A TENSÃO

A TENSÃO ALTA

Geoberto Espírito Santo

O reajuste das tarifas da Equatorial Amapá para 2024 havia sido definido pela
ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 44,1%. É claro que é um aumento
exorbitante, mas está de acordo com as regras atualmente vigentes aplicadas ao setor. O
Amapá é o líder no ranking dos consumidores inadimplentes no Brasil, estado em que o
nível de endividamento da população é de 52,86%, tem em 12,4% a terceira maior taxa
de desemprego, com 65% das famílias em situação de pobreza e, em 2021, ocupava a 25ª
posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Um reajuste desse porte é de
pagamento insuportável e o Governo acenou com uma ajuda de R$ 350 milhões, via MP
(Medida Provisória), para também propor reajustes iguais em todo o país.
Em um evento na cidade de Macapá, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
anunciou, sem nenhum detalhe, um investimento de R$ 350 milhões para o Amapá
poder reduzir esse aumento de 44,1%. Em seu discurso, o ministro Alexandre Silveira, de
Minas e Energia, fez as seguintes citações para as causas desse aumento
desproporcional: empréstimos feitos às distribuidoras por conta da Covid-19 (Conta
Covid); empréstimos feitos às distribuidoras para enfrentarem a crise hídrica de 2021; no
mercado livre estão 3 milhões de consumidores que consomem 45% da energia do país e
pagam R$ 250/MWh, enquanto os demais 87 milhões de consumidores pagam a média
de R$ 650/MWh às distribuidoras.
O Presidente Lula também criticou o preço da energia elétrica no mercado livre,
utilizado pelas empresas, por ser um terço do valor que é pago pelo “povo pobre” que
tem tarifas reguladas no mercado cativo. Disse que vai convocar uma reunião do
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para pensar no que chamou de “nova
fase de pagamento de energia” e arrematou: “Não é justo o mais rico pagar menos da
metade do valor da energia. Eu disse que o governo terá que se debruçar no começo do
ano e resolver esse negócio de energia porque o pobre e trabalhador não pode pagar a
conta dos mais ricos do país”. Nenhuma menção foi feita sobre o peso dos subsídios, que
deveriam ser custeados pela União, e que estão sendo pagos pelo consumidor de energia
elétrica.
De acordo com um mapeamento feito pela ANEEL ao final de 2023, os subsídios ao
setor de elétrico totalizaram R$ 32,97 bilhões, com um montante representativo de
13,21% que cai na conta de luz dos brasileiros. Esse valor é um pouco inferior ao
registrado em 2022, quando totalizou R$ 33,5 bilhões. Os principais dados desse
mapeamento feito pela Agência Reguladora e são os seguintes: a tarifa residencial média
ficou em R$ 731,37/MWh, sendo que a parcela referente aos encargos é de R$
96,63/MWh; as fontes incentivadas lideraram os valores acumulados chegando muito
perto dos R$ 9,6 bilhões, o que representa 29% dos subsídios totais e os consumidores
pagaram R$ 7,3 bilhões desse valor; a CCC (Conta de Consumo de Combustíveis) soma
um pouco mais de R$ 8,3 bilhões, o que representa 25,2% do total de subsídios; a GD
(Geração Distribuída) representou R$ 6,4 bilhões, sendo que 54% foi pago pelos
consumidores; a Tarifa Social, que é o subsídio dado aos consumidores de baixa renda,
reuniu R$ 4,7 bilhões totalmente custeados pelo restante dos consumidores; existem
ainda subsídios de menor monta para a irrigação e aquicultura, água-esgoto-

saneamento, carvão e óleo combustível, consumidor rural, distribuidoras de pequeno
porte e programas de universalização (Mais Luz para a Amazônia, Luz para Todos, kit
instalação).
Até para os que conhecem um pouco como funciona o setor elétrico brasileiro, as
declarações do Ministro, do Presidente da República e essa proposta de reajustes iguais
para empresas, cujos são custos diferentes, causam preocupações. Numa comparação
simplista, dão a entender que o mercado livre é prejudicial ao consumidor. As tarifas de
energia elétrica não são definidas por livre e espontânea vontade da ANEEL, mas em
decorrência de uma legislação que embasa as premissas e os cálculos técnicos a serem
adotados, tudo em função das condições da distribuidora e de sua área de concessão. O
fórum para resolver essas questões em prol do povo brasileiro é o entendimento entre o
Congresso Nacional e o Governo, um que aprova leis e o outro que sanciona. O Conselho
Nacional de Política Energética (CNPE) é apenas um órgão de assessoramento. Qual a
origem dos R$ 350 milhões e como serão feitos esses pagamentos não foram sequer
citados, o que é muito grave, não só pela falta de transparência, como também pela
forma como foi feito, com apelo populista num evento que não tinha esse propósito.
Uma decisão dessa forma, abre um precedente perigoso para que outros estados ou até
mesmo as distribuidoras que se encontrarem em situações delicadas ou com as
concessões de distribuição em condições precárias, venham acionar Brasília para
enfrentar seus problemas.
Para 2024, segundo cálculos da consultoria Thymos Energia, o acréscimo médio
será de 4,8% menor que as taxas médias de aumento em 2022 (12,96%) e em 2023
(10,85%) e que teve como principal consequência os valores muito baixos do Preço de
Liquidação de Diferenças (PLD) ao longo de 2023, permanecendo quase sempre no piso
mínimo estabelecido de R$ 69,04/MWh. O PLD reflete o preço da energia no mercado de
curto prazo, mas seus valores impactam no médio e longo prazo. Em 2023 tivemos uma
hidrologia favorável aos custos baixos e um bom desempenho das renováveis, não tendo
sido necessário recorrer às usinas térmicas do sistema de reserva, que são mais custosas.
Assim, a bandeira verde foi mantida ao longo do ano, sem custos adicionais no bolso do
consumidor, o que não deve acontecer em 2024 haja vista as ocorrências climáticas que
já apareceram no início deste ano.
A consultoria TR Soluções fez um estudo focado nos consumidores residenciais e
concluiu que o aumento médio em 2024 vai ser de 7,61%. Considerou a média dos
reajustes de cada uma das 51 concessionárias de distribuição do país, que foram
ponderados com os seus respectivos mercados. Esse percentual de aumento para os
consumidores residenciais é um valor médio, quando a maioria das concessionárias deve
apresentar um reajuste de 11,5%, sendo que 8 distribuidoras vão representar uma
redução em relação a 2023 e 9 delas terão um aumento maior que a média, cerca de
14%.
A ANEEL citou algumas razões para essas estimativas do reajuste médio em 2024
nas tarifas de energia elétrica: aumento da extensão da rede de energia, em decorrência
do crescimento natural da economia do país; e os encargos setoriais, que são definidos
pelo Governo e pelo Congresso Nacional. A estimativa da ANEEL para o reajuste tarifário

de 2024 é uma média de 5,6% acima de 3,86% (IPCA). No ano passado, a estimativa da
ANEEL foi de um reajuste médio de 6,8% e o efetivamente registrado de 5,9%.

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 29-01-2024 Geraldo Câmara

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 29-01-2024 Geraldo Câmara

POR QUE…”OS MEUS DEDOS PENSAM”?

Porque os habituei a trabalharem comigo, a acompanharem as loucuras do meu cérebro que sempre insistia em colocar em papel o desdobrar de meus pensamentos. Ainda menino, os dedos atracavam os lápis, as canetas esferográficas e já mostravam que gostavam do exercício de escrever o que o meu cérebro a eles impunha. Depois eu os apresentei à minha primeira máquina de escrever, a mesma que aos 16 anos entre pensamentos e ações complementava o trabalho de meus dedos e colocava folha por folha, poesia por poesia, em meu primeiro trabalho literário, o Folhas ao Vento e como não podia deixar ser para um jovem e adolescente escritor, repleto de poemas. E, muitos anos depois, máquina após máquina, das manuais às elétricas, meus dedos ocuparam-se em dar forma aos meus pensamentos como publicitário, como jornalista, como modesto escritor. Preparando-se, eles e eu, para a era da informática, do computador, do “notebook”, da velocidade, dos corretivos perfeitos dando vida mais rapidamente aos meus personagens de, agora, 10 livros. Por isso, este preito de gratidão aos meus parceiros, aos meus dez dedos que pensam comigo porque de tão rápidos parecem desejosos de correrem mais do que meu cérebro. Que bom! Tradutores de minhas ideias.

DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para o meu amigo, parceiro, gente do maior gabarito, professor da UFAL, engenheiro e economista, colaborador eterno do estado de Alagoas em seu planos de desenvolvimento. Arnóbio Cavalcante, figura ímpar.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Minha amiga, Ana Dayse Dória, uma das maiores autoridades deste estado em educação foi elevada pela segunda vez à presidência da Academia Alagoana de Educação. Triste, não pude comparecer mas deixo daqui meus cumprimentos.

Esses alertas de tempo nem sempre funcionam, mas não custa ficarmos atentos a todos eles. No momento o Inmet confirma chuvas intensas com alagamentos e ventos de até 100 km por hora em grande parte do interior de Alagoas.

Fico sempre com muito receio porque sempre me lembro das enchentes provenientes do transbordamento do Rio Mundaú e que transtornou a vida de muitas cidades como Murici, Rio Largo, Branquinha e muitas outras.

Aliás, diga-se de passagem que o grande problema em muitas cidades brasileiras continua sendo a falta de saneamento público e principalmente de vias de esgotamento, o que se acontecesse com planejamento evitaria muitos problemas.

Nem todos, é claro! Mas o grande problema de muitos anos é que as autoridades não têm muito boa vontade com obras que fiquem enterradas e longe das vistas do grande público. Acham até que exageramos, mas é a pura verdade.

Quero ver se a do Salgadinho, tão decantada em prosa, verso, lama e poluição estará tendo continuidade até o seu final. Se conseguir chegar lá deverá ser um grande “handicap” para o prefeito JHC que tanto visa a reeleição.

Entrevistamos, eu e Valtenor Leôncio na Rádio Senado Cidadã, o secretário-executivo de Políticas da Segurança Pública, delegado José André dos Santos. Deu uma aula de como evitar maiores problemas durante o período carnavalesco.

Aliás, bom lembrar que o governo tem divulgado a queda acentuada no número de crimes em todo o estado de Alagoas, o que é bastante alvissareiro e nos deixa na boa posição de dizer que o caminho do governador Paulo Dantas está certo.

Cecília Wanderley (foto), presidente do Procon de Maceió, uma pessoa bastante interessante no meio público tem conduzido a instituição de apoio aos consumidores de uma maneira bastante pontual e competente. Deu show no Bartpapo.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos vão para esta carismática cantora alagoana, Fernanda Guimarães que, sem dúvida alguma plantou sucesso e se fez respeitar no meio musical de uma maneira altamente profissional. Gosto de sua voz, de seu jeito, de sua competência musical.

Ouvidor Geral 22-01-2024

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 22-01-2024 – Geraldo Câmara

VOLTO A FALAR NAS CHUVAS

Não que não goste delas, pelo contrário porque são perfeitas quando chegam principalmente ao campo que tanto precisa de água. Em grande quantidade, aí já são perniciosas e destruidoras. No campo acabam com plantações que custaram o suor de muita gente. Já nas cidades são destruidoras e quando chegam em grandes volumes saem acabando com ruas, derrubando árvores, invadindo residências, principalmente as mais pobres e deixando prejuízos, até mortes por onde passam. Aí, sim, digo e reafirmo que a incapacidade de gestores fica inteiramente à vista, uma vez que os serviços preventivos são sempre relegados a segundo plano. Não estou falando só de Maceió e outras cidades alagoanas, não. Estou falando também de grandes metrópoles como são os casos de São Paulo e de Rio de Janeiro. Não cuidam do esgotamento de forma alguma. Não traçam planos para aguardar – e sabem que virão – as chuvas do ano vindouro. São incapazes de minorar o sofrimento dessas pessoas talvez até por decretos de emergência que permitem gastos, sei lá quais são e como são organizados. Ou desorganizados. O fato é que entra ano e sai ano, as chuvas abundantes continam a acontecer, as pessoas ficando desamparadas e até mortas e nada de soluções preventivas. Preventivas, entenderam?

DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para o meu amigo Eduardo Tavares, Ouvidor Geral do Ministério Público Estadual onde exerce as funções com a maior categoria e produtividade. Ex-prefeito de Traipú, professor e ex-diretor do Cesmac, Eduardo merece todos os nossos apreços.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Gente, o calor abrasador que está fazendo é sinal dos tempos e não é. Digo isso, porque menino ainda estava acostumado aos verões do Rio de Janeiro que chegavam à temperatura de 40 graus. Inclusive, deu margem a um filme famoso com o título de “Rio 40 Graus”.

Mas é evidente que os tempos são outros, as cidades estão congestionadas por prédios, veículos e tantas outras coisas mais que abafam e dão a sensação ainda maior de calor. Por isso todo cuidado é pouco, principalmente com insolação nas crianças.

Queiram ou não queiram as autoridades este é também um problema de saúde pública e como tal tem que ser enfrentado pelos governos estaduais e municipais dando suporte à população, orientando e medicando quando necessário.

E falar nisso, parece incoerente mas não é. Nessa época de intenso calor as gripes também ficam mais frequentes em todas as áreas e precisam ser combatidas principalmente com a aplicação das vacinas. Cuidem-se.

O famoso benefício de Natal foi concedido a 52 mil presos em 17 estados brasileiros. Desses, 49 mil voltaram, se apresentaram sem problema algum. Mas, 2 mil e seiscentos detentos não retornaram e evidentemente que perderam todos os benefícios futuros. Se ainda voltarem, né?

Lamentável o incêndio que destruiu um terço da Loja Imperador na rua do Sol. Segundo os bombeiros o motivo deve ter sido um curto circuito nas instalações que já deveriam ser bem antigas e talvez não tivessem sofrido revisão. Todo cuidado é pouco.

Acho tão gozado essa discussão sobre cigarros. Uns dizendo que cigarro eletrônico não causa mal igual ao tradicional. Outros afirmando que o melhor de todos é o cigarro de palha. Gente amiga, por favor, cigarro é veneno seja lá qual seja. Esqueçam dele.

Quem quiser ter aulas de alto gabarito, fazer curso de extensão, por exemplo em retórica ou em matemática para planejamento de grande alcance trate de assistir as aulas do BBB 24. Não existe melhor maneira de atualizar seus conhecimentos…Será???

Aldemar Monteiro (foto) é um jovem extremamente lutador, produtor rural, presidente da CPLA – Cooperativa dos Produtores de Leite de Alagoas que é uma iniciativa das mais poderosas no estado. Um fantástico empreendimento em Batalha que reúne mais de dois mil cooperados.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Meus abraços impressos vão para o meu amigo Adalberto Souza, um braço fantástico na comunicação do Sebrae e que também é uma figura humana de grande envergadura construindo amigos por onde passa. Obrigado, Adalberto.

Um dia sem respeito

Geoberto Espírito Santo

“No Brasil, só se fala no Estado Democrático de Direito. Vamos ampliar essa forma de soberania para

Estado Democrático de Direito e Deveres?” (Geoberto Espírito Santo)

Fui criado em um ambiente que jamais poderia imaginar ver um apelo na televisão
para ter respeito com as mulheres. Na realidade, o respeito não deve ser só com elas,
mas tudo leva a crer que a sociedade em que vivo hoje não consegue entender o que isso
significa. Todo mundo “se acha” (como dizem os jovens) com todos os direitos, sem ter
como limite os seus deveres.
Semana passada observei e tive um dia sem respeito. Geralmente acordo às 5:30h
e depois de uns alongamentos em casa saio as 6:00h para caminhar no calçadão da praia
de Ponta Verde, direção Jatiúca. Nesse dia, o desrespeito começou quando veículos não
paravam para a travessia de pedestres pela faixa. Na espera, um casal de turistas se
juntava a mim para perguntar se “em Alagoas a faixa de pedestres não era respeitada”.
Minha resposta “sim” não poderia ser diferente e, como era um sábado argumentei que
“seriam motoristas que estavam naquela hora saindo da farra”. Antes de terminar a
travessia já havia “quebrado a cara”, pois uma motocicleta, ao invés de diminuir a
velocidade, passar o mais distante possível ou até mesmo parar, passou perto em alta
velocidade gritando “sai da frente vovô”.
Caminhando pela calçada com outros pedestres vem ao nosso encontro uma
pessoa de bicicleta, que passa no meio de nós, com a minha reclamação de que “o lugar
de andar de bicicleta era a outra pista” ao desviar-me para evitar o choque. O homem já
maduro me respondeu que “na pista de bicicleta tem uma poça d´água que pode molhar
os pneus da mesma”. Já um pouco distante, disse eu: “Não pode molhar os pneus da
bicicleta, mas pode atropelar os pedestres”. A pessoa parou e perguntou “quem é você”,
uma derivação moderna do “você sabe com quem está falando?” Respondi que era “um
cidadão brasileiro pedindo para ele respeitar os meus direitos e ele cumprir com os seus
deveres”. Sem resposta, com aquela postura “tô nem aí” continuou circulando no meio
dos pedestres. Em seguida, um cidadão me disse que aquele da bicicleta era um que, por
trabalhar em órgão público que pode pressionar o cidadão, já é conhecido, “se acha”.
Na volta para casa, numa calçada perto de onde moro, por distração tive que dar
um pulo para não sujar o tênis com cocô de cachorro. Antigamente, quem saia para
passear com os cachorros era a secretária do lar com a recomendação de levar um
plástico para recolher as fezes do mesmo. Mas agora vemos também as próprias
proprietárias do animal, algumas delas desconhecedoras dessa prática de respeito ao
cidadão, à limpeza urbana, deixando aquele cheiro de urina nos pés dos postes e
coqueiros, que nesse caso fica mesmo difícil de evitar.
Depois daquele banho confortante e do café da manhã, “a que manda em mim”
pediu para eu ir ao supermercado fazer umas compras. Ao tentar estacionar na vaga do
idoso, pois estou mais perto dos 80 do que dos 70, de pronto não pude porque haviam
deixado um carrinho de compra no meio do espaço, razão pela qual tive que descer e
colocar o mesmo numa posição de não atrapalhar ninguém. Ao estacionar, vi que na vaga

ao lado, para deficiente físico, estava parando um veículo e resolvi esperar para ver quem
era. Aí desce a motorista, única passageira do carrão, jovem senhora bem apessoada,
vestida com aquelas roupas de academia que a posicionam no topo da pirâmide dos
rendimentos, com um tampão branco em cada ouvido, olhando o celular.
Conclui as compras e entrei na fila dos idosos, tendo três pessoas à minha frente.
Vejo então uma jovem simpática, vestida bem à vontade, um pouco aflita porque
chegando sua vez no caixa aguardava o namorado que ainda estava escolhendo o que
comprar. Aí vem a função do caixa que não devia atender consumidor nessa situação,
certamente orientado por seu gerente pelo mito que “não podemos contrariar o cliente”.
Chega então o namorado com uma cestinha contendo Red Bull, Coca Cola Zero, água
mineral e salgadinhos para levar para a praia. Nos países desenvolvidos, quem estava
guardando lugar não é atendido e quem chegou agora vai para o final da fila. Fato
contínuo, vem um rapaz com duas latas de cerveja pedindo para passar na frente porque
a compra era pequena. A minha não permissão, dizendo que ele fosse para os caixas de
pequenas compras, teve a reprovação da senhora à minha frente, tendo inclusive ficado
com pena do “bichinho, tão poucas compras”, como ela argumentou.
Ao dirigir-me para o carro, vejo um veículo branco, alto, estacionado na faixa de
pedestres, certamente esperando que “a autoridade” voltasse com as compras feitas.
Mostrei o desrespeito a um “segurança” que fica numa porta, recebendo como resposta
que não é sua atribuição impedir aquele procedimento. Colocando as compras no carro,
vejo que na vaga de gestante começa a entrar um veículo e, ressabiado, fiz uma “cera”
para sair aguardando quem desceria do carro. Um rapaz musculoso, de boné, cheio de
tatuagens, único ocupante do veículo, desce falando ao celular com aquele “ar de quem
pode tudo” porque sou “o cara”. Se ele já pode estar, sou um ignorante da modernidade.
É claro que o erro está no berço, passando pela permissividade de não
reivindicarmos nossos direitos. Por que o tempo de espera de quem vai para a praia é
mais importante que o meu? “Guardar lugar” em fila de loteria, de supermercado, de
banco, isso só existe em nosso país. Esse registro foi de um dia, mas esses fatos
acontecem todos os dias. O povo é mal educado porque o discurso da valorização da
educação não aparece nos índices comparativos internos e externos e não quer dizer
apenas presença em sala de aula. Dos que não cumprem as leis, só os “inimigos” são
fiscalizados. Não se cumpre o que foi assumido em juramento numa formatura ou
quando se assume um cargo público.
Se todo poder emana do povo, como está no Parágrafo único do Art. 1º da nossa
Constituição, vamos dar poder ao povo. Que se implante uma lei em que o povo, até
mesmo no anonimato para evitar maiores conflitos, seja o fiscal dessas faltas de respeito
com a cidadania. Hoje, praticamente todo mundo utiliza celular, que pode fotografar
essas irregularidades e entregar no órgão público competente para aplicação da
respectiva multa. Esses recursos seriam endereçados, exclusivamente, sem desvios para
outras finalidades, para retirar essa população de rua que vive abandonada pela falta de
respeito do poder público com seus cidadãos.

coluna BARTPAPO

Tribuna hoje

QUE TAL RENASCER?

Geraldo Câmara 19 de janeiro de 2024

   

Não, gente! Não estou fazendo divulgação de nenhuma novela, não. Estou falando de um renascer de verdade. Estou falando na disseminação de um costume que precisa ficar arraigado na consciência de todas as pessoas que desejem ver um mundo melhor para si e para todos. O mundo, este mundo que conhecemos só pode ter nascido realmente das mãos de Deus que, não contente ainda fez essa beleza de Universo que avistamos da nossa Terra e que é só um pedacinho no meio do grande infinito que está nos céus. Então, fomos criados, evoluímos, continuamos evoluindo, mas ao mesmo tempo vamos destruindo esse fantástico trabalho. Com nossas próprias mãos vamos fazendo o nosso pequenino e humilde planeta morrer aos poucos. Não sei se por nosso egoísmo, não sei se por sabermos que nosso período por aqui é muito pequeno e queremos aproveitar ao máximo sem dar a troca, mas o fato é que estamos destruindo vagarosamente o meio ambiente que nos cerca e em paralelo acabando com uma geração ou com futuras gerações.

Renascer? Renascer como? Das cinzas que ficarem por esta terra que está inundando, que está devastando a riqueza das florestas? Renascer sem aprender que é preciso criar uma nova mentalidade e que isso só será possível se o que resta de nós enquanto seres humanos é tentar plantar a semente de uma nova e revolucionária civilização que já nasça entendendo a situação vigente neste mundo de meu Deus? E reparem bem. O mundo que é nosso. De mais ninguém, pelo menos por enquanto. È dele e com ele que vivemos, que criamos nossos filhos, que promovemos o progresso. É dele que tiramos nosso sustento e é a ele que devemos o ar que respiramos.

Então, cabe a nós, somente a nós encararmos o processo de renascimento. Primeiro o nosso próprio, sentindo na pele o poder que temos de nos refazermos em todos os sentidos. Segundo, espalhando a semente do renascimento como se estivéssemos agricultando cada pedacinho do nosso planeta dentro de nossas consciências. Utópico, dirão alguns. Longe de nossa realidade, dirão outros. E ambos estariam com a razão se não começarmos, pelo menos. E começarmos com o lançamento de uma ideia louca e absurda como esta, mas que pode funcionar como um germinar que um dia poderá florestar nas cabeças de muitos. Se já não temos como fazer o trabalho por inteiro, vamos pelo menos plantar na cabeças das crianças e dos mais jovens que nossa missão não se resume mais apenas em nascer, mas sobretudo em renascer. Em fazer com que a educação chegue aos principais rincões do mundo e de maneira modificada ensinando que não estamos aqui para continuar, mas sobretudo para modificar o que já está por aí. E quando se pensar em mudar o mundo é preciso entendê-lo como um todo. Entender sobretudo quem está nele. Como é a sociologia do hoje e como poderá ser a do amanhã. Entender como se pensa em todos os rincões da terra e que tipos de ideias acompanham o crescimento ou decrescimento deste planeta.

No princípio tudo deveria ser profundamente natural. As pessoas, quando passaram a existir devem também ter passado a conviver entre si. O caráter de cada qual deve ter influenciado na criação mínima da sociedade primária e o aproveitamento do que lhe era oferecido de maneira natural e já começando a ser ameaçado por eles próprios. Civilizações mais à frente e as coisas já estavam se modificando de modo significativo e em ritmo crescente. E, então podemos imaginar que também não foi fácil construir e chegar ao mundo de hoje. Reconstruir, refazer pensamentos, tudo isso é uma missão quase impossível, mas minimizar os efeitos do que chamamos progresso e aprender a usar os instrumentos desse avanço de forma ordeira e sem agressão ao mundo natural, isto sim, poderá ser bastante difícil, mas não impossível. Não queremos voltar ao princípio do mundo. Não queremos retroagir em nossos progressos, mas acreditar que podemos avançar, o que será uma dolorosa missão com final feliz, buscando o renascimento da convivência entre todos os seres humanos e o nosso querido planeta Terra. Pensemos nisso com e pelas novas gerações.

FOTONOTAS


 ÁLVARO MENEZES – Falou em saneamento básico, em estrutura para tal fim, em estudos avançados do assunto falou Álvaro Menezes. O homem que já esteve à frente da Casal e que tem uma vasta experiência no assunto tem se dedicado a ele a nível nacional e se projetado como uma das maiores autoridades no assunto. Seus escritos são lidos e comentados por todos os que se interessam por este importante tema que precisa ser cuidado diligentemente para que não aconteçam problemas como o das recentes enchentes no Brasil. Álvaro é o cara e sabe de tudo.


JORGE MORAES – Pense num cidadão ímpar, não só no seu mister que é o esporte como na educação e na comunicação. Senhor de uma imensa sabedoria esportiva, sobretudo como analista e comentarista, Jorge colocou seu nome entre os grandes do esporte por aqui e o estendeu para a querida CESMAC onde desempenha a muitos anos o papel de diretor de comunicação. Com maestria, sabedoria e simpatia consegue exercer as duas funções e alcançar excelentes índices de satisfação por onde passe. Além do mais, Jorge é meu amigo, tá?

PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)

Cuidado com as curvas do caminho. Na vida elas podem ser fatais.

ALERTAS DO DIA

* Recebi uma interessante informação sobre o como retardar ou até afastar as hipóteses de se ter Alzheimer e outras doenças de nível cerebral. A receita está na língua. Disse a nota: todo dia pela manhã poste-se diante do espelho, estire a língua o máximo que puder e passe a fazer movimentos com ela para a direita e para a esquerda. Procure fazer tais movimentos pausadamente mas com absoluta segurança e verificará que dias após a sua memória estará melhor, seus movimentos também e o sono será bem mais tranquilo e eficiente. Se é verdade eu não sei. Mas não custa nada.

* O exame do ENEM, cujo resultado foi divulgado esta semana é de uma enorme importância neste país que precisa de bons profissionais para que consiga seu desenvolvimento em níveis cada vez mais eficazes. Sem educação não vamos a lugar nenhum, mas é preciso também que se cuide da base educacional porque chegar aos cursos superiores sem melhores embasamentos também é um grande problema. Essa questão deve ser a grande dor de cabeça, no bom sentido, de qualquer governo que tenha a consciência da sua importância.

* O programa vitorioso da Globo – gosta quem quer – BBB, tem mostrado alguns aspectos sociais que precisam ser enfrentados pela sociedade brasileira que deve tentar definir rumos de comportamento também. Um desses aspectos é a análise que tem sido feita por participantes, por exemplo, das condições de corpo de uma participante que por sinal é sumamente conhecida. Não me parece que este tipo de comentário leve a que os comentaristas de plantão subam em seus pontos e cheguem à final. O que se comenta deve ser revisto também.

* Os meses de janeiro e fevereiro são tipicamente meses de férias escolares, de carnaval, acabam sendo de férias também para os adultos, enfim, meses onde a produtividade cai para alguns setores e sobe fantasticamente para outros. É preciso que a economia seja estimulada cada vez mais e que, sobretudo aqui em Alagoas, a cadeia produtiva do turismo tenha a importância que lhe é devida. Estímulos que partam do governo do Estado e de prefeituras são de suma importância para que a engrenagem fique totalmente azeitada e produtiva.

POR AÍ AFORA

# Um míssil atingiu esta terça-feira um cargueiro grego ao largo da costa do Iémen, um dia depois de um ataque semelhante a um navio norte-americano reivindicado pelos rebeldes xiitas iemenitas Huthis, informou uma empresa de segurança britânica privada. A informação foi lançada pela empresa de segurança britânica Ambrey e confirmada pelos serviços de operações de comércio marítimo do Reino Unido (UKTMO), que comunicaram um “incidente” a 100 milhas náuticas da localidade de Salif, no Iémen, sem dar mais pormenores.

# A “cobra vai fumar” como se dizia na época da II Guerra Mundial mas é em outro tipo de guerra e que já está acontecendo com as primeiras batalhas nos Estados Unidos. Trump entrou nessa de querer ser presidente de novo e já venceu a primeira em Iowa, o estado onde começam as primárias para a escolha do candidato de seu partido. Isso não quer dizer que vai ganhar a guerra, mas deu um passo grande para ser o indicado do partido. No entanto, com os processos que existem contra ele em andamento pode ser que a “cobra” realmente fume pelos lados de lá.

# O grande problema, ou melhor o maior ainda, nesta guerra de Israel com Gaza é o perigo de extensão dela por todo o Mar Mediterrâneo com inclusão de todos os países Árabes e ninguém está de brincadeira. Por enquanto as coisas estão limitadas a ameaças, um ou outro míssil sendo lançado por todos os lados e aí realmente é que a coisa pega porque não se sabe até que ponto são ameaças com fins de proveito da própria guerra ou se estão já na verdade dos fatos. Na realidade são todos muito agressivos e poderosos. Portanto, toda a cautela ainda será pouca.

ATÉ A PRÓXIMA

Amanhã, sábado é dia de “BARTPAPO com Geraldo Câmara”. Na BAND, canal 38.1 aberto, NET CLARO, canais 18 e 518, BRISANETE, canal 14, VIVO, canal 519, das 9 às 10h da manhã. Em Arapiraca, 45.1 e OOPS 10. Assista também pelo Youtube no canal “Programas do Geraldo Câmara”. Fale conosco pelo geraldocamara@gmail.com ou pelo Whats’App 82 99977-4399

BARTPAPO COM GERALDO CÂMARA

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Jornalista, apresentador do programa Bartpapo na Band Maceió e Diretor de Comunicação do Tribunal de Contas de Alagoas

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