Ouvidor Geral 18-01-2021

“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 18-01-2021 – Geraldo Câmara

                                     UMA AMAZÔNIA SEM AR

                Meu Deus, que tristeza! Sabermos que por falta de oxigênio em plena Amazônia, considerada o pulmão do mundo as pessoas estão morrendo asfixiadas e sem que nada se possa fazer. Assisti a um depoimento de uma médica que chorando descrevia o quadro de como um médico perde o pulso, perde o domínio sobre os recursos da medicina e sem nada poder fazer assiste a deploráveis cenas de falecimento por absoluta falta de oxigênio. Não sei de quem foi a culpa e é até melhor não saber mas que coisa horrorosa foi esta que se permitiu acontecer? Por distração, por desleixo, por falta de planejamento? Não interessa o por que, mas como foi acontecer. E na hora que começou onde estava a famosa logística do governo federal ou alerta do estadual que em nada contribuíram com pressa para minorar os efeitos de tão grande drama? Não dá para acusar, não dá para defender. Só para lastimar profundamente que a vida humana seja tratada com tanto desprezo. É duro saber que se perdeu um ente querido por falta da mais simples forma de tratamento que é o oxigênio alimentando os pulmões doentes. Do jeito que foi parecia até que carrascos nazistas de longe comemoravam um outro tipo de holocausto. Deus que me perdoe! O que aconteceu pode até ter sido um acidente de percurso, mas para mim, foi uma grande e monstruosa displicência com os irmãos que se foram.

DESTACÔMETRO

                  O destaque vai para a médica, empresária e imortal Mirian Canuto, uma pessoa de fino e delicado trato, de competência e lucidez invulgares e que, como membro da Academia Alagoana de Letras também deu seu depoimento sobre os ex-ocupantes de sua cadeira.

PÍLULAS DO OUVIDOR

A vacina vem? A vacina demora? Quais são os seus efeitos? As perguntas correm o país do Oiapoque ao Chuí criando ansiedade natural, mas também perspectivas que são positivas e negativas. Quanto mais se ouve menos se entende.

Os homens da saúde, lá de cima, comandados pelo ministro-general divergem entre si e são incapazes de deixar com que a população saiba exatamente o que vai acontecer. Principalmente com a logística da vacina. O ponto fundamental.

Vejo, por exemplo, as pessoas se perguntando sobre os insumos que são as seringas e agulhas e o ministério dizendo que os estados podem pedir se precisarem. Como? Ainda não foi feito um levantamento disso? Depois dizem que sou crítico!

Tanto a população quanto as autoridades, principalmente as federais talvez ainda não tenham alertado para o fato de que a pandemia é uma guerra. Uma guerra perigosíssima e que, o “front” está em todo o país. Ou será que não sabem o que é o “front”?

Nada pode faltar em economia de guerra, mas parece que além da própria vacina que seria a bomba nuclear para acabar com o vírus, as armas adicionais e as estratégias de ataque estão em passo de paz. Paz demais para o meu gosto.

O que aconteceu na Amazônia e que foi alvo do meu artigo principal desta coluna é absolutamente inadmissível porque se trata de absoluta falta de planejamento, de consciência do perigo, de tudo o que não pode acontecer em campo de batalha.

Alagoas também se ofereceu para colocar pacientes menos graves da Covid 19, de Manaus, em instalações hospitalares daqui. Uma prova de que a solidariedade há que se estender entre população e governantes de maneira sábia.

Isto porque, independente do problema do oxigênio o vírus por lá se espalhou de maneira violenta numa segunda onda e não existem praticamente leitos disponíveis. Outros estados, como o Maranhão também se prontificaram.

“Aeronave trará da Índia 2 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 ao BrasilAeronave trará da Índia 2 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 ao Brasil”. Será que trouxe? Sexta-feira a India colocou em dúvida! Tomara que tenha trazido.

Sem dúvida devemos saudar os que chegam como é o caso do Desembargador Klever Loureiro, agora presidente do TJ. Mas peço permissão para saudar quem sai por ter ocupado tão nobre cargo com a dignidade que lhe é peculiar. Tutmés Airan (foto).

ABRAÇOS IMPRESSOS

               Sempre peço licença quando se trata de família. Hoje é o dia de Ricardo, à esquerda de João Marcelo e de Fred, dois de seus 12  irmãos. Parabéns, meu filho e que Deus sempre o proteja e abençoe.  

coluna BARTPAPO

Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara – Tribuna Independente de 08-01-2020
A MATEMÁTICA DA VACINA
Vamos e venhamos que as notícias que são veiculadas baseadas em informações verdadeiras dos diversos órgãos competentes em relação à vacinação em massa do povo brasileiro estão completamente divergentes das necessidades de uma população que está em torno de 210 milhões de pessoas e que corresponde à soma de 3 grandes países da Europa que são o Reino Unido, a França e a Itália com 200 milhões em conjunto. Some-se a isto o poder de logística e o diminuto tamanho de cada país em relação às nossas dificultosas dimensões continentais.
Ora, os noticiários apresentam números que consideramos ridículos quando anunciam, por exemplo, a compra ou a futura chegada de 2 milhões de doses de determinada vacina. e o fazem com ênfase para o número como se fosse grandioso. Ora, façamos as contas em cima da população brasileira que precisaria de 420 milhões de doses para ser vacinada considerando o fato de que os cientistas estão afirmando que são necessárias duas doses para cada pessoa. Se os passos de caranguejo continuarem com as previsões ridículas de compras nem sei quantos anos serão necessários para imunizar toda a sociedade.
Façamos então um parâmetro com os anúncios de compras de 2 milhões de doses e façamos mais ainda multiplicando este número por 20 e então teremos 40 milhões de doses o que vacinaria apenas 10 por cento da população. Ah, dirão alguns, isso é utópico porque o Brasil pode fabricar e aumentar este potencial. Muito bem. Concordamos. Mas quando? Com que poder de produção e distribuição? Com que planejamento de logística até agora obscuro para o povo brasileiro? Quando fizemos a comparação com os países da Europa o fizemos para reafirmar que a situação por lá é caótica, mas mesmo assim diferente porque podem lidar com os números com muito mais eficácia que o Brasil. E com demografias muito mais favoráveis a tudo no que diz respeito à distribuição.
O Brasil continua enfrentando a desinformação por parte dos poderes públicos responsáveis pela saúde. Ninguém se entende, a política toma conta das negociações que deveriam estar longe dela e os números, continuo a afirmar são díspares em função das necessidades de uma população que está vendo gente a morrer todos os dias. Quando os estados ameaçam comprar suas vacinas o governo federal incompetente em suas ações quer barrar. Mas eles, os estados, estão certos. Pelo menos tentar dividir para somar. O Estado de Alagoas, por exemplo, necessitaria de 6 milhões e duzentas mil doses para vacinar toda a população de 3 milhões e cem mil pessoas. Cerca de um e meio por cento do país. Talvez seja o caminho. Um caminho competitivo, ainda político, mas talvez com a mira certa para o que se quer.
O fato é que é preciso voltar para os bancos escolares e praticar matemática. Uma matemática salvadora que soma solução e multiplica salvação. Sem ela estaremos sem rumo contando nos dedos ao invés de nos computadores os fios de nossas esperanças.
ALERTAS DO DIA

  • Acresça-se ao artigo acima o fato de que também a matemática dos insumos e aí estou falando em seringas e em agulhas também não foi devidamente utilizada já que elas estão em número bem inferior às necessidades. Parece que estou vendo a paralização da vacinação por falta desse material.
  • O prefeito JHC começou a sua administração baixando um decreto que diminue o valor das passagens de ônibus na capital. Que bom, mas que vai causar polêmica, lá isso vai. E,possivelmente algumas greves possam acontecer. Afinal ninguém mexe no bolso do empresário impunemente.Acho.
    PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)
    Quem busca a perfeição precisa saber que errar faz parte do processo.

Ouvidor Geral 11-01-2021

“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 11-01-2021 – Geraldo Câmara

UMA GESTÃO QUE COMEÇA

              Tirem por suas próprias realizações e experiências e vejam que o tempo é amigo da perfeição e é preciso que, com inteligência os usem com parcimônia, com planejamento e com vontade de acertar. Digo isto, sem procuração alguma que a nova gestão municipal está nascendo, apenas nascendo sem sequer abrir os olhos para uma máquina complexa e nem sempre revelada aos olhos de todos. É preciso observar, sentir, receber instruções, aprender a ter vontade autônoma e a andar com os próprios pés para só então caminhar pelos tortuosos caminhos da administração pública, pelos meandros e atalhos que deixam gestores enlouquecidos, sobretudo com a famigerada “burrocracia” ainda existente que emperra ações de dois tipos: as boas e necessárias e as ruins que aí sim são impedidas pelo excesso de zelo, sobretudo na lei das licitações. Mas o fato é que, agora, neste início, arrumar a casa, colocar a gosto dos novos habitantes é um trabalho hercúleo e que demanda muito esforço e compreensão. A razão dessas nossas palavras é tão somente a de, como jornalista independente, ter a paciência de aguardar reformas, planejamentos e muitas ações cada uma a seu tempo como nós mesmos fazemos com nossas atividades. Afinal, a gestão ainda nem colocou a primeira fralda!

DESTACÔMETRO

              O destaque vai para o novo secretário de turismo de Maceió, Ricardinho Santa Rita com quem tive o prazer de dialogar e perceber toda a sua disposição e abertura para a ocupação de tão importante função. Maceió vai ganhar.  

PÍLULAS DO OUVIDOR

O artigo de cima tem razão de ser pela imensa cobrança que é feita ao prefeito JHC que acabou de entrar e realmente por melhor que tenha sido a transição, mas foi extremamente curta, há muito que saber e aprender.

Os secretários está afoitos buscando idéias, buscando soluções para problemas, alguns de décadas, outros de agora, mas todos problemas que cairão rapidamente em suas costas sabendo que o eleitor não perdoa e tem memória longa.

E essa questão de memória do cidadão em relação aos governantes chega a ser cruel. Normalmente ele não se lembra das coisas boas feitas, mas não se esquecem das marcantes.

Este caso se adapta bem ao famoso banho de mar da ex-prefeita Kátia Born que o fez em frente ao Salgadinho prometendo a solução do problema. A solução não foi conseguida e o seu banho jamais foi esquecido. Uma pena, porque de resto foi uma boa prefeita de Maceió.

Os que estão saindo também já sabem e têm a consciência de que seus esforços dificilmente serão lembrados, mas as “gafes”, as deixadas de lado, essas sempre serão lembradas nas rodas de qualquer lugar.

No entanto, também é bom lembrar aos jovens que estão aí assumindo que os cabelos brancos, a experiência de muita gente boa que está parada por aí, conta. E conta muito não devendo ser abandonada ou colocada como zero à esquerda.

A febre pelos exames para constatação da Covid 19 também está aí nas ruas e as pessoas querem fazer esses exames às vezes até indiscriminadamente. Os preços então subiram assustadoramente. Será que um PCR precisar custar 330 reais?

E às vezes o dobro porque na maioria o teste tem que ser repetido em função de dúvidas como a de resultado falso negativo e outros. A gente entende que os preços seguem a regra da oferta e da procura. Mas em doença é de lascar!

Falar nisso, a Covid 19 está pegando em mais gente, o número de casos está aumentando, as mortes também, assim como a falta de educação de um povo que está fazendo da aglomeração a sua razão de viver. Mas é de morrer, gente!

Esse cara, Clayton Moura (foto) hiper conhecido em Maceió como Mourinha, já deu o que falar há uns vinte anos atrás com um trabalho estudantil de alto nível. Agora, à frente do Gabinete de Combate a Covid 19 vai dar trabalho ao vírus.

ABRAÇOS IMPRESSOS

               Abraços para o Zezeco que sai da Barra de São Miguel, com toda a sua juventude e para o que entra, Biu de Lyra com toda a sua experiência. Acho que a boa convivência fará bem aos dois gestores.

BARTPAPO de casa 37

Convidados

Ronaldo de Andrade – teatrólogo

Alysson Cunha – cantor

Caio Porto – empresário

Luciana Caetano – economista

Diógenes Tenório – advogado e membro da AAL

Emannuel Costa – capitão PM

Eliezer Setton – compositor e cantor