mim mesmo como um idoso que se recusa a comparar idade com atividade, com produtividade, com valorização de cada minuto que vivo, de cada coisa que faço, que ainda posso fazer correspondendo à vida que Deus me deu e que se me permite estar por aqui não quer que eu seja um ser inanimado, mas proporcionalmente produtivo. Nunca parei de trabalhar e nos meus 84 anos continuo com cargos de responsabilidade, fazendo ainda meus programas de televisão e o farei até o dia em que não seja ridículo ou improdutivo. As pessoas me perguntam onde está o segredo da minha força de vida e eu respondo instantaneamente que está no fato de que não deixo meus neurônios pararem de funcionar. A atividade cerebral, sempre presente, escrevendo como agora, decidindo coisas importantes, tudo isso é vida. E é vida que não se pode permitir que acabe por cronologia. Aposentadoria deve ser simplesmente uma necessidade, ujm direito, uma segurança,mas nunca uma maneira de se livrar do trabalho e da atividade de um modo geral.

No entanto, sabemos que nem todos são iguais e nem todos seguem a cartilha acima exposta. Nem todos pegam o seu próprio carro depois de certa idade e saem por estradas sem medo e sem preocupações. Nem todos. Mas muitos querem o sossego, a paz, a meditação. Respeite-se, mas defenderei sempre a tese de que, a não ser por doença, invalidez, produzir, produzir sempre é e será o eterno remédio do idoso. Que aliás, até simplesmente pensando pode estar produzindo.

Tudo isso não invalida as conquistas do idoso em relação aos seus direitos civis e, se ele está colocado entre os abandonados sociais que sejam revistas suas condições através das políticas públicas quase inexistentes para esta faixa de vida. Que sejam estimulados os programas do tipo “Destinação”, hoje bastante incrementado para a criança e para o adolescente, ótimo, mas definhado em relação aos idosos. Para se ter uma ideia, fundo do idoso no estado de Alagoas, até agora só foi criado por um município que é Maceió. O resto, não está nem aí para o fato de que as pessoas que têm imposto de renda a pagar ou a receber podem destinar parte deste imposto para os Fundos da Criança e também para os fundos dos idosos, se existirem, é claro!

Vamos mudar a palavra: Nem idoso, nem velho, nem gagá, nem caduco. Vamos mudar para o “experiente”. Seja em que área for, o “experiente” sempre acumula sabedoria, uns mais outros menos, mas sempre terão alguma coisa a dar. Seria bom que os jovens buscassem isto nos papos com os mais velhos. Em conversas sobre quaisquer assuntos, buscando no “experiente”, ainda que poucas, mas alternativas de vida colhidas ao longo de anos. Com frutos de qualquer espécie, porque com graduação ou sem graduação a melhor faculdade que existe é a da vida. E que sempre pode estar paralela a qualquer acadêmica.

Experimente. Uma dose de “experiente” de vez em quando, sem receita médica. Mas com um belo incremento a sua saúde mental. E você vai ver que ainda tem prazo de validade.

FOTONOTAS

JOSEALDO TONHOLO – Tire as regras fantasiosas que envolvem o nome e o cargo de reitor e joguem fora porque Josealdo Tonholo, reitor da UFAL assim o fez. Pessoa simples, fantástica de se lidar independente de sua enorme competência, fator que o fez chegar onde chegou. Dono de uma enorme perspicácia e poder de análise situa-se no mundo acadêmico da mesma forma que no mundo exterior transitando com tudo e com todos com a maior facilidade. Tonholo é uma pessoa com quem nós gostamos de lidar e de estar. Apesar de todas as dificuldades que cercam as universidades públicas brasileiras e a UFAL é uma delas, o jogo de cintura de Josealdo Tonholo vai fazendo a vez e atingindo metas.

SÍLVIO CAMELO – Faz tempo, muito tempo desde que conheço e admiro Silvio. Gente boa, de família excelente, religiosa e de boa índole, Silvio foi educado em meio político, mas levado desde cedo a praticar a política saudável que veio de seu pai, Arnaldo. E assim o fez. Nos tempos de TV Mar, já fazia um programa com todas as características do bem que o acompanha. Como político, vereador e agora deputado estadual a dignidade sempre fez parte de seus atos e atitudes condizentes com a moral que adotou para estar ao seu lado durante o desempenho de seus mandatos. Nunca vi e nunca soube que a vaidade exacerbasse em Sílvio Camelo. Pelo contrário, sua humildade no trato com as pessoas o fez digno dos cargos que ocupa. Um abraço, amigo!

PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)

A família é como um edifício. Se bem projetada e com alicerces firmes jamais cairá.

ALERTAS DO DIA

* Alerta, meus amigos para o bando de gente ruim que está por aí a dar golpes de todos os tipos e em todas as pessoas, principalmente nos idosos. Esses então, sofrem com os empréstimos feitos em seu nome, principalmente os que estão em condições de desconto em folha. De golpe este país está cheio e desde muitos tempos atrás. Lembro-me de um golpista americano chamado Peter Kelleman que deu uma de mestre no Brasil a que se denominou de “filipetas” ou algo parecido. O cidadão roubou milhões e quando estava para ser preso fugiu para a Venezuela e de lá escreveu um livro chamado “Brasil para Principiantes” contando tudo. Sucesso, “best seller”. Todo cuidado é pouco.

POR AÍ AFORA

# Oh que saudades que eu tenho daquela Buenos Ayres querida que os tempos não trazem mais! Uma cidade elegante digna de ser comparada – e o era – às melhores capitais europeias. Suas mulheres elegantíssimas desfilando o melhor da moda em encontros perfeitos nos cafés da cidade. A presença do tango, do eterno tango em casas especializadas e até nas ruas da bucólica Santelmo. E, no verão, as pessoas buscando frescor nos verdejantes gramados de Palermo. Hoje, uma outra Buenos Ayres, mais triste, mais sofrida, vítima de governos desgovernados deixa de lado todo o seu charme e se confunde com outros centros em penalizada decadência.

#Os ministros de energia da União Europeia, reunidos em Bruxelas, concordaram em reduzir seu consumo de gás de maneira coordenada e, assim, voar em auxílio da Alemanha, após uma nova queda drástica nas entregas russas.Não foi uma missão impossível! Os ministros chegaram a um acordo político sobre a redução da demanda de gás em antecipação ao próximo inverno, anunciou a Presidência checa da UE em sua conta no Twitter. O plano, proposto na semana passada pela Comissão, foi radicalmente revisto, mas os seus princípios fundamentais foram preservados.

# Em Portugal, novos imigrantes em 2022 já ultrapassam os de 2021. Um terço são brasileiros que têm emprego, mas falta a habitação. A maior comunidade estrangeira é a brasileira. Já ultrapassam os 250 mil com os que se legalizaram este ano e rapidamente poderão chegar aos 300 mil. Têm trabalho, mas a grande dificuldade é ter onde viver com os baixos salários que recebem. Uma realidade que dizem os penalizar mais são os aluguéis elevadas, seis a sete meses de caução, exigência de fiador. Então para que sair do Brasil se “terrinha” está pior do que aqui? Coisa Besta!

ATÉ A PRÓXIMA

Amanhã, sábado é dia de “BARTPAPO com Geraldo Câmara”. Na BAND, canal 38.1 aberto e NET, canais 18 e 518, BRISANETE, canal 14, VIVO, canal 519, das 9 às 10h da manhã. Assista também pelo Youtube no canal “Programas do Geraldo Câmara”. Fale conosco pelo geraldocamara@gmail.com ou pelo Whats’App 82 99977-4399

INEFICIÊNCIA ELÉTRICA

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

“A máquina tecnologicamente mais eficiente que um homem jamais inventou é o livro.”

(Northorp Frye)

Atravessamos mais uma crise de energia elétrica que custou ao país cerca de R$ 100
bilhões, se considerarmos o que os consumidores pagaram na conta bandeiras e que ainda
vão pagar do empréstimo bancário até 2026, que já está sendo rateado e embutido nas
tarifas. Uma das soluções que sempre é apontada nesse momento é a eficiência energética,
mas ela não é uma solução de curto prazo, portanto, não adequada a situações de crise.
No planejamento da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), em 2030 deveremos ter
5% do consumo energético do país reduzidos com ações de eficiência energética, sendo
que 4% é a participação do consumo de eletricidade. Dessa participação da energia elétrica
na eficiência energética do Brasil, temos 73% nos setores industrial e de serviços, um
consumo calculado em 32 TWh até o horizonte citado. A eficiência energética reduz a
capacidade de oferta, posterga investimentos, reduz o custo para o consumidor e assim,
fazendo mais com menos, também apresenta ganhos para o meio ambiente, no caso a
redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Dados da Agência Internacional de Energia (AIE), desde 2015 as melhorias globais
em eficiência energética diminuíram, se considerarmos as medidas pela intensidade de
energia primária. Num nível extra de estresse para essa redução certamente tem também
uma parcela de culpa na crise causada pela Covid-19. A previsão da AIE é que, quando
forem confirmados os resultados de 2020, a intensidade energética tenha uma melhoria de
apenas 0,8%, ou seja, cerca da metade alcançada em 2019 (1,6%) e 2018 (1,5%). Esses
percentuais estão bem abaixo do que será necessário para as metas globais de clima e
sustentabilidade. Segundo o Cenário de Desenvolvimento Sustentável da AIE, esses são
números preocupantes, já que nos próximos 20 anos a eficiência energética deve
proporcionar mais de 40% da redução nas emissões de GEE relacionados à energia
primária.
O Brasil é um dos países em desenvolvimento mais atrasados no tema porque apesar
de termos consciência de todas essas vantagens da eficiência energética, a grande questão
é como chegar lá. Observando outros países com economias emergentes, como a China e a
Índia, vemos que estão investindo pesadamente na eficiência energética nas últimas
décadas. O Brasil ficou praticamente estável nesse período, porque não houve uma
trajetória de redução da intensidade energética, mesmo com os programas oficiais e a
modernização tecnológica. Foram criados o PROCEL (Programa Nacional de
Conservação de Energia Elétrica) e o CONPET (Programa Nacional da Racionalização do
Uso dos Derivados de Petróleo e do Gás Natural), sendo que o primeiro ficou
administrado pela Eletrobras e o outro pela Petrobras. Foram até criados selos de
qualidade para que os consumidores tivessem êxito na escolha dos eletrodomésticos mais
eficientes que pretendem adquirir.
A questão é que o PROCEL, fundado em 1985, já investiu em torno de R$ 3,89
bilhões, com recursos próprios da Eletrobras, da Reserva Global de Reversão (RGR), de
investimentos de fundos internacionais e, a partir de 2016, de recursos provenientes da Lei
nº 13.280. Foram mais utilizados em projetos industriais, sempre relacionados com o
custo/benefício, e nesses 36 anos foram economizados 217,9 bilhões de kWh. Em 2021, a

economia foi de 22,73 bilhões de kWh, ou seja, o equivalente a 4,54% do consumo total
de energia elétrica no Brasil, o que daria para suprir anualmente 11 milhões de residências.
Já o CONPET, sua aplicação praticamente ficou restrita às instalações da Petrobras
e os resultados alcançados foram absorvidos pela produtividade de própria estatal. Em
eficiência energética, pelo lado da energia elétrica, existe também o PEE (Programa de
Eficiência Energética) da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), projetos que
são executados pelas distribuidoras de energia elétrica e custeados pelos consumidores,
que pagam nas contas de luz 0,25% do valor total da energia consumida para essa
finalidade.
Coordenado pelo Inmetro, foi criado o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE),
com o objetivo de fornecer aos consumidores informações sobre o desempenho de
produtos, praticamente os da linha branca, levando em conta atributos como o consumo de
energia, ruídos e outros critérios que podem influenciar o consumidor para uma compra
um pouco mais cara, porém mais eficiente na vida útil do equipamento. Um desses
equipamentos foi a geladeira e que agora está sendo reformulado, eletrodoméstico que é
utilizado por mais de 98% da população brasileira, mas que as tecnologias utilizadas na
sua fabricação datam dos anos 1980-1990. Um levantamento feito pelo Instituto Escolhas
mostra que 130 TWh de energia elétrica poderiam ser economizados na próxima década,
somente com a adoção de tecnologias mais eficientes e que custaria para as indústrias um
investimento de R$ 300 milhões para a mudança na linha de produção. A economia para
cada consumidor seria de R$ 360,00/ano, um número que parece pequeno, mas que se
agiganta quando é extensivo ao uso de 98% das residências brasileiras. Investimentos
poderiam ser feitos em novos equipamentos, edifícios e em veículos com baixa eficiência
energética.
Mas é preciso informação ao consumidor, com os ganhos que ele vai ter pelo uso.
Certamente que ele, ao ver tantos gastos desnecessários, não vai deixar de usar o chuveiro
na hora da ponta do sistema simplesmente para ajudar o país. Esse seria um nível altíssimo
de educação, o que não é o nosso caso. O trabalhador brasileiro sai de casa às 5 da manhã
para trabalhar, gasta umas 4 horas para ir e voltar amassado em um transporte coletivo e
tudo que quer fazer quando chegar em casa é tomar um banho quente, se a temperatura
estiver baixa, um exemplo que se aplica melhor no Sul/Sudeste do país. Não é uma
questão de conforto e sim de saúde, e ele não vai se sensibilizar em esperar para tomar o
seu banho depois das 21:00h para ajudar na eficiência energética do país.
A ANEEL até que desenvolveu e implantou a tarifa branca para os consumidores
de baixa tensão, mas não vingou, talvez por falta de uma melhor informação sobre seus
ganhos. A exemplo das tarifas verde e azul, que são utilizadas para os consumidores de
alta tensão, a tarifa branca também é uma modalidade cujo preço varia de acordo com o
horário de consumo. Por outro lado, o conceito de eficiência energética, que tem como
base o produzir mais, tanto social como economicamente falando, com menos quilowatts-
hora consumidos, ainda não está devidamente entendido pela maioria daqueles que a
utilizam. Quando se usa o gás natural, e até mesmo o diesel, em motores nas três horas da
ponta do sistema (17:30h às 20:30h), em substituição a energia elétrica que é mais cara
nesse período, não está sendo feita eficiência energética e sim eficiência financeira,
postura que tende a desaparecer com a adoção do mercado livre, da geração distribuída e
da modernização do sistema elétrico brasileiro. Outra generalização que está sendo feita é

argumentar que substituir combustíveis fósseis por eólicas e solares é fazer eficiência
energética, o que nem sempre é verdade, pois essa eficiência só se dá sempre pelo conceito
ambiental.