Juliano assumiu o cargo de superintendente da PRF em Alagoas. Policial rodoviário está no órgão desde 2003, onde já exerceu as funções de assessor jurídico, corregedor substituto, além de membro e presidente da comissão de leilão.
A VEZ DO SIM
Digamos que sim.
Façamos do sim um corriqueiro sim.
E de sim em sim
Tentemos viver assim
Abolindo o não do coração.
E, por que não?
Será tão difícil dizer sim
Ou mais tranquilo e cômodo
Dizer não?
Pense.
E diga a você mesmo:
Meu Deus, como é bom o sim
Que vem a mim!
E por que então dizer não
Ao meu próprio sim?
A partir de então
Farei do sim um oposto
E guerrilheiro ao não!
* Poesia escrita em 1977
O Brasil não merece
Estamos vivendo dias de expectativa para sabermos se a chapa Dilma/Temer será detonada pelo Tribunal Superior Eleitoral e se o presidente Temer cai ou permanece no poder até as eleições de 2018. Na verdade, somos contra qualquer tipo de corrupção e se o presidente tiver que sair que saia. No entanto, precisamos pensar também num Brasil Econômico que vem segurando a inflação, baixando os juros, dando sinais de recuperação da produção e vislumbrando um aumento de emprego com carteira assinada, graças à excelente intervenção do Ministro Henrique Meirelles, sem dúvida e incontestavelmente competente. Mas a grande pergunta é o que acontecerá com uma suposta queda do atual presidente e a que tipo de crise institucional vamos ficar expostos até que tudo volte ao “normal”. Quem será seu substituto? Rodrigo Maia, pela Constituição, governará por 30 dias convocando eleições indiretas a serem realizadas pelo Congresso Nacional e para o mandato correspondente ao que resta do atual. E quem virá? Outra questão terrível, uma vez que o descrédito assola o nosso legislativo, logo ele que será responsável por eleger o novo presidente. E aí fica a pergunta: pior do que está, ficará? Ou é melhor deixar como está para ver como é que fica? Na verdade, o Brasil está mesmo é num beco com poucas possibilidades de saída, no momento. E ninguém merece!
Quanta maldade!
Conheço e acompanho a trajetória de Otávio Lessa, Conselheiro do Tribunal de Contas, há exatos 20 anos, quando aqui cheguei. Um homem dinâmico, probo, com idéias avançadas e com uma enorme vontade de acertar no meio de tanta podridão que por aí existe. Foi assim que, foi eleito para presidir o Tribunal de Contas de Alagoas pelo mandato de dois anos com a possibilidade de renovação para mais dois, o que não aconteceu, porque, a exemplo das traições palacianas medievais, por lá também aconteceram xicos e fuxicos e os atuais dois anos estão sendo exercidos por Otávio como Diretor da Escola de Contas daquele Tribunal. Uma idéia sua, criação sua e sua menina dos olhos. E aí, os ataques a quem revolucionou a administração no TCE têm sido constantes. Uma administração que moralizou o trabalho dos funcionários, que desengavetou milhares de projetos, que modernizou a informática que restaurou o prédio sede e que, modéstia à parte, fez da comunicação um de seus baluartes, tirando das cinzas o projeto da TV Cidadã, em convênio com a TV Senado e a tornou realidade em emissão aberta. Tudo isto e muito mais transformou Otávio num perigo a ser atacado. Ele era bom demais para ser mantido como verdade. Então, pau nele. Mas o reconhecimento vem de muitos lugares do Brasil e ainda, semana passada, Otávio foi condecorado com “a escultura símbolo do TCE do Rio Grande do Sul como reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Sistema de Fiscalização dos Gastos Públicos, ao serviço público e à promoção das relações institucionais”. Teríamos muito a dizer mas apenas constatamos que o reconhecimento vem de fora bem antes de acontecer, por onde deveria, pelo estado de Alagoas.
PREITO ANTIGO
Sempre tive por ela um imenso carinho.
Com ela eu conversava absolutamente sozinho,
Apenas eu falava.
Ela ouvia e registrava tudo o que eu dizia
Palavra por palavra e ainda que heresia,
Somente me escutava.
As descidas e subidas do meu temperamento
Eu exorcizava nela, a qualquer momento,
Sem um pio de reclamação.
Fosse padre, e, sem dúvida, seria um confessor
Que absorvia tudo com profundo amor
E me dava a absolvição.
Por toda uma vida ela aguentou a minha extravasão.
A minha ânsia de criar, de ser uma exceção.
E resistiu sem muita dor.
Hoje. largada a um canto, simplesmente abandonada,
Minha máquina de escrever foi traída e ultrajada
Pelo meu computador.
* Poesia escrita em fevereiro de 1999