“HUMANOLOGIA, A TECNOLOGIA QUE NÂO PODE FALTAR”

Dra. Carla Pachêco, médica Intensivista e escritora, autora da série de livros Perfume de Hotel.

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Parafraseando o escritor quando ele diz “Ah, se todos os erros fossem licenças poéticas”, eu diria: Ah, se todos fossem contaminados por essa tal de humanização.

Quando a vida real começa, e uma hora é inevitável que comece, quando a realidade confronta o sonho, o significado das escolhas que fizemos irá transparecer generoso ou cruel, como um fardo ou uma benção, evidenciando sem disfarces quem selecionou seu roteiro com a convicção de que quer ser protagonista, daquele que preferia estar fazendo outra coisa. Qualquer coisa.

Não resta dúvida de que quem não se sentir recompensado por fazer o bem, sem olhar a quem, não deve exercer qualquer profissão que imponha a relação cotidiana com pessoas. Menos ainda aquelas fragilizadas pela doença.

Como diz o filósofo Mario Sérgio Cortella: “O que importa é saber o que importa”.

Gostar de gente, eis a questão!

Medicina é ciência e arte. Uma ciência não exata, em que um mesmo problema (doença) pode levar a vários resultados; e é a mais bela e a mais difícil de todas as artes, aquela que exige de nós sabedoria, porque mesmo quando tudo parece óbvio, pode não ser; que exige de nós uma atuação ética e atitudes equilibradas, mesmo com as nossas emoções sendo tocadas; que exige de nós uma doação diária, sem nos deixar extinguir.

Vivemos tempos modernos, tempos de avanços impressionantes no campo da tecnologia. E na contramão do casamento bem-sucedido da tecnologia com a ciência, aprimorando a técnica, temos o distanciamento da tecnologia com a arte, afetando drasticamente a forma das pessoas se relacionarem, contribuindo para o processo de (des)humanização.

A técnica é livre de pudores, se despe para todos aqueles que se esmeram na aprendizagem. Então, odetalhe está no que sobra da técnica. Arte! A arte é que faz o detalhe, e é no detalhe que reside toda a diferença.

Se habilidoso, se bem instruído e bem treinado, um médico pode vir a exercer seu papel com eficiência e obter o resultado esperado frente à escolha da técnica a ser empregada na sua abordagem caso a caso, mas o fato é que isso nem de longe quer dizer exercer a medicina com maestria.

Citando Dr. JJ Camargo: “é essa tal de humanização que qualifica, que distingui o artista, aquele que é mestre do ser humano comum”.

O técnico sabeidentificar o problema e se valer da tecnologia para solucioná-lo. Mas é o artista que sabe reconhecer o momento, que sabe perfeitamente do que os pacientes realmente necessitam. É o artista que os faz sentir confortáveis, seguros e com esperança; que dominaa arte de consolar; que é capaz de sentir empatia.

Qual especialidade devo fazer? Antes de tudo o médico precisa ser especialista em gente. Médico de homens e de almas.

Sensibilidade, empatia, uma forma diferente de cuidar… o que vai na essência, ou seja, que está na substância do ser e que, portanto, não pode ser fabricado… um elemento poderoso que surge e é capaz de imprimir no outro uma marca que não irá se apagar.

Ainda que a vida siga um rumo diferente daquele que idealizamos para nós, ainda que não nos seja possível reinventar um capítulo da nossa história ou alterar seu desfecho, há muitas maneiras de sermos salvos.

Pena que muitos não compreendam, e tantos outros nunca cheguem a compreender, que a HUMANOLOGIA seja, sem dúvida nenhuma, uma delas, tanto para quem a recebe quanto para quem a pratica.

Como bem escreveu a Martha Medeiros: “o amor virtual é legal, mas o teclado ainda não dá conta de certas sutilezas”.

A medicina de excelência só é possível quando conjugamos sutilezas e detalhes.

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