EFEITO CORONA

Geoberto Espírito Santo – GES Consultoria, Engenharia e Serviços

                     Em eletricidade, efeito corona é o resultado do contato intenso e elevado de um campo elétrico com partículas de ar, umidade ou poeira, e que emite uma luz sempre que são ionizadas. É comum verificarmos esse efeito nas linhas de transmissão (LTs) e, a depender da polaridade do potencial elétrico, pode ser positivo ou negativo. É visualizado em LTs expostas a chuva e garoas, podendo progressivamente danificar seu isolamento e causar grandes prejuízos com o desligamento repentino. É também conhecido como Fogo de Santelmo, o santo padroeiro dos marinheiros, porque antigamente costumavam observar essas luzes nos mastros dos navios, já que as nuvens induziam cargas elétricas nos mesmos e isso era uma indicação de tempestade.

Mas o efeito agora é o do coronavírus, afetando diretamente a economia e o processo de globalização, e que não deixará ilesos os setores energéticos do Brasil e do mundo. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já prevê para este ano uma retração em torno de 1,5% no PIB mundial. Cairia de 2% para 1,4% nos EUA, perderia 1,4% na China e limitava em 0,6% o da Europa. No Brasil, os economistas apostam que, dos 2,2% projetados, deverá ficar em torno de zero. Os prejuízos no mundo já são enormes: US$ 113 bi no setor aéreo, US$ 7 bi na navegação, US$ 5 bi na indústria do cinema e de US$ 1 bi nos eventos. Para a OCDE, pode chegar a uma redução de 15% nos investimentos diretos, ou seja, um volume perto de US$ 1,4 trilhões que deixará de gerar riqueza.

Crescimento econômico está intimamente ligado ao comportamento da demanda de energia, que o diga o índice elasticidade consumo de energia/renda, impactando o planejamento, o investimento na energia a ser gerada, transportada, contratada por tarifas ou preços, voltando seus reflexos no bolso dos consumidores e no balanço das empresas. Nesse cenário, e sem acordo entre a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Rússia (produz barril de óleo a US$ 20) para cortar produção e equilibrar os preços, surgiu o “cisne negro”. A Arábia Saudita, que produz petróleo a US$ 10/barril, passou a vende-lo em torno de US$ 27, uma ameaça ao óleo e o gás natural do pré-sal, pois os custos da Petrobras estão entre 20 e 30 dólares o barril.

O efeito coronavírus na carga de eletricidade em vários países são de queda, já registrada pela consultoria Thymos Energia na comparação de março/2020 em relação a março/2019. Na França (-20,4%); na Itália (-12,3%); no PJM, maior mercado atacadista nos EUA (-9,4%); em Portugal (- 5,4%) e na Espanha (-3,9%). Apenas na Alemanha o registro é positivo em 0,5%. A China, onde parece que tudo começou, não é citada pela inexistência de dados oficiais de consumo de energia elétrica em tempo real. No caso do Brasil, a consultoria apontou resultados em 4 (quatro) cenários: a) Otimista (-1,6%); b) Moderado (- 4,4%); c); Pessimista (- 8,4%); d) Catastrófico (-14,3%). Vale salientar que estudos dessa mesma Consultoria, feitos antes do coronavírus, era de um crescimento entre 3% e 4% nesse ano.

Um dos indicadores que pode ser afetado diretamente, e que é de vital importância na modelagem de modernização do setor, é o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças), pois depende do ritmo do consumo, da meteorologia e do nível de carga que é estimado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Já vem registrando o patamar mínimo regulatório de R$ 39,68/MWh em dois submercados, tendendo a ficar assim nos próximos dois meses. No que se refere aos impactos do coronavírus no meio ambiente global, são positivos. Segundo estudos do Centro de Pesquisa de Energia e Ar Limpo (CREA), com sede nos EUA, fez com que a China emitisse 25% a menos de dióxido de carbono, quando nas últimas três semanas foram 150 milhões de toneladas métricas de CO2 a menos que no mesmo período no ano passado. Fazendo uma comparação, esse volume equivale a todo o CO2 que a cidade de Nova York emite por ano.

Naquela tese que temos de reduzir drasticamente as emissões de CO2 para salvar o planeta para as próximas gerações, por um lado registramos o avanço quase que exponencial das fontes renováveis em todos os países e, no outro, informações que as emissões de CO2 não baixaram, e até aumentaram, segundo o objetivo de quem dá a notícia. É claro que a frase acima dá uma bela tese a ser desenvolvida e muitos debates em função da visão de cada um em relação aos diferentes ângulos da questão energia x meio ambiente.

Em prisão domiciliar, com tempo para pensar no que se é, no que se tem e no que fazemos na vida, recorro aos livros de James Lovelock: A Vingança de Gaia (2006) e Gaia-Alerta Final (2009), para nessas linhas simplificar, e talvez até generalizar, uma conclusão. Vale salientar que Gaia é uma deusa da mitologia grega, um nome utilizado como metáfora para a Terra Viva. Lovelock é um pesquisador independente e ambientalista que nasceu em Letchworth Garden City, no Reino Unido, e hoje, com 100 anos de idade, vive em Cornualha, oeste da Inglaterra. Tem outros livros em inglês, que não foram traduzidos para o português, e mais de 200 artigos científicos publicados.

Lovelock sempre trabalhou com uma visão holística da vida e da evolução no planeta. Suas teses, no início, sempre foram muito criticadas, como a de que “organismos vivos modificam seu ambiente inorgânico de maneira favorável à sua sobrevivência, formando um sistema que funciona de maneira semelhante a um único organismo vivo”. O cientista argumenta que a Terra já viveu e conseguiu escapar de fenômenos extremos, como foi o caso das eras glaciais, e coloca sempre a pergunta de como a humanidade pode ajudar a regular os sistemas materiais da Terra.

Deixo para reflexão a questão de uma crise, tipo essa do coronavírus, como uma resposta da própria natureza das coisas na resolução de problemas que o homem não conseguiu resolver. Em resumo, a tese de Lovelock é que, cabe ao homem a sua autopreservação por meio de atitudes urgentes e com humildade diante da potente Gaia.

Ouvidor Geral 27-04-2020

E AGORA, JOSÉ?

Na realidade ninguém mais se entende desde que o Mandetta deixou o Ministério da Saúde. Acabaram praticamente as coletivas de imprensa e o novo ministro só faz dizer que está observando o andamento das coisas para ver que providências haverá de tomar. Em contrapartida, o Sr. Coron está sabendo o que faz e cumprindo sua missão devastadora fazendo crescer em todos os cantos do Brasil a sua presença indesejável e mortal. O ministro vai em frente andando pra trás, os outros ministros ficam fazendo papéis de bonecos para uma plateia que já está sem entender nada e o diretor do espetáculo dando seus passeios e soltando suas piadas maléficas pensando que está agradando a população. O que nos parece é que, no país, com exceção dos médicos e de todos os envolvidos em saúde, a irresponsabilidade está grassando inclusive no seio da população que teima em não cumprir as metas de isolamento, decididamente a melhor forma para evitar a contaminação. E como se não bastasse ainda existem as outras brigas palacianas com o presidente fazendo questão de afirmar e reafirmar que é o dono da caneta e do poder desafiando a tudo e a todos. Onde vamos parar, ninguém sabe. Só perguntando: E agora, José?

DESTACÔMETRO

VANESSA

O destaque vai para ela, Vanessa Câmara que aniversariou no último 20 e apagou velinhas em plena quarentena somente comigo e com nosso caçula, João Marcelo. Uma festa e tanto!

PÍLULAS DO OUVIDOR

No momento que escrevíamos esta coluna ouvíamos o agora ex-ministro Sérgio Moro em entrevista coletiva informando do seu pedido de demissão e abrindo o verbo contando inclusive suas conversas com o presidente Bolsonaro.

Acho que acabam de brincar com um cidadão sério, um ministro que deixou uma carreira de vinte e três anos na magistratura para atender a um apelo, até popular, aceitando ficar à frente do importante Ministério da Justiça.

Seu pedido de demissão na última sexta-feira me pareceu absolutamente coerente com os seus princípios, os de um homem que não aceita mudança de palavra com quem quer que seja. E, por isto, detectou e não negou essa falta de palavra do presidente.

O que vai acontecer agora, em plena pandemia que já é uma enorme crise? Claro que crise institucional está a caminho e a demissão de Sérgio Moro pode ser insufladora para que essa crise seja ainda maior.

A denúncia pelo próprio Moro de que o presidente queria um delegado da Polícia Federal mais perto dele e a possibilidade de que ele, presidente, pudesse com tranquilidade consultar delegado e superintendentes é imoral.

Vamos ver quem será e como será o novo ministro que possivelmente seja mais um militar. Não tenho nada contra, mas percebe-se que os militares estão todos no ambiente do Planalto.

O que se apreende da crise que derrubou o Ministro da Justiça é que os métodos apregoados em campanha presidencial em 2018 já começam a mudar e mostrar que estar no poder muda os mesmo métodos e pessoas. Vamos ver no que vai dar!

E aí, aguardei as cinco horas da tarde para ouvir o patético presidente do Brasil querendo mudar todo um processo, sair de bonzinho e acusar o probo, agora ex-ministro de desleal com ele e com o país

Pelo andar da carruagem acho que vem muito mais por aí. E se eu quisesse dar uma de pitonisa diria que a crise ministerial vai chegar pertinho do Paulo Guedes que vai bater de frente com o Braga Neto e por aí vai. Esperem!

MARIA HELENA

Maria Helena Russo Lessa (foto), presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Uma batalhadora pelas causas sociais e por onde passou – Soprobem e Cruz Vermelha – só plantou o bem. 

ABRAÇOS IMPRESSOS

ANA DAISY DOREA

Os abraços impressos vão para outra figura feminina de enorme destaque e grande competência por anda. Ana Dayse (foto) foi reitora da UFAL e desde o princípio da administração Rui é a Secretária de Educação de Maceió. Uma força!

 

 

Tem quem queira

Estou falando de voltar no tempo e no espaço e sentir um outro tipo de isolamento. Sentir-se só, sem democracia, sem palavra livre, censurado, oprimido, espremido, tendo que medir pensamentos, palavras e obras.

Estou falando de um tempo passado, já passado a limpo e que alguns teimam em fazer voltar. E não são nem os protagonistas e nem os herdeiros daquele tempo que o desejam, mas alguns que ainda não entenderam que o futuro só se constrói com uma democracia plena, com os direitos individuais preservados, com a constituição debaixo do braço fazendo-se valer em cada ato da sociedade.

Fico triste ao ver um presidente eleito majoritariamente pelo povo, com todas as armas democráticas na mão estimular a reedição de “atos” de força e escancaradamente se colocar em apoio a manifestações que por aí buscam caminhos.

Fico triste ao ver que com toda a pujança da lei, com todas as possibilidades que a Carta Magna de 1988 nos deu ainda vejamos cidadãos a pensar em alternativas fora dela.

Que pena! Não mais “que pena” posso dizer. Porque, apesar de saber que tem quem queira não é isso que desejo de volta ao meu país.