COMPLEXIDADE E DESAFIO

Esse 2018 será complexo e cheio de incertezas para os negócios no setor elétrico brasileiro. Temos um cenário com os reservatórios em níveis baixos, forte expansão das fontes intermitentes, o nosso Nordeste com as dificuldades de sempre e uma previsão de predomínio da bandeira vermelha. Portanto, a operação do sistema será um desafio pela complexidade que esses fatores, juntos, representam.

Na Região Norte, 2018 será melhor que no ano passado, pois são boas as previsões de geração nas usinas do Rio Madeira no período úmido. O reservatório da UHE Serra da Mesa, importante elo da interligação Norte-Sul, deverá ter uma boa recuperação. No Nordeste, as hidrelétricas da bacia do São Francisco vem registrando queda nos níveis de armazenamento há 20 anos, fato que se agravou em 2013. Não se espera chuvas em abundância nesse ano e deve-se levar em conta que no Velho Chico a água também vai para seus usos múltiplos, como o abastecimento humano, animal e agricultura. Portanto, teremos uma operação mais voltada para a segurança hídrica do que para o suprimento energético. Atualmente, das seis turbinas de Sobradinho, duas estão operando e das seis de Xingó, apenas uma, pois a vazão que era de 1.300 m3/s passou a ser de 550 m3/s. Existem 405 parques eólicos no Nordeste e a expectativa é que os ventos continuem com bom desempenho, que resultará num alto fator de capacidade. Com essa forte dependência dos ventos, os modelos de previsão devem ser aprimorados, ainda porque começam a operar usinas solares, mesmo que essas apresentem uma incerteza menor.

No Sudeste registrou-se em 2017 a segunda pior marca de sua série histórica e o despacho térmico será necessário, mesmo com mais turbinas de Belo Monte entrando em operação. Para a recuperação dos reservatórios, seria importante que no período de chuvas as térmicas permanecessem ligadas, mas dificilmente isso ocorrerá. Com a liberação para operação do linhão Belo Monte-Sudeste, a hidrelétrica de Tucuruí poderá transferir mais hidroeletricidade para o Nordeste, não só evitando o maior uso de térmicas como também podendo poupar água nos reservatórios do São Francisco.

A ANEEL modificou os critérios de acionamento das térmicas, que agora vão considerar também as perspectivas de armazenamento dos reservatórios, o que pode trazer preocupações operacionais ao fim do período úmido. Para quem comprou mais ou menos energia e precisa recorrer ao mercado spot, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) para esse ano deve ficar entre R$ 40/MWh e R$ 550/MWh. Nos temas diretamente ligados à comercialização de energia, estão o GSF (Garantia Física) e a descotização. Esperava-se que a Medida Provisória nº 814, de 28 de dezembro de 2017, apresentasse uma proposta para resolução de uma judicialização que já chega aos R$ 6 bilhões e a situação tende a se agravar a depender dos volumes de chuva. A questão da descotização das usinas hidrelétricas e em quem será alocado o risco hidrológico, terá reflexo nas tarifas, na abertura do capital da Eletrobras e na ampliação do mercado livre, cuja normatização também aguarda um Projeto de Lei ou até mesmo uma Medida Provisória, um embate com o Congresso em qualquer uma das escolhas.

Tudo isso com um pano de fundo de julgamentos na Lava Jato, Carnaval, Reforma da Previdência, desincompatibilização de ministros, Copa do Mundo e eleições gerais. Ôba! Que bom que temos mais problemas, pois nos ajudam a buscar soluções e evoluir.

Geoberto Espírito Santo

Personal Energy da GES Consultoria, Engenharia e Serviços

Ems04220813

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