BARTPAPO presencial – 16-04-2022

Convidados:

Arthur Freitas – prefeito de Santana do Mundaú

Walmir Gomes – vereador por Maceió

Daniel Salgueiro – advogado tributarista

Ouvidor Geral 18-04-2022

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 18-04-2022 – Geraldo Câmara

UMA CORRIDA CONTRA O TEMPO

Vivemos uma grande corrida contra o tempo.

O tempo que precisamos para recuperar a moral, os bons costumes, os velhos tempos onde o respeito pelos pais, pelos mais velhos, pelos princípios de família, pelo país, pelo presidente , pela bandeira, pelo hino nacional eram seguidos como regra e como conceitos básicos para a formação do caráter de quem quer que fosse.

Mas, hoje, os tempos mudaram. E para muito pior. Hoje, as regras inexistem, a moral decolou ladeira abaixo, a autoridade constituída se fez desrespeitar e, cada vez mais distante vai ficando o tempo em que a nossa educação era forjada com o rigor que nos dá saudade.

Agora, pensemos: ainda somos uma geração que foi educada para a vida de uma maneira mais correta e mais segura e, por isto, ainda tentamos passar para os nossos filhos os nossos princípios e as nossas regras. Mas eles, eles não conseguem mais agir da mesma maneira até porque são encostados na parede pela mídia abusiva, pelos exemplos constantes na tv, nas novelas e na grande história sem história da política brasileira.

Então, é preciso correr. É preciso buscar fórmulas de não se permitir que a degradação moral da sociedade brasileira invada todos os lares brasileiros. É preciso lutar para que os nossos netos sintam que o caminho do mundo foi de regressão e que os rumos deles precisam ser mudados para a geração deles e para as futuras.

É preciso correr contra o tempo implacável que, aliado à tecnologia, está destruindo conceitos de brasilidade, de patriotismo e, sobretudo, de família.

Não sou saudosista e nem acho que o mundo precisa regredir ao do nosso tempo de criança e de jovem. Mas sou realista a ponto de entender que, como está não pode ficar.

E que, os jovens, só eles, agora podem enfrentar este tempo incerto da política brasileira.

DESTACÔMETRO

O destaque vai para o advogado tributarista e contador, Daniel Salgueiro que nessa época do ano vê seu escritório “Controle” lotado de serviços visando a declaração de imposto de renda. Para quem recorre a Daniel, as coisas acontecem muito bem.

PÌLULAS DO OUVIDOR

Estou no mato. Em um gostoso sítio em Chã Grande, em Pernambuco. Passando a Semana Santa longe do burburinho e recordando meu tempo de criança quando no Rio fugíamos da cidade para viver as delícias do Campo em nosso sítio de São Gonçalo.

E ainda hoje imagino que deve ser bom o alienar-se das agruras da cidade grande, do trânsito impetuoso, das discussões e da procura por produtos mais baratos, por uma vida mais aceitável sem condomínios e outras coisas que o campo não tem.

Com patrocínio do Governo de Alagoas, através da Secretaria de Turismo (Sedetur) e da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), o festival cultural Rota das Artes acontece de 18 a 24 de abril na Rota Ecológica, passando pelos municípios de Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo de Camaragibe, Camaragibe, ambas no Litoral Norte de Alagoas.

A briga Bolsonaro versus Lula vai se estendendo por todo o Brasil e o que já se vê é o afunilamento das discussões para que os partidos todos tentem uma união em torno dos dois nomes e com isso acabando com o princípio fundamental da democracia.

Em se tratando de eleição, o correto é que haja uma bela rede de candidatos com ideias próprias dando margem a que o eleitor faça valer o seu senso de escolha, de acordo com os princípios que tenham.

No entanto, o que está acontecendo e que vai acontecer até o fim das campanhas é essa radicalização cruel que nada ensina, sobretudo aos mais jovens eleitores e que pode estabelecer confusões de ruas as mais desagradáveis.

Um mosquito acabou de me morder e eu nem coloquei repelente. Piores são os mosquitos que estão mordendo os vaidosos que se sentem encorajados a enfrentar uma campanha política por motivos mais escusos do que verdadeiros. Aí tem! Sempre terá.

Nosso programa “BARTPAPO COM GERALDO CÂMARA” está completando 30 anos de existência ininterrupta no ar desde aquele dia que começou inovando na cidade João Pessoa. Só aqui em Maceió já temos 25 anos. Entrevistados no total cerca 28 mil.

Não sei ainda como vou comemorar com os entrevistados e com o nosso público. Estamos planejando mas que vamos, lá isso vamos. São 30 anos do Bartpapo e 61 anos de televisão desde que estreamos na extinta TV Rio, a fantástica emissora da época. 1961.Ah! Fazendo humorismo.

O jovem prefeito de Santana do Mundaú, Arthur Freitas (foto) esteve no Bartpapo e deitou falação sobre como administrar bem uma cidade com 11 mil habitantes com pouquíssimos recursos próprios. Arthur está no segundo exitoso mandato.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos vão para duas figuras públicas do maior valor: Josealdo Tonholo, Magnífico Reitor da UFAL e Renatinho, o fantástico prefeito do Pilar. Na foto com este colunista, momento de descontração após um Bartpapo com Geraldo Câmara.

Ouvidor Geral 11-04-2022

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 11-04-2022 – Geraldo Câmara

BRASIL SEM CULTURA

Parece que o nosso culto presidente assim o quer porque vetou na íntegra toda uma lei – a chamada Lei Paulo Gustavo – que visava contemplar atividades culturais em todos os mais de cinco mil municípios brasileiros. E repassaria 3,86 bilhões de reais do Fundo Nacional de Cultura para fomento de atividades e produtos culturais em razão dos efeitos econômicos e sociais da pandemia que assolou o país e prejudicou todas as ações durante todo esse período. O texto vetado foi batizado de “Lei Paulo Gustavo”, em homenagem ao ator e comediante que morreu em maio do ano passado, vítima da Covid-19. O veto será analisado agora pelo Congresso Nacional, em data a ser marcada. Deputados e senadores podem mantê-lo, confirmando a decisão do presidente, ou derrubá-lo. Nesse caso, o projeto seria promulgado e viraria uma nova lei. Gostaríamos que os deputados tivessem a verdadeira noção do que é se vetar cultura neste país. Um assunto que, paralelamente com a educação deveria fazer parte da agenda de todos nós. Um país sem cultura é um país sem braços e sem pernas. E aí, quando aparece uma lei que vai gerar recursos para melhores performances culturais, o presidente veta. Com a palavra os deputados deste país. Ano de eleição e a bola da imensa massa cultural do Brasil pode estar caindo nos seus colos. Aproveitem.

DESTACÔMETRO

O destaque vai para Daniel Sampaio, o jovem presidente do Procon AL e que vem desenvolvendo um belo trabalho de integração daquela instituição com a sociedade. O Procon está sendo expandido para todo o território alagoano facilitando assim a vida dos consumidores.

PÍLULAS DO OUVIDOR

A coisa está fervendo em todos os bastidores políticos do país e, como não poderia deixar de ser, aqui pela terrinha também. Profusão de candidatos a governador, dos mais conhecidos aos mais ilustres desconhecidos possivelmente aproveitadores de mídia.

Mas tem gente que consegue fazer isto mesmo. Se candidata ou consegue um partido pequeno para apoiá-lo e aproveita o Guia Eleitoral e outras coisas mais para fazer o nome que não fez. E próximas eleições já entra para cargos mais baixos e com melhor potencial.

Vejam, por exemplo o caso do cargo de senador que, em primeira instância nos mostra tranquilo para a conquista do ex-governado Renan filho, possivelmente enfrentado pelo atual senador Fernando Collor que precisa da reeleição. Pois está cheio de candidatos mirins fazendo nome.

Falar em Fernando Collor, tenho minha tese sem nenhuma aproximação ou conversa com o senador e ex-presidente da república. Acho que ele está se preparando para mudar o seu roteiro e entrar pra valer na disputa pelo governo. “Achômetro”, apenas. Mas, válido.

O prefeito JHC perdeu, pelo menos agora a possibilidade de sentar no cavalo selado e chegar ao governo do estado. Apeou dele, deu margem a Rodrigo Cunha e aposta todas as suas fichas futuras na administração que está fazendo em Maceió.

E o vice-prefeito Ronaldo Lessa, um nome respeitável e com folha reconhecida em todo o estado? Fica na vice, tenta um pulo mais alto agora ou aguarda novos horizontes? É cedo pra se falar, mas Ronaldo ainda pode ser um grande coringa na jogada deste ano.

O fato é que o jogo de xadrez está montado com algumas novidades como a futura chegada do governador tampão que tem todo o apoio do ex e a trupe do MDB, mas que vai ter que mostrar serviço durante os seis meses antes da eleição, já que será candidato à reeleição.

Enquanto isso a Assembleia Legislativa com a força que já tem passa a gerar muito mais watts do que se pensa. Marcelo Victor, superorganizado política e administrativamente sabe exatamente por onde caminham as ovelhas e vai tocando bem o seu rebanho.

Um assunto profundamente delicado, mas que foi levado ao ar no Bartpapo com a força da informação que tanto interessa aos telespectadores. Recebemos o diretor do IML, Diogo Nilo (foto), que conseguiu mostrar a todos a pujança daquele órgão tão delicado na vida e na morte.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos vão para a amiga Wilma Nóbrega, diretora do Arquivo Público, com louvor. Ela que já dirigiu o Sistema de Bibliotecas do Estado e que tem bastante intimidade com livros e documentos.

SOBROU PRA NÓS

GEOBERTO ESPÍRITO SANTO

GES Consultoria, Engenharia e Serviços

O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.” (Oscar Wilde)

Felizmente conseguimos sair da crise hídrica sem enfrentar mais um racionamento de energia elétrica. Mas o custo foi alto, tendo ultrapassado à casa dos R$ 100 bilhões que vai sendo repassado para os consumidores. Isso sem falar nos R$ 28,5 bilhões que o governo contabilizou em gastos com geração para segurança energética, importação de energia da Argentina e do Uruguai e geração adicional por causa das restrições operativas. Devemos colocar nessa conta os R$ 27,5 bilhões do risco hidrológico e R$ 40 bilhões que foram contratados no leilão emergencial. Deixamos de falar aqui na lei que autoriza a capitalização da Eletrobras que poderá custar R$ 80 bilhões, decorrentes de térmicas desnecessárias, reserva de mercado para pequenas hidrelétricas e prorrogação dos contratos do PROINFA (Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica).

Muitos desses custos, e outros aqui não citados, é repassado para todos os consumidores através da CDE (Conta de Desenvolvimento Energética), uma conta não muito transparente para nós que pagamos, que está calculada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) em R$ 30,5 bilhões para este ano. As tarifas de energia elétrica para 2022 deverão ter acréscimos não só pelo uso maior de térmicas, mas também para o pagamento de dois empréstimos: o da Conta- COVID, de R$ 14,5 bilhões, feito em 2019 e o mais recente, o da Conta-Escassez Hídrica. O montante para este último poderá ser em duas fases, sendo que a primeira já foi autorizada pela ANEEL em R$ 5,3 bilhões e, se necessário, chegar até R$ 10,5 bilhões, cujo reflexo na tarifa é de uma redução de 2,7%.

Criada no ano passado para custear a geração mais cara com o despacho térmico e com a maior importação de energia da Argentina e do Uruguai, a bandeira escassez hídrica não foi suficiente para suprir as necessidades das distribuidoras, mesmo levando em consideração o início das chuvas em novembro passado e o consequente aumento de volume nos reservatórios das hidrelétricas. Sua cobrança está prevista para ser encerrada no final de abril/2022, mas vai depender das condições hidrológicas, do crescimento da economia e dos reflexos nos preços dos combustíveis em função do que venha a ocorrer na guerra da Ucrânia. Portanto, nas tarifas de energia elétrica, além dos custos do sistema, vamos pagar juros bancários num momento em que a inflação está em alta, já chegando na faixa dos dois dígitos. O pagamento do primeiro empréstimo citado deverá se estender até 2025, e o outro até 2027, e que certamente irá pressionar para cima as contas de luz.

Agora os olhos estão voltados para 2022. A consultoria brasileira PSR, uma referência para o setor elétrico mundial, trabalhou com cenários e fez um cálculo mostrando que o risco de um racionamento neste ano está entre 2,1% e 8,8%, índices que são perfeitamente gerenciáveis, mas que exigem muita atenção e constante monitoramento. Uma das questões de maior preocupação para o risco de suprimento em 2022 será o uso múltiplo das águas, sendo a principal o hidrograma de Belo Monte que foi mostrado nas análises de sensibilidade. Caso seja considerado o “hidrograma Ibama” no rio Xingu, onde se encontra a hidrelétrica, os riscos de qualquer racionamento aumentam de 6% para cerca de 10%.

Além do uso múltiplo das águas, a PSR aponta ainda a disponibilidade dos equipamentos de geração e de combustíveis, o sistema de transmissão, manutenção do despacho térmico “forçado’ das térmicas a gás natural no período úmido de 2022 e o monitoramento da oferta. Certamente que as vazões são sempre fundamentais num sistema de grande participação da fonte hídrica e cita que afluências acumuladas desde dezembro de 2021 a abril de 2022, sendo acima de 80%, elimina qualquer possibilidade de risco de racionamento no pior cenário que foi traçado. Se nesse último período úmido tivermos afluências de 73% da MLT (Média de Longo Termo), o risco de um racionamento na demanda de até 5%, é de 4,5%. Nessa metodologia, em relação às passadas, a diferença foi a entrada nas análises de diferentes fatores de incertezas. Na criação dos cenários, a PSR utilizou dois modelos estocásticos de afluências: o oficial e um outro, representando o “novo normal” de secas mais frequentes e severas. Como já foi dito, nos cenários de entrada são considerados a nova oferta, alteração do hidrograma de Belo Monte, ações de flexibilização de restrições e a geração térmica fora da ordem de mérito.

Para que isso venha a ser evitado nos próximos anos, três coisas deverão ser feitas: limitar o uso de térmicas mais caras na geração de energia elétrica, não concentrar o pagamento de subsídios apenas no consumidor regulado e estimular a eficiência energética. Por serem de operação mais cara os combustíveis fósseis devem ser limitados, a depender, obviamente, do regime de chuvas, pois não há muita coisa a fazer no curto prazo. Os modelos de operação e comercialização devem ser revistos, colocando foco em uma tarifação progressiva, como por exemplo, a separação do custo de uso da infraestrutura do fornecimento de energia elétrica com preços diferenciados por faixa de consumo, pois nesse caso seria possível isentar os mais pobres e aplicar uma cobrança maior dos consumidores mais ricos. No que se refere à eficiência energética, desde 1985 foi criado o PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), mas os dados de redução do consumo apontam que houve um estacionamento desde 2017. No período de 2018 até 2020, o programa obteve ganhos maiores que 22 bilhões de kWh. Mas é sempre bom salientar que programas de eficiência energética são feitos para melhorar a competitividade econômica, não sendo adequados para resolver crises de falta de geração.

E assim vamos nós, um país pródigo que possui, praticamente, todas as fontes de geração de energia para a montagem de uma matriz elétrica sustentável e sustentada, com a 2ª tarifa mais cara do mundo, hoje perdendo apenas para a Alemanha. Diante desses números ficamos indagando se a economia brasileira está trabalhando para o setor de energia, quando o normal é o setor de energia trabalhar para a economia do país. Recentemente, o Congresso Nacional passou a legislar entrando em detalhes técnicos de mercado, que estão mudando cada vez mais rapidamente, e cedendo às pressões de diferentes segmentos do setor, termina beneficiando alguns agentes, aprofundando as ineficiências, inflacionando custos e deixando desamparado aquele que é o elo mais fraco da corrente: os consumidores. Vem aí o PL 414/2021, sobre a modernização do setor.