coluna BARTPAPO

Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara -Tribuna Independente -16-04-2021..

TEMPO DE CRIAR

                Na década de 60, década de ouro para a publicidade mundial e em especial a brasileira que vivia seus melhores momentos, trabalhava em São Paulo na Alcântara Machado Publicidade, exatamente na área de criação, quando me foi apresentada a oportunidade de um curso de seis meses na Bufalo State College, a mais importante universidade do mundo para assuntos de criatividade. Fui e fiz o curso completo apesar de em determinados momentos ter vontade de correr com o frio de menos 31 graus. Mas não corri e aprendi muito. E apliquei na vida tudo o que aprendi.

                Naquela época, a criação era a alma da propaganda. As agências se digladiavam por melhores campanhas, por obterem os prêmios mais cobiçados do Brasil e que foram surgindo pouco a pouco como o “Colunistas”, vários outros até surgir o desejado “Profissionais do Ano” do Grupo Globo. E isso, sem dúvida propiciou um mercado mais promissor, mais combativo e profundamente mais criativo.

                Todo esse preâmbulo para dizer o quão é importante a detecção do tempo de criar, apesar de que filosoficamente não há tempo determinado para tal. Ele se mostra, nós o entendemos, buscamos o significado e a hora se apresenta como num passe de mágica. Olhos abertos, percepção à mostra e chegamos à crise que atualmente vivemos com a pandemia para aproveitarmos o ensinamento – não me lembro de quem – que criativamente dizia tire o S da criSe e crie.

                 Em todos os setores dessa louca pandemia há lugar para a criatividade, para a mudança de comportamento, seja social seja do labor. O “Home Office” foi uma tirada do S. A acentuação do delivery, a mesma coisa. Os grandes magazines vendendo e entregando em casa até comida seguiram os mesmo passos. As máscaras têm salvo a vida produtiva de muita gente. E se formos dar largas à imaginação, se procurarmos os “buracos de mercado” e eles são muitos, sem dúvida vamos acelerar os nosso neurônios que trabalhando mais haverão de mostrar muito mais imaginação criativa.

                 Por isso conclamo a todos para que deixem de lado o enfado, a tristeza, a acomodação e se provoquem. Façam em si mesmos a descoberta da criatividade, da mágica do inventar e obviamente do se reinventar. E aí, sim, cada de nós estará contribuindo para a saída dessa crise usando a cabeça para pensar positivo. E lembrando sempre o que nossos pais e avós diziam: “Mente vazia, casa do diabo”.

ALERTAS DO DIA

  • Há poucos dias assisti a um filme baseado na vida real denominado de “O mago da mentira”. Interpretado pelo sensacional Robert de Niro que viveu na tela a aventura financeira de Bernie Maydoff.  Com sua “pirâmide”, Maydoff  conseguiu ganhar 150 anos de prisão. O Bernie faleceu última quarta. 
  • Hora de ajudar o nosso estado a acertar no alvo com essa pandemia. Vacinas chegando, estrutura de vacinação em ponto de bala, leitos disponíveis e o imenso medo de que a coisa desande. É por isso que nossa participação usando máscaras, não aglomerando e se precavendo é totalmente importante.

PARE PRA PENSAR

Pessoas de visão são como os morcegos. Enxergam muito além do que os olhos vêem.

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Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara -Tribuna Independente -02-04-2021.

NORDESTE INDEPENDENTE

                          Muito além da música, muito além do sonho de alguns, podemos e devemos defender a tese de um nordeste independente e, ao mesmo tempo, unido, no que diz respeito ao desenvolvimento regional em relação ao turismo. Mas, quando nos referimos ao “unido”, queremos dizer unido mesmo e não essa falácia de pseudo-união, onde o egoísmo faz parte do marketing individual de cada estado, buscando para si, e exclusivamente para si, os louros de um trabalho que poderia ser muito mais profícuo, se realizado de maneira uníssona pelos nove estados que compõem a Região Nordeste.

                              Indubitavelmente, o nordeste brasileiro se constitui em um verdadeiro paraíso, em um produto que pode ser consumido por “gregos e troianos” e que deveria representar a libertação econômica de uma região sofrida e que busca incessantemente a sua independência econômica e personalista. Vale dizer que sempre fomos tratados, enquanto nordeste brasileiro, como o famoso primo pobre a buscar e a receber migalhas, ainda que tenhamos tido dois presidentes da república contemporaneamente.

                               Mas, quando abordamos o tema, buscamos mostrar aos governantes de toda a região que a união pode realmente fazer a força do nordeste, no tocante ao turismo. Juntar as forças de cada estado e criar um planejamento forte e real que vise ações cooperativas de largo alcance mudando o sentido do “marketing” individual para um coletivo, elaborando um novo e grande produto, capaz de levar ao consumidor externo a pujança semelhante à de um Caribe, como aliás já denominam o nordeste.

                               O difícil é conseguir dobrar as vontades individualistas e de alguns estados que se acham mais merecedores do que outros dos afagos dos turistas, quer nacionais, quer internacionais. O difícil é sensibilizar governantes para que criem uma cúpula construtiva, planejadora e até executora de uma nova política de turismo integrado, através de um pacto real, onde o proposto seja votado e executado sem detrimento das ações soberanas de cada um.

                                A independência do nordeste pode ser conquistada no âmbito do turismo através de um trabalho hercúleo como este, da união de propósitos e também através da criação de um órgão estimulador e financiador, como se fora uma espécie de Sudene turística. Com autonomia para exercer sua função de maneira inovadora, criativa e dotada de um Conselho Permanente ao qual pertenceriam as mais diversas categorias voltadas direta e indiretamente para a atividade turística.

                                Observem os leitores que o que propomos vai muito além da perspectiva atual do turismo nordestino e insere no seu contexto uma verdadeira revolução de métodos e sistemas; uma nova visão do que se possa chamar de turismo integrado porque sem descaracterizar as ações de cada equipe estadual, ajuda a consolidar uma macro-região turística que, de longe, poderá vir a ser considerada uma das melhores, mais bonitas e mais produtivas do mundo. Principalmente porque, com funcionalidade de um órgão central, consultivo e fomentador, toda a região será beneficiada e o seu crescimento levará o nordeste à uma real independência.

PARE PRA PENSAR

A hora é do salvemo-nos uns aos outros ao invés do “salve-se quem puder”.

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Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara -Tribuna Independente -12-03-2021.

  É HORA DE TER JUIZO.

                Lembro do meu tempo de criança e de muitos outros tempos quando ouvíamos a frase “Tome juízo”! Isso era sinal de que estávamos fugindo às regras, que estávamos fazendo algum malfeito que naturalmente merecia a reprimenda. A expressão tomou corpo, tomou vida, cresceu no linguajar brasileiro e passou a exprimir uma advertência também carinhosa, mas sempre uma advertência.

               O brasileiro a leva na brincadeira sempre, acha curiosa e até engraçada. Tenho um amigo, Daniel, que sempre nos cumprimenta em nossos aniversários com o dele já famoso: “parabéns e juízo”! Pois é chegada a hora de a adotarmos definitivamente porque sem dúvida não estamos tendo juízo diante dessa pandemia assustadora que teima em crescer, que não aceita teimosias, que não quer nos ver os rostos nos preferindo mascarados, que está levando jovens e velhos aos hospitais e muitos à morte, porque ele, o juízo vem passando longe de nossas cabeças. E vejam que, quando falamos deste assunto de imediato vem à cabeça os jovens que não respeitam as novas regras, que vivem em aglomerações festivas parecendo que buscam o terrível vírus como se fossem confetes em suas cabeças.

               Mas nem só de jovens teimosos e conflitantes vivem os tempos do hoje. Irresponsáveis de todas as idades estão por aí a espalhar uma estúpida confiança, não sabemos em quem. Rindo da própria sorte e a esfregando nas caras de todos os temerosos que pedem um pouco mais de paciência, um pouco mais de solidariedade, um pouco mais de compaixão, uns pelos outros. Mas a resposta não vem. E até vem com o aumento do número de casos, com o aumento no número de mortes, com a ineficácia do ser humano em conter essa terrível doença que se espalha cada vez mais pelo mundo.

              No entanto, se voltarmos aos nossos tempos de criança e escutarmos as vozes que nos dizem para termos juízo, para usarmos máscaras, para lavarmos sempre as mãos, para não participarmos de aglomerações nem de festas, possivelmente venhamos a comemorar os dias do amanhã na santa paz do amanhecer. Caso contrário, se não ouvirmos os apelos de juízo iremos e levaremos muita gente para outro e final juízo.

ALERTAS DO DIA

  • Ainda a propósito de juízo, o governador assinou um novo decreto, restringindo ações, definido horários de funcionamentos comerciais e outras coisas mais. Necessário? Sim. Tentemos respeitar as regras para que não tenhamos decisões mais rigorosas e que venham a prejudicar em muito a economia do estado.
  • E quando falo em prejudicar a economia do estado estou lembrando que as pessoas precisam trabalhar, levar dinheiro para casa, pagar suas contas, enfim, viver e fazer viver. Por isso, o juízo a que me refiro no artigo acima é de fundamental importância para a vida. Do corpo e da alma.
  • Mudando rapidamente de assunto, os assuntos polêmicos estão fervendo em Brasília e as últimas medidas que acabam por envolver política, espero que não agitem mais a conturbada vida brasileira.

PARE PRA PENSAR

A vida é indiscutivelmente a melhor discussão. Discutir a vida nos leva à luz e a razão.

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Coluna BARTPAPO com Geraldo Câmara –Tribuna Independente -22-01-2021

    ENEM – O VESTIBULAR DA BAGUNÇA

               Vamos admitir que esse está sendo um vestibular absolutamente atípico em que metade dos concorrentes não compareceram. Com medo da Covid 19, com medo da falta de orientação dos organizadores, por falta de tudo. Convenhamos que a falta de planejamento foi de tal ponto que os alunos chegavam para o exame e eram avisados que já não podiam entrar porque lá dentro nas salas a freqüência já estava no limite imposto pelas regras de combate ao coronavírus.

              Como isso pode acontecer? Como o mais importante vestibular público do país é desrespeitado nas mais simples regras? E como ficam os alunos que não entraram? Como as provas deles serão? Essas e outras respostas ficam sem nexo porque como sabemos que todas as regras do ENEM são rigorosas, ou eram, não dá para entender que agora os alunos que não fizeram a prova vão remarcar e fazer nos dias 24 e 25 de fevereiro. E aí eu pergunto: Como fica o princípio da isonomia porque é claro que as provas de fevereiro serão outras, com outras questões e ademais com outra redação. Passou a ser um vestibular bipartite?

               O que está acontecendo é que cada vez mais estamos nos transformando em um país que quebra regras, que desrespeita a sua gente e que não entende que as aspirações dos jovens não podem ser incivilizadamente rompidas por absoluta falta de um planejamento que estabelecesse uma regra definida e não concessões por erros cometidos na concepção do projeto. O ENEM é e sempre foi um projeto vencedor, respeitado pela maneira como foi projetado e pela sua execução com raríssimas exceções. Aí, nem se sabe exatamente por que não pôde ser adiado e teve que ser feito de qualquer maneira.

                O resultado aí está. Um vestibular partido ao meio, perdendo a credibilidade, colocando a culpa toda na Covid 19, quando na realidade não previu que os 51 por cento de abstinência em alguns lugares eram previsíveis, sim. E que os alunos, agora que não fizeram o ENEM estão indecisos, intranqüilos e a mercê do sei lá o que. Tenham a certeza de que se tivessem adiado teria sido muito melhor e mais honesto.

ALERTAS DO DIA

  • As vacinas estão chegando. Em número muito pequeno provocando mais ansiedade no povo que não sabe quando será vacinado. Existem prioridades, sim. O que não existe é vacina para atender a todos. Espero que por enquanto.
  • Em artigo passado fiz a matemática da vacina e provei por A mais B que o Brasil não soube programar a aquisição. A logística até que está bem planejada pelos estados, mas sem produto não tem logística.
  • Lembram do avião da Azul prontinho para ir buscar vacina na Índia? Pois é. A Índia deu uma banana e disse que não tinha vacina pro Brasil. Será que estou errado em dizer que estamos na república da bagunça?
  • E, agora, gente, ainda tem mais. Olho aberto porque os espertinhos de plantão vão sempre dar um jeitinho de furar fila como já apareceram alguns por aí. Se cada um ficar na sua esperando sua hora e as vacinas começarem a ser produzidas no Brasil, no fim dá certo.Tenham fé porque Deus é brasileiro.

PARE PRA PENSAR

Quem é fiel por convicção não precisa jurar fidelidade sob pena de acharem que jurou em falso.