Autor: Geraldo Câmara
Ouvidor Geral 11-05-2020
E POR QUE NÃO MUDAR AS ELEIÇÕES?
O calendário das eleições é previsto na Constituição Brasileira, portanto para se pensar em mudar a data ou as datas de suas realizações será preciso uma PEC que assim o determine. No entanto, principalmente agora que o país após a pandemia irá enfrentar uma crise econômica queira ou não queira, o adiamento poderia ser previsível e até salutar para o presente e para o futuro. E, como até para adiar por dois meses há que se mexer na Constituição por que não se pensar em uma fórmula mais plausível que seria a de unificação das eleições em 2022? Não apenas para o processo atual, mas para que ficasse em definitivo como eleições gerais unindo todos de uma vez só. Sim, mas argumentam alguns que os atuais prefeitos e vereadores teriam seus mandatos prolongados por mais dois anos. E daí? (expressão na moda) Muito mais barato para os cofres públicos e até oportunidade para que em dois anos possam os prefeitos principalmente se refazer dos tumultos econômicos provocados pela pandemia. Particularmente sempre fui a favor das eleições gerais e unificadas. E se há uma oportunidade ímpar para que isso aconteça, quem sabe é chegada a hora? Mas como os meandros e os subterrâneos da política constituem-se em enorme mistério, talvez nem Sherlock Holmes desvende aquelas cabeças pensantes que a conduzem. Pensantes?
DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para o dinâmico Rafael Brito, Secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas que volta gradativamente às lides depois de passar pelo susto do Covid19. Ainda bem, amigo! Precisamos muito de você.
PÍLULAS DO OUVIDOR
Que as coisas vão voltar ao normal tenho certeza. Que o caminho percorrido foi doloroso e o a percorrer ainda o será não tenho dúvida. Mas não podemos jogar fora o que já fizemos. Continuar a luta, em casa, na medida do possível levará à vitória.
Que a outra luta para recuperar a economia do país será imensa também não tenho a menor expectativa do contrário. Essa precisa ser planejada com cuidado para não ceifar mais vidas e saber mudar conceitos sem teimosias.
Mudar conceitos é saber, por exemplo, que o mercado consumidor mudou e que vai mudar ainda mais. Saber que os investimentos no país terão que ser reformulados e que a política de comércio exterior também mudará.
Não poderemos nos esquecer que a pandemia é mundial e que, tanto nós no Brasil quanto os outros países, todos sofreremos modificações de mercado nas nossas políticas de importações e exportações e a guerra estará exatamente aí.
Na política interna da recuperação de empregos acho que deveremos pensar num efetivo planejamento de associativismo integrado, cooperativismo planejado, fixação das famílias aos seus lugares de origem estimulando a economia criativa.
Para isso será preciso que o governo tenha a conscientização dessa necessidade, que trace um mapa vocacional do país valendo-se dos valores e habilidades de cada região e de cada município buscando estimuladores de renda cooperativa.
Esperar às vezes pelo federal poderá ser traduzido em “emperrar”. Por isso o plano em questão é tão versátil que qualquer município poderá fazê-lo ou qualquer estado de per si.
Isto sim poderá e deverá ser pensado ainda durante esses períodos de quarentena porque adiantará a questão da empregabilidade ou da manutenção de renda básica para essas famílias.
Tenho publicado este plano em livro e o tenho discutido há mais de vinte anos. Só que agora, o fator mais importante da empregabilidade talvez o resgate como uma solução que não será emergencial, mas como política definitiva da dignidade do ser humano.

O querido e festejado alagoano, Humberto Martins (foto) que por aqui já foi Procurador Geral do Estado e Desembargador assume agora as difíceis funções de presidente do STJ, o Superior Tribunal de Justiça do país. Parabéns, amigo!
ABRAÇOS IMPRESSOS

O meu abraço fraterno vai para o vice-governador Luciano Barbosa que já driblou a Covid19, graças a Deus! E, através dele abraço a todos os que estão conseguindo superar esse terrível mal, incluindo-se o próprio governador Renan Filho.
Ouvidor Geral 04-05-2020
CEM ANOS DEPOIS
“Abrigados em trincheiras, os soldados enfrentavam, além de um inimigo sem rosto, chuvas, lama, piolhos e ratos. Eram vitimados por doenças como a tifo e a febre quintana, quando não caíam mortos por tiros e gases venenosos. Parece bem ruim, não é mesmo? Era. Mas a situação naquela Europa transformada em campo de batalha da Primeira Grande Guerra Mundial pioraria ainda mais em 1918. Tropas inteiras griparam-se, mas as dores de cabeça, a febre e a falta de ar eram muito. graves e, em poucos dias, o doente morria incapaz de respirar e com o pulmões cheios de líquido”
Fonte: Fundação Oswaldo Cruz.
Pois bem! Hoje só não temos a guerra, mas o relato da terrível “gripe espanhola” nos dá bem a noção do que estamos passando, do perigo que nos ronda ainda que sabendo que estamos cem anos à frente e que toda uma tecnologia da saúde pode nos ajudar. Só que as estatísticas demonstram que os sistemas vão falir e não vão agüentar. Única solução realmente é o isolamento social, coisa que, em plena guerra em 1918 não se podia fazer. Sou absolutamente a favor do “fique em casa”, pelo menos estaremos contribuindo para barrar o avanço deste terrível vírus.
DESTACÔMETRO

O destaque vai para o prefeito Rui Palmeira, agora afinado com o governo do estado e buscando soluções para que Maceió não entre em colapso no seu sistema de saúde. Tarefa hercúlea!
PÍLULAS DO OUVIDOR
E as brigas continuam. Os que acham que são os “reis da cocada preta” querem brigar até com cientistas, com gente renomada que está vendo o que pode acontecer com as vítimas dessa terrível doença.
O novo Ministro da Justiça que tem um assustador olhar vampiresco ainda não disse para o que veio. Aliás, ele ainda não disse nada a não ser de que está examinando os dados e vendo onde a coisa vai dar. Observando. Nós também.
Enquanto o Mandetta deixava a sociedade a par de todos os passos oficiais e não oficiais, esclarecedores quando ao andamento da questão, o cidadão que foi pinçado para ser ministro nos deixa inteiramente ignorantes.
A sorte ainda é que temos jornais e telejornais que pesquisam mundialmente, que vão atrás dos dados, que nos informam também que a coisa está ficando feia, mas o governo diz muito pouco a não ser das brigas presidenciais.
O fato e esse é inegável é que o “coronavírus” avança célere, infecta mais gente a cada dia e provoca mortes em cima de mortes provocando o colapso também do sistema funerário que não esperava pro tal tragédia.
Em Alagoas, a cúpula do governo foi infectada. Seus principais membros estão com positivo para Covid19, mostrando que todos temos que ter cuidados e que esse danado atinge a todos nós de maniera bsolutamente indiscriminada.
O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, lançou o Plano Nacional de Contingência para o cuidado às Pessoas Idosas em Situação de Extrema Vulnerabilidade Social. Bom! Mas será?
E o Senador Rodrigo Cunha disse: “Uma das contribuições que o Legislativo pode dar neste momento de pandemia é aprimorar os instrumentos de fiscalização e governança dos gastos públicos direcionados ao enfrentamento da emergência sanitária gerada pelo coronavírus”. Assim esperamos.

Já vamos para o quinto Bartpapo diretamente de casa e usando os sistemas “on line” para que os nossos convidados também sem sair de casa estejam conosco. Na foto, a presença esclarecedora de George Santoro, o Secretário da Fazenda de AL.
ABRAÇOS IMPRESSOS

Quem pensava que a Lei Seca ia parar porque o movimento de carros diminuiu e as ruas eram para quem quisesse, inclusive para os alcoolizados, se deu mal. Quem sabe e recebe nossos abraços é o seu Coordenador, Emanuel Costa.
Bartpapo – 02/05/2020 – Especial Casa 4
EFEITO CORONA
Geoberto Espírito Santo – GES Consultoria, Engenharia e Serviços
Em eletricidade, efeito corona é o resultado do contato intenso e elevado de um campo elétrico com partículas de ar, umidade ou poeira, e que emite uma luz sempre que são ionizadas. É comum verificarmos esse efeito nas linhas de transmissão (LTs) e, a depender da polaridade do potencial elétrico, pode ser positivo ou negativo. É visualizado em LTs expostas a chuva e garoas, podendo progressivamente danificar seu isolamento e causar grandes prejuízos com o desligamento repentino. É também conhecido como Fogo de Santelmo, o santo padroeiro dos marinheiros, porque antigamente costumavam observar essas luzes nos mastros dos navios, já que as nuvens induziam cargas elétricas nos mesmos e isso era uma indicação de tempestade.
Mas o efeito agora é o do coronavírus, afetando diretamente a economia e o processo de globalização, e que não deixará ilesos os setores energéticos do Brasil e do mundo. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já prevê para este ano uma retração em torno de 1,5% no PIB mundial. Cairia de 2% para 1,4% nos EUA, perderia 1,4% na China e limitava em 0,6% o da Europa. No Brasil, os economistas apostam que, dos 2,2% projetados, deverá ficar em torno de zero. Os prejuízos no mundo já são enormes: US$ 113 bi no setor aéreo, US$ 7 bi na navegação, US$ 5 bi na indústria do cinema e de US$ 1 bi nos eventos. Para a OCDE, pode chegar a uma redução de 15% nos investimentos diretos, ou seja, um volume perto de US$ 1,4 trilhões que deixará de gerar riqueza.
Crescimento econômico está intimamente ligado ao comportamento da demanda de energia, que o diga o índice elasticidade consumo de energia/renda, impactando o planejamento, o investimento na energia a ser gerada, transportada, contratada por tarifas ou preços, voltando seus reflexos no bolso dos consumidores e no balanço das empresas. Nesse cenário, e sem acordo entre a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Rússia (produz barril de óleo a US$ 20) para cortar produção e equilibrar os preços, surgiu o “cisne negro”. A Arábia Saudita, que produz petróleo a US$ 10/barril, passou a vende-lo em torno de US$ 27, uma ameaça ao óleo e o gás natural do pré-sal, pois os custos da Petrobras estão entre 20 e 30 dólares o barril.
O efeito coronavírus na carga de eletricidade em vários países são de queda, já registrada pela consultoria Thymos Energia na comparação de março/2020 em relação a março/2019. Na França (-20,4%); na Itália (-12,3%); no PJM, maior mercado atacadista nos EUA (-9,4%); em Portugal (- 5,4%) e na Espanha (-3,9%). Apenas na Alemanha o registro é positivo em 0,5%. A China, onde parece que tudo começou, não é citada pela inexistência de dados oficiais de consumo de energia elétrica em tempo real. No caso do Brasil, a consultoria apontou resultados em 4 (quatro) cenários: a) Otimista (-1,6%); b) Moderado (- 4,4%); c); Pessimista (- 8,4%); d) Catastrófico (-14,3%). Vale salientar que estudos dessa mesma Consultoria, feitos antes do coronavírus, era de um crescimento entre 3% e 4% nesse ano.
Um dos indicadores que pode ser afetado diretamente, e que é de vital importância na modelagem de modernização do setor, é o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças), pois depende do ritmo do consumo, da meteorologia e do nível de carga que é estimado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Já vem registrando o patamar mínimo regulatório de R$ 39,68/MWh em dois submercados, tendendo a ficar assim nos próximos dois meses. No que se refere aos impactos do coronavírus no meio ambiente global, são positivos. Segundo estudos do Centro de Pesquisa de Energia e Ar Limpo (CREA), com sede nos EUA, fez com que a China emitisse 25% a menos de dióxido de carbono, quando nas últimas três semanas foram 150 milhões de toneladas métricas de CO2 a menos que no mesmo período no ano passado. Fazendo uma comparação, esse volume equivale a todo o CO2 que a cidade de Nova York emite por ano.
Naquela tese que temos de reduzir drasticamente as emissões de CO2 para salvar o planeta para as próximas gerações, por um lado registramos o avanço quase que exponencial das fontes renováveis em todos os países e, no outro, informações que as emissões de CO2 não baixaram, e até aumentaram, segundo o objetivo de quem dá a notícia. É claro que a frase acima dá uma bela tese a ser desenvolvida e muitos debates em função da visão de cada um em relação aos diferentes ângulos da questão energia x meio ambiente.
Em prisão domiciliar, com tempo para pensar no que se é, no que se tem e no que fazemos na vida, recorro aos livros de James Lovelock: A Vingança de Gaia (2006) e Gaia-Alerta Final (2009), para nessas linhas simplificar, e talvez até generalizar, uma conclusão. Vale salientar que Gaia é uma deusa da mitologia grega, um nome utilizado como metáfora para a Terra Viva. Lovelock é um pesquisador independente e ambientalista que nasceu em Letchworth Garden City, no Reino Unido, e hoje, com 100 anos de idade, vive em Cornualha, oeste da Inglaterra. Tem outros livros em inglês, que não foram traduzidos para o português, e mais de 200 artigos científicos publicados.
Lovelock sempre trabalhou com uma visão holística da vida e da evolução no planeta. Suas teses, no início, sempre foram muito criticadas, como a de que “organismos vivos modificam seu ambiente inorgânico de maneira favorável à sua sobrevivência, formando um sistema que funciona de maneira semelhante a um único organismo vivo”. O cientista argumenta que a Terra já viveu e conseguiu escapar de fenômenos extremos, como foi o caso das eras glaciais, e coloca sempre a pergunta de como a humanidade pode ajudar a regular os sistemas materiais da Terra.
Deixo para reflexão a questão de uma crise, tipo essa do coronavírus, como uma resposta da própria natureza das coisas na resolução de problemas que o homem não conseguiu resolver. Em resumo, a tese de Lovelock é que, cabe ao homem a sua autopreservação por meio de atitudes urgentes e com humildade diante da potente Gaia.