Recomeçam as mortes por encomenda?

Quem não ficou com a pulga atrás da orelha quando soube que o delegado encarregado do inquérito sobre a morte do Ministro Teori Zavaski foi brutalmente assassinado há dois dias atrás? Um já morto, outro delegado em estado grave no hospital. É muita coincidência que fosse exatamente ele quem investigava o avião, o vôo, o acidente – será que foi acidente? – numa hora em que o cerco se aperta em todas as direções e que, sem dúvida, Teori faz falta e estava num caminho fantástico como relator da Lava Jato. Não que o seu substituto não esteja também, mas é até bom que ele coloque suas barbas de molho, porque o número de acusados nas operações em questão atingem pessoas do mais alto nível de corrupção e que, com raras exceções, não têm escrúpulo e nem medo de mandar matar. Mandar, porque a covardia de cada um não permite apertar gatilhos. Fica mais fácil pagar aos matadores de plantão. O fato é que, bom será tentar descobrir o que houve com o avião do Teori e o que houve com o delegado que apurava o caso. Porque fica a pergunta do título: Recomeçam as mortes por encomenda?

MACEIÓ TEM 79 ÁREAS DE RISCO. E DAÍ?

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Coisas que não se entende. Todo mundo sabe e há muitos anos que em Maceió existem cerca de setenta e nove áreas de risco. As chuvas chegam e é aquele desastre que sabemos, que vivemos e que deixa tanta gente desabrigada. No entanto, fica a pergunta: se elas comprovadamente existem porque não se faz um planejamento preventivo para que elas deixem de ser de risco gradativamente? Por que não se faz um trabalho de infra-estrutura e social que impeçam os acidentes com vítimas fatais, que diminuam também, ainda que de maneira gradual o perigo e o números dessas áreas de risco. Até parece que querem que as calamidades aconteçam para que sejam necessários os famosos decretos de emergência que beneficiam os municípios com uma série de vantagens, inclusive a de comprar sem licitação pelo período de validade do decreto. O que eu queria realmente ver era um plano antecipado para combater as causas, já por demais conhecidas e diminuir as calamitosas consequências. Vamos esperar por mais equilíbrio no trato da vida humana.

A hora e a vez do parlamentarismo?

parlamentarismo-ou-presidencialismo-qual-o-melhorTalvez interesse a pouca gente. À gente que não conhece as vantagens do parlamentarismo sobre o presidencialismo, principalmente em momentos de crise como o que vivemos.  O presidente é eleito pelo Legislativo mas é apenas o chefe de estado, representando o país, dignificando o cargo. Este mesmo presidente, de acordo com o Legislativo nomeia um Primeiro-Ministro que passa a ser o chefe de governo e escolhe os ministros e auxiliares. A vantagem do sistema parlamentarista sobre o presidencialista é que o primeiro é mais flexível. Em caso de crise política, por exemplo, o primeiro-ministro pode ser trocado com rapidez e o parlamento pode ser destituído. No caso do presidencialismo, o presidente cumpre seu mandato até o fim, mesmo havendo crises políticas ou passa por um enorme processo de “impeachement” enquanto a crise se avoluma. É exatamente o que o Brasil passa no momento. No caso do parlamentarismo as crises são resolvidas com mais rapidez e, tanto executivo quanto legislativo fazem o possível para cumprirem as regras e não assistirem a quedas de gabinete ou a dissolução de parlamento. Os melhores governos de hoje estão submetidos ao processo parlamentarista, seja através de um presidente no topo, seja através de um monarca. Talvez seja chegada a hora da virada no Brasil que, aliás, teve um curto espaço parlamentarista na república, quando da ascensão de João Goulart ao poder que, obrigado pelas Forças Armadas, aceitou o novo regime que chegou a ter em 1 ano, três primeiros Ministros: Tancredo Neves, Hermes Lima e Brochado da Rocha.

QUEM MATOU A ESPERANÇA?

18581643_10203339472124580_8655527356120016113_nEspero sinceramente que ninguém a tenha morta. Espero que passe longe da cabeça dos brasileiros imaginar que a esperança – a última que morre – possa ser assassinada em nossos corações. Ela pode sofrer de males incríveis, pode ter quedas e até algumas passagens pelas UTIs da imaginação, mas morrer, nunca.

Os males que fazem sofrer a esperança estão aí para que todo mundo veja e sinta.

Eles são provocados por nós mesmos, seres humanos falíveis, alguns melhores, alguns piores e outros, muitos outros, ainda bem piores. São esses que estão aparecendo porque deles estão lhes tirando as manguinhas e as colocando de fora; esses são os principais responsáveis para que os nossos brasileiros decentes queiram pensar em perder a esperança. Mas, estaremos todos atentos, reagindo, gritando, impulsionando nossas almas para a certeza de que o Brasil será salvo por muitos compatriotas e patriotas que serão responsáveis pelo expurgo dos males que assolam o país, nos dão tristeza e muita vergonha nacional e internacional.

Perdi as contas. Não sei mais de quantos processos se faz uma Lava Jato. Não sei mais de quantas delações, de quantas prisões, de quantas algemas se faz o Brasil que estava oculto entre “triplex”, sítio, contas nacionais e internacionais, numeradas ou não. Não sei, sinceramente, de quantos acusados se escreve a terrível história que se conta hoje, nem de quantos delatores, que também são acusados, estiraram os dedos contra seus ex-parceiros de falcatruas e de ganhos fáceis. Ou nem tão fáceis assim, já que a corrupção é como as drogas viciando os que as conhecem e fazendo de cada um a vítima de si mesmo e o suicida do próprio caráter.

Triste, muito triste, ver um Jornal Nacional, respeitado como sempre foi, perder horas e horas, semanas inteiras, em relatos de delações que se constituem no maior escândalo da república, mas que tiraram dos telespectadores as outras notícias de um Brasil que pode crescer, de um Brasil ocupado por um povo criativo que também sabe ser honesto e construtivo.

Terrível sabermo-nos criticados ao redor do globo, criticados por gregos e troianos, vilipendiados porque uma corja de grandes executivos e políticos acharam por bem criar a própria república onde os mandos e desmandos os levavam a riquezas fabulosas nas barbas dos coitados que ainda vivem nas ruas, nas comunidades pobres, nas valas da miséria.

Mas, paradoxalmente, estamos alegres, contentes mesmo. Porque sabemos que ela, a esperança, vive e revive diariamente no espírito do povo brasileiro. Um povo corajoso que sempre soube surgir das cinzas, espalhar o lixo, separar o joio do trigo e lutar por um país melhor. Assim foi, assim será.

Com a ajuda de Deus e com a força dos homens e mulheres de bem, o país levantará do falso “berço esplêndido” e sempre saberá que “o filho seu não foge à luta”. Honrando a esperança que não morre. Nunca.

(Publicado na Revista Folha da Barra)