Coluna BARTPAPO

Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara– Tribuna Independente -03-07-2020

 NÃO SERÃO TEMPOS PERDIDOS

               Se Deus quiser e Ele quer os tempos que vivemos não serão tempos perdidos como se diz por aí. Não serão meses e até mesmo o ano perdido no tempo e no espaço porque estamos isolados ou porque não nos vemos e nem nos apertamos às mãos ou ainda porque não estamos produzindo como antes, porque, porque, porque…

               Os tempos que vivemos estão sendo construídos debaixo de uma pandemia que nos leva parentes, que nos priva de amigos, que nos deixa longe do trabalho, que nos dá a sensação de perda, mas com tudo isto, nos parece que estamos muito enganados. E o engano está sem dúvida alguma na maneira como podemos encarar o mal e, com ele, preparar o bem para o futuro que está ali, bem mais próximo do que possamos imaginar.

              Concordamos que o mundo não será mais o mesmo e até poderá ser melhor porque estamos resgatando sentimentos que talvez estivessem encostados em qualquer esquina de qualquer lugar. Estamos vendo a solidariedade aumentar, o amor entre as pessoas ressurgir, o desejar o bem a uns e a outros inflamarem a todos, talvez até pelo medo do que nos possa advir, mas clara como nunca a consciência de que somos iguais, que iremos todos para o mesmo lugar e sem levar o que talvez nos tenha trazido a essa enorme desigualdade, a esse espírito de poder mais e poder menos.

             Não! Não serão tempos perdidos! Já estão sendo resgatados valores morais e valores profissionais que serão de imensa valia, isto sim para os tempos que virão. O trabalho será diferente; as diversões serão diferentes; o joio começará a se distinguir do trigo porque o trigo já está crescendo e o joio sendo olhado de outra maneira. Os que se aproveitam como hoje ainda da desgraça alheia para se locupletarem, sobretudo financeiramente serão os joios do amanhã. A briga do povo não terá só os aspectos políticos, mas, sobretudo os valores morais.

            Ainda não saímos da situação em que a pandemia está nos colocando. Na verdade ainda não saímos da pandemia. Os teimosos que ainda não acreditam começam a ver que pior do que o avanço apressado é o retrocesso indesejado. E será desses erros e de muitos acertos que estaremos construindo esse amanhã. Um amanhã de esperanças, sim. Um amanhã que pode ser muito melhor do que o nosso recente ontem. E para que tudo isso venha ser a verdade que tanto queremos tenhamos a consciência do hoje em cada minuto do dia. Só assim os tempos não serão perdidos.

ALERTAS DO DIA

  • Alguém por aqui seria candidato a Ministro da Educação podendo ocupar o cargo, quem sabe, por um período nunca maior a sete dias? Está virando piada internacional essa questão dos ministros, exatamente da educação. Vai ser difícil escolher o próximo.
  • Maceió vai entrar na fase laranja de desaquecimento da quarentena exatamente hoje. Gente, afrouxamento não quer dizer liberdade total. Em vários lugares até agora não deu certo. E se precisar o governo volta a apertar. Portanto, alerta!

PARE PRA PENSAR – (do meu livro do mesmo nome)

Não guarde para si o que aprendeu hoje. Faça o amanhã de muitos outros.

E não há falta de decoro presidencial?

faixa presidencial

É engraçado como este país está controverso, cheio de falhas de interpretações e outras coisas mais. Por toma lá dá cá um deputado é exposto à investigação por falta de decoro parlamentar e isso acontece porque o parlamento não é lugar para besteiróis e, por conseguinte, a medida é correta. Há que se manter a dignidade do cargo e da casa.

Já no âmbito do Planalto, da casa do presidente, da rua do presidente, porque ele acaba achando que tudo é dele, ninguém se importa com o que ele fala ou diz acabando por espalhar falta de decoro por todos os cantos do país.

A última foi a piada idiota que fez diante das câmeras dizendo que a direita toma “cloroquina” e a esquerda toma “tubaína”. Ora, meus amigos, isto é papel de um presidente da república? Essas e outras piadinhas de mau gosto não se constituirão em uma tremenda falta de decoro? Além de criar rachaduras ainda mais inconseqüentes no seio da população porque acirra os ânimos, as discussões e até essa questão da cloroquina que precisa ser discutida por médicos e cientistas, mas não por leigos, ainda que dentre eles esteja o presidente da república.

Enquanto isso estamos perdendo a batalha contra o vírus, mas acreditando ainda que Deus nos ajudará a vencer outras batalhas e no final a guerra. Ainda que tenhamos gente que deveria ser séria, mas que prefere brincar com assunto para lá de sério.

Coluna BARTPAPO (Tribuna Independente) 24-01-2020

NEM SEMPRE O POVO DEVE PAGAR
Aumento de passagens, uma novela que todo o ano se repete e que deve afligir tanto a população quanto o dono da caneta que se vê acossado para conceder o aumento. No momento a discussão é grande e o prefeito colocou pé firme dizendo que não concede, uma vez que as empresas estão em débito com a sociedade por não terem feito o dever de casa apresentando transportes à altura. Certo ele.
Vejam, por exemplo, o caso da Veleiro, uma lastimável empresa de ônibus, absolutamente irresponsável e que apresenta o que há de pior em manutenção provocando acidentes dos mais tolos aos mais graves, com assentos estragados e soltos, pisos enferrujados e outras coisas mais, tudo detectado pelas vistorias feitas pelas instituição responsável. No entanto o TCE-AL através de seu conselheiro Rodrigo Cavalcante detectou que a prefeitura não repassava o subsídio previsto por lei, o que impedia a empresa de fazer frente à manutenção.
Em vários outros casos também, o prefeito deveria colocar o dedo até no seu próprio nariz quando existem ruas enlameadas, repletas de buracos, com água jorrando sem possibilidade de saneamento e, portanto não prestando o serviço que devia. E, quando digo no próprio nariz é porque deveria haver um sistema compensatório, talvez através do IPTU, uma espécie de multa ao avesso em que a prefeitura fosse a multada e não o contribuinte. Se um carro quebra porque cai em um bueiro, de quem é a culpa? Do motorista? Ou do descaso com que o povo é tratado?
Os leitores podem estar dizendo que soluções existem através de meios judiciais e que são cabíveis para fazer frente aos prejuízos, no entanto essa mesma justiça é lenta e cara. O que eu acho é que automaticamente deveria haver um sistema de reciprocidade. Se o cidadão é penalizado por ter cometido uma infração, porque não se pode encontrar um sistema de “mea culpa” que penalize também os responsáveis pelas dores de cabeça de toda uma população? Automaticamente, insisto. Porque nossas multas são automaticamente registradas e sempre chegam aos nossos domicílios e aos nossos bolsos.
É possível que com um sistema desses, utópico por enquanto, os gestores tenham mais responsabilidade para conduzirem os destinos de cidades e estados visando a boa convivência com o povo que os elege.

ALERTAS DO DIA

• Vamos fazer justiça com o que se pode e se deve. A atitude do governo federal em criar o Conselho da Amazônia e por conseqüência a Força Ambiental é acertada e absolutamente providencial no momento em que o mundo discute os problemas da própria Amazônia.
• O caso da cervejaria que teve seus produtos contaminados e agora em estudos para determinação da causa tenho certeza de que não foi provocado pela empresa. Ou sabotagem ou acidente. Esperem pra ver.
• Perda de tempo e de dinheiro o processo de “impeachment” contra o presidente Trump. Quando passou na Câmara já se sabia que não passaria no Senado a não ser que houvesse uma enorme traição em massa. Portanto…

PARE PRA PENSAR

Desistir sem esforço é a pior atitude. Insistir com os pés no chão é saber chegar lá.

…que a própria razão desconhece.

CACÁ 3

Parafraseando a famosa “O coração tem razões que a própria razão desconhece” ficamos de queixo caído ao sabermos que o grande administrador Carlos Antônio Gouveia – o Cacá – havia sido demitido da presidência do Detran-Al. É óbvio que a razão desconhece as razões que levaram o governador a demitir um servidor de alto nível que conseguiu nos últimos quatro anos mudar inteiramente a cara, o corpo e alma daquela repartição que sempre fora alvo das maiores críticas, de muitas e muitas irregularidades e que encontrou, primeiramente no desembargador Sapucaia e depois em Cacá a disposição de fazer valer personalidades de respeito, de competência e, sobretudo, decência. Num dos últimos atos que vivenciei com Cacá foi durante a confusão das “cinquentinha” e me chegou uma denúncia de que uma atendente estava recebendo mal os interessados no assunto. Falei com ele à noite e no dia seguinte ele tomava a providência de transferir os “cinquentinhas” para o salão nobre do Detran com direito à ar condicionado, água e cafezinho. Cacá é assim. Não deixa para amanhã o que pode fazer hoje. É rápido, inteligente no raciocínio e não se deixa levar por propostas que não se coadunem com a retidão do seu caráter. Não foi a toa que ele foi guindado a vice-presidente da Associação dos Detrans e que tão bem se houve no Conselho Estadual de Segurança. Mas, que venha outro com o mesmo caráter. O governador Renan filho deve ter seus motivos, quem sabe até uma nova missão para o nosso Cacá. Fica o registro para que não se deixe escapar na poeira dos palácios a memória viva de quem merece ser memorado. E feliz Natal, amigo!

A nossa fórmula da empregabilidade

Num país de grandes extensões territoriais como o Brasil e com uma demografia absolutamente variada dependendo da região, a empregabilidade torna-se cada vez mais difícil de ser administrada se os parâmetros atuais forem mantidos. Até porque nos mais de cinco mil municípios a grande maioria deles não tem atividade econômica suficiente para manter as famílias sem que haja a migração para centros maiores e mais produtivos. O que, sem dúvida alguma gera uma concentração que incha as cidades receptivas.

Quem assiste aos debates verifica que nenhum dos candidatos presidenciáveis apresenta fórmulas capazes de resolver o problema de desemprego, hoje chegando à casa dos 14 milhões, sem contar que existem pessoas totalmente inativas e que poderiam estar ativas contribuindo para uma mudança na economia do país.

Nossa fórmula assusta pela simplicidade porque busca no povo, de um modo geral, a produtividade que o Brasil precisa para mudar totalmente sua situação atual sem depender de investimentos externos ou de implantação de grandes indústrias que, diga-se de passagem, empregam muito pouco diante da necessidade da população brasileira. Vamos à ela.

Primeiro, o governo federal com a participação dos estados e dos municípios traçará um mapa vocacional de todo o país para que fiquem definidas as áreas mais factíveis de implantação. Após é criado um grande organismo nacional que será o responsável pelo estímulo, orientação, fiscalização e impulso do sistema cooperativista e associativista em todos os rincões do país proporcionando capacitação e qualificação para produção, aperfeiçoamento de produtos e serviços, além de em determinados casos toda a questão de distribuição e logística.

Este organismo a que nos referimos será assessorado pelos estados e municípios que estarão também envolvidos na maximização do projeto. Para que se tenha uma noção da grandiosidade e da rapidez de sua implantação o trabalho será feito com base no mapa vocacional que definirá para cada local que tipo ou tipos de negócios poderão ser desenvolvidos em coletividade. Com isso cria-se um imenso sistema que obviamente só poderia ser detalhado na elaboração de um também grande e objetivo plano de trabalho.

Na certeza de que todos os municípios do país poderão ser envolvidos e para os quais o projeto ganha um sonho, sem utopia, que é o da fixação das famílias aos seus lugares de origem.

Como observação final, independente de ser um plano nacional, o projeto pode também ser considerado para cada uma das administrações estaduais. Coragem e vontade política é o que falta.