VORACIDADE ELÉTRICA

Geoberto Espírito Santo

Os analistas de energia sempre pensaram que o aumento da demanda global de energia seria impulsionado pela industrialização e pelo crescimento populacional, mas não é o que tem sido observado nos últimos dois anos. Esse impulso já dá sinais que as empresas de tecnologia serão esse carro-chefe, haja vistas o lançamento de complexas tecnologias como inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina. Essa tendência já foi confirmada em uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, que detectou 72% das empresas pesquisadas usando IA em pelo menos uma de suas funções comerciais.

Alimentar essas tecnologias complexas com energia não é simples. Uma solicitação feita por IA utiliza muito mais energia elétrica do que uma pesquisa típica pela internet. A Electric Power Research Institute, empresa de pesquisa para fins específicos, diz que uma solicitação feita através do ChatGPT usa 2,9 watts-hora, quando pela internet uma consulta tradicional gasta 0,3 watts-hora. Assim, se a IA passar a ser integrada a todos os aspectos de nossas vidas online, deveremos ter na próxima década um enorme crescimento da demanda de energia.

Os investidores globais em data centers estão ampliando a sua capacidade de processamento e armazenamento de dados para suportar o avanço da inteligência artificial no mundo. A IA e a inteligência artificial generativa (GenIA) vão aumentar em 160% o consumo de energia elétrica dos data centers até 2027, mas o que se avalia é que 40% deles estarão limitados pela disponibilidade de energia. As centrais convencionais atuais têm densidade de potência de 4 a 10 kW/rack e as futuras vão exigir 30 a 100 kW/rack. Nesse período, a projeção para eles operarem os seus servidores otimizados para IA vão demandar 500 TWh em 2027, o que significa 2,6 vezes mais do que o nível de 2023.

Existem dois tipos de instalação de data centers: inferência e treinamento. Os data centers de inferência são aqueles que possuem os algoritmos da IA para atendimento das interações dos usuários nos chats. Os de treinamento são aqueles responsáveis pelo recebimento e tratamento de todas as informações dos data centers de inferência, para aperfeiçoar os algoritmos e devolvê-los para que sejam tomadas as providências de modificações. Além de serem os data centers que demandam maior quantidade de energia, os de treinamento possuem outra característica fundamental: não requerem latência crítica, podendo assim serem instalados em qualquer lugar do
mundo, distantes dos usuários.

Até 2030, a demanda de energia por data centers nos EUA deve atingir 606 terawatts-hora (TWh), o equivalente a 11,7% da demanda total de energia naquele país. Essa demanda por energia em 2023 foi de 147 TWh e fez com que as grandes empresas de tecnologia passassem a fazer parcerias com as empresas de energia para desenvolver suas próprias fontes de alimentação dedicadas, deixando de lado as redes das concessionárias. A rigor, os data centers não podem ficar nem um segundo sem energia. Outro desdobramento dessa postura é que, tanto os governos como os consumidores, pedem diariamente que as empresas sejam socialmente mais responsáveis, o que pode impulsionar essas grandes da tecnologia a investir na capacidade de energia limpa para alimentar suas operações. Nos anos de 2023 e 2024 o setor de tecnologia foi responsável por mais de 68% dos 200 negócios de capacidade renovável.

Nos EUA há uma demora de 5 a 8 anos para haver a conexão na rede da concessionária e as agências reguladoras estão sugerindo que as empresas gerem a sua própria energia. A Microsoft tenta viabilizar a sua geração com gás natural e captura de carbono. A Google e a Amazon optaram pela energia nuclear modular. A startup chinesa HiCloud já inaugurou um data center subaquático, para gastar menos energia com refrigeração. Outras empresas de tecnologia estão estudando apoiar sua expansão em energia renovável, fazendo testes e dimensionando tecnologias de energias promissoras, geotérmica avançada, tecnologias eólicas e solares avançadas e energia hidrelétrica. O que ainda não está claro e se essas grandes empresas de tecnologia vão impulsionar os seus crescimentos em combustíveis fósseis, energias renováveis ou energia nuclear.

A energia consumida por um data center moderno pode fazer o suprimento de uma cidade com 80 mil consumidores. Na Europa, existe uma restrição para novas conexões de data centers, com a maioria dos países priorizando o consumo de energia pela população. Em Portugal, a solicitação é para 1,2 GW. Na Holanda o governo não permite instalações de data centers. Essa é uma grande oportunidade de curto prazo para o Brasil, pois temos uma potência instalada de 244 GW para uma demanda média de 85 GW e máxima registrada de 102 GW no 1º trimestre deste ano. A maioria dessa disponibilidade é de fonte renovável e energia de baixo custo, condições fundamentais que são observadas pelos investidores.

Atualmente, temos mais de 130 data centers em operação no Brasil e, segundo dados da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), temos uma base instalada de 800 MW e um planejamento para instalação de 1.659 MW, sendo que 186 MW já estão em construção. No Ministério de Minas e Energia (MME) existem pedidos de conexão à rede básica de 9 GW para cargas de data centers e os pedidos de conexão são nos estados de Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O eixo do poder está se deslocando dos produtores de petróleo e gás para países detentores de recursos e tecnologia das cadeias de valor de energias de baixo carbono.

O Brasil tem a maior disponibilidade hídrica do mundo, é o segundo maior produtor de energia hidrelétrica, segundo maior produtor de biocombustíveis, maior produtor de etanol de cana-de-açúcar, terceiro maior produtor de biodiesel, oitavo maior produtor de petróleo e reconhecido líder produtor e exportador de commodities minerais, domina o ciclo completo do enriquecimento do urânio, razão pela qual é posicionado como uma das principais potências energéticas do mundo. O PNE 2055 leva muito em consideração as mudanças geopolíticas como reflexo da aceleração da transição energética e o que se impõe no planejamento energético nacional é a necessidade de resiliência e segurança energética. (Valor Econômico, em 19/05/2025)

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

“Ouvidor Geral” para o jornal Novo Primeira Edição de 12-05-2025 – Geraldo Câmara

AGORA “HABEMUS PAPAM”

Sem demora, rapidamente, em 24 horas e cinco votações o novo Papa foi eleito. Com o pomposo e americano nome de Robert Francis Prevost, a Igreja Católica vê um cidadão norte-americano subir ao trono de Pedro com o novo nome de Papa Leão XIV. Seu antecessor em nome, Leão XIII teve uma visão demoníaca e em função disto intensificou a figura de São Miguel Arcanjo em proteção ao seu próprio papado. O agora eleito Papa traz todas as bênçãos, nasceu em Chicago, trabalhou em Boston e durante 10 anos no Peru e mistura bem os desejos latinos com as tradições italianas com as quais vinha trabalhando na maior proximidade com o Papa Francisco. É de se esperar que o novo pontífice “construa pontes” sólidas como desejava Francisco e que dê continuidade aos desejos e arranjos de paz no mundo. A solidariedade e a humildade que o devem nortear, sem dúvida o ajudarão nessa enorme missão de paz. De uma paz que era desejada e trabalhada pelo seu antecessor. Por outro lado, a simpatia que apareceu logo na janela do Vaticano haverá de ajudá-lo também no diálogo com o mundo, acredito, sua maior missão enquanto Papa. Vamos aguardar e pedir a Deus que o ilumine e o faça buscando para si e para o seu papado “os homens de boa vontade”.

DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para o presidente do TJ – Tribunal de Justiça de Alagoas, Desembargador Fábio Bittencourt que está altamente motivado com diversos temas de interesse da sociedade e que demonstrou todo este seu afã de realizar quando esteve em nosso Bartpapo do último sábado. Confiram no Youtube.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Ainda sobre o novo Papa e a comunicação mundial, sem dúvida temos que tirar o chapéu para emissoras de TV e de rádio de todo o mundo que mesmo com o frio europeu não arredaram pé até que a fumaça branca espalhou-se pelos céus do Vaticano.

Diga-se de passagem, um trabalho magnífico, com alta tecnologia sendo empregada, com a competência de cada jornalista, de cada repórter que conseguiu transformar a tensão e a ansiedade em motivo para manter ouvintes e telespectadores grudados em seus aparelhos.

Esta semana comemoramos o fim da Segunda Guerra Mundial que aconteceu há 80 anos atrás, em 1945. Uma loucura no Brasil que iria ver a chegada dos expedicionários nacionais, oriundos da guerra através da nossa FEB – Força Expedicionária Brasileira.

E a propósito disso o que o Lula foi fazer na Rússia para comemorar com eles? Ainda que eles tenham feito parte dos aliados naquela terrível guerra era melhor que ele tivesse organizado uma comemoração cívica aqui no Brasil. Não acham?

Uma guerra que deixou muitos mortos brasileiros e muitos de outras nações que para aqui vieram depois da guerra onde os nazistas fizeram miséria e exterminaram muita gente. Um mal que não dará para esquecer por muitos anos.

Mudando de pau pra pedra quero ver como será devolvido o dinheiro que saiu dos bolsos de tantos brasileiros aposentados para os bolsos de tantos brasileiros abastados. Uma pergunta difícil de ser respondida porque ninguém sabe ainda como ficam as averiguações e providências..

E também, a questão do de onde vai sair o dinheiro para que isto aconteça. Serão bilhões de reais que não dá para catar de quem roubou. Vai ter que sair do orçamento ou sei lá de onde. Resposta que só pode ser dada pelo Ministério da Fazenda e outros.

Luiz Neto (foto), diretor presidente da Casal fez um relato absoluto e convincente sobre a atuação da empresa em “casamento” com a BRK. Casamento entre aspas porque cada qual em cada qual nas suas atribuições. Foi no Bartpapo, na Band.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos da semana e que sempre existirão vão para o meu sempre amigo Otávio Lessa, um cidadão de bem que coloca suas amizades em primeiro lugar. Daí estarmos, seus amigos, sempre buscando retribuir da melhor maneira possível.

coluna BARTPAPO

Bartpapo com Geraldo Câmara

O PAÍS DOS “COITADINHOS”

Bartpapo com Geraldo Câmara09 de maio de 2025

   

Na década de 50, mais ou menos no final, por aqui aportou um cidadão, estrangeiro, que achando-se profundamente inteligente e naturalmente nos achando nem tanto idealizou um golpe de ordem financeira que pegou muitos e muitos brasileiros. Quando a sua trama foi descoberta, algum tempo depois que ele já estava com os bolsos cheios, fugiu do Brasil para um país da América do Sul, se não me engano a Venezuela e por lá ficou usufruindo do golpe dado nos brasileiros. Algum tempo depois escreveu um livro que acabou sendo “best seller” por aqui e em outros lugares e deu a esta obra o título de “Brasil – o país dos coitadinhos”. Seu autor, um imigrante húngaro chamado Peter Keleman. O que estou contando tem outras versões, inclusive alguns títulos como “Brasil, para iniciantes” do famoso Emil Farhat, no entanto a história do golpe é versada e cantada por Peter como uma piada para aquele Brasil de outrora.

O que me leva a falar desse assunto, piada da época é exatamente não querer, não desejar ver o nosso país como piada, nomeado em discussões que nos mostrem, os brasileiros, como “coitadinhos”, quando não o somos e nem o seremos. Temos nossos problemas de ordem política, de ordem administrativa, de falhas por todos os lados e, lamentavelmente de muitos golpes internos, mas não somos o que se nos querem impingir.

“Coitadinhos”, sem tanta expressão, mas talvez o sejamos quando vemos acontecer um desastre como este do INSS que mostra os verdadeiros vitimados da “inteligência” superior, natural e não artificial roubando descaradamente os idosos, os aposentados de todos os níveis com falcatruas baseadas no “de grão em grão a galinha enche o papo”. Isto sim, nos faz parecermos coitadinhos aos olhos de nossos pares e do mundo. Isto sim, nos coloca aos olhos deste mesmo mundo como cegos que não enxergam suas próprias histórias e ainda passam por cima de monstros do regime, esse regime que nos sufoca permitindo que casos como esses ainda aconteçam. E o que é pior, claramente, às nossas vistas, passando de contracheque em contracheque, despercebidamente como se nada, absolutamente nada estivesse acontecendo. Isto porque, os golpes estão ficando cada vez mais refinados, mais estudados, melhor estruturados visando enganar os que não poderiam ser enganados e que recebem seus míseros reais no fim de cada mês ainda agradecendo porque eles existem.

Mas é preciso reagir. É preciso entender que a promiscuidade das relações institucionais, algumas é claro, precisam ser enquadradas devidamente mostrando à sociedade que aqui estamos para fazer o país andar para a frente, sem as grotescas propinas que sufocam certos serviços públicos e estimulam o enriquecimento ilícito e vergonhoso de dirigentes ambiciosos e sedentos de poder. Poder é poder falar, reclamar, ousar. Poder é o que diz a constituição quando afirma que todo ele emana do povo. Portanto, talvez seja a hora de começarmos a escrever o nosso “bestseller”. Não eu, nem ninguém em especial, mas o povo que tanto pode e que de “coitadinho” não tem nada. Este mesmo povo que não conseguiu ver que estava sendo roubado indecentemente todos os meses nas suas míseras aposentadorias em benefício de abusados ladrões de casaca.

Que sejamos simplesmente quem somos. As urnas estão aí para que o nosso poder verdadeiro seja exercido. Não precisamos de armas e nem de delapidações do bem público porque simplesmente detemos a melhor de todas as armas. Nosso voto é fantástico, é uno, é absoluto. Nossa revolução é através dele, mas com responsabilidade. Sabendo o porque e em quem. Nada mais do que isso para mostrarmos ao mundo que não somos e não seremos jamais “o país dos coitadinhos”. 

  FOTONOTAS

 ÊNIO PIMENTA – Ainda jovem, mas eficiente, aliás como os jovens bem trabalhados, Ênio é o Procurador-Geral do Ministério Público de Contas, cargo que exerce com maestria, mas sobretudo com entusiasmo. Além disso, Ênio é um bom papo e trata de todos os assuntos em conversas informais com muita naturalidade e simpatia. Entusiasta do que faz e interessado no que não faz vai traçando um futuro digno dos que labutam na vida com o pensamento voltado para o desbravamento. Por tudo isso e muito mais o Ênio está por aqui hoje. Um abraço, amigo. 

GEOBERTO ESPÍRITO SANTO – Meu querido amigo de muitas conversas, de muitas trocas de opiniões, de muito caráter, coisa rara nos dias de hoje. Geoberto e Mádala formam um casal de primeira que gostamos de conviver. Absurdamente competente no que faz, volta e meia, em meu blog acolho seus artigos que rapidamente são lidos e comentados. Porque não existe prosopopeia em suas palavras. Nem nas faladas nem nas escritas. O homem sabe o que diz e o diz com muita clareza, o que é uma de suas qualidades, além da simpatia que lhe é inerente.

PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)

Saber ouvir é uma arte. Calar pelo que ouviu é uma virtude. Falar na hora certa uma genialidade.

ALERTAS DO DIA

* O show da Lady Gaga, no último sábado me surpreendeu por diversos motivos, sendo que o principal foi descobrir a versatilidade da artista que deu um show à parte com suas “performances” que ainda foram altamente valorizadas pela alta tecnologia empregada no show, aliás um espetáculo à parte. Com 300 pessoas comandando e trabalhando no espetáculo era de se esperar, mas o fato é que a mente humana funcionou sobretudo na criatividade que valorizou o espetáculo sob todas as formas. Dizem que o próximo será com a cantora Beyoncé.

* Agora o jogo está posto quando no últiimo fim de semana o Senador Renan Calheiros colocou que será candidato à reeleição e que seu filho, o ministro e senador Renan Filho vai disputar o governo do estado de Alagoas. Não sei. Em todo o caso, mistérios começam a ser desvendados faltando um de relevante importância que é sabermos que cargo será disputado pelo prefeito JHC. No último fim de semana surgiu, por enquanto boato, que ele será candidato a senador. Se for, deve ter havido muita negociação por trás dessa história. Vamos aguardar.

* Como estará o conclave iniciado em Roma, mais precisamente na Capela Sistina? Segundo previsões deverá ser um dos mais complicados dos últimos tempos, visto a transformação de ideias que envolveu o papado de Francisco. Escrevi isto antes de saber da eleição do novo Papa e agora sabemos que, em dois dias, o norte americano, agora Leão XIV foi escolhido como o Pontífice que vai nos reger a todos nós católicos. A igreja, normalmente muito severa em relação a seus costumes tinha também que entrar na era das mudanças e isso aconteceu com o falecido Papa. Então, como os cardeais presentes e votantes pertencem a diferentes teorias chegar a um denominador comum não deve ter sido fácil. Que seja bem vindo, Papa Leão XIV.

* Eu tinha 6 para 7 anos, em 1945 quando a guerra terminou. Atravessava a Praça Sãens Peña, no Rio de Janeiro segurando as mãos de meu pai e de minha mãe. Lembro da euforia naquela praça e da alegria contagiante dos transeuntes. Um acontecimento altamente marcante e que vem sendo comemorado até os dias de hoje quando se completam 80 anos do episódio. Mais do que um episódio o fim de uma guerra mundial, a segunda, da qual o Brasil fez parte com a nossa gloriosa FEB – Força Expedicionária Brasileira.

POR AÍ AFORA

# Começou o Conclave na última quarta-feira com a finalidade de eleger o novo Papa. Não sei, porque escrevi esta coluna naquele dia, se já foi ou não eleito porque o evento tanto pode durar dois dias como, semanas, meses e até anos. Não sei se as dificuldades de escolha irão acontecer porque dos 133 cardeais presentes, 80 foram escolhidos pelo Papa Francisco, o que talvez possa criar uma unidade em favor de um Papa que siga os princípios de Francisco. Mas chegamos ao que desejávamos e foi escolhido um novo Papa que segue os caminhos de Francisco. Enfim, aconteceu o famoso “habemus papa” com fé em Deus, elegendo Leão XIV, um norte americano que talvez amanse a fera de lá.

# Já virou piada citar as loucuras e lucubrações mentais de Donald Trump. A última foi a de querer reativar a famosa prisão nos Estados Unidos, Alcatraz. Diz ele que será usada novamente para colocar os presos mais perigosos do país, o que não dá para acreditar. Alcatraz hoje, tornou-se um museu fantástico que rende 60 milhões de dólares por ano. E aí, fica a pergunta: será que ele não está preparando sua futura moradia?

# E, finalmente, ainda dele que resolveu taxar os filmes estrangeiros que entrarem nos Estados Unidos porque assim irá defender a indústria cinematográfica americana que estaria morrendo muito rapidamente. O rapaz deve ter um parafuso frouxo ou deve ter gostado muito do nosso filme “Ainda estou aqui”. Vai ver achou que o título era uma alusão ao fato de ele ainda “estar lá”. Um perigo! Então, taxa!

O “BARTPAPO com Geraldo Câmara” na BAND, canal 38.1 aberto; NET CLARO, canais 18 e 518; BRISANETE, canal 14; VIVO, canal 519. Das 9 às 10h da manhã. Assista e inscreva-se também pelo Youtube no canal “canal Bartpapo”. Fale conosco pelo geraldocamara@gmail.com ou pelo Whats’App 82 99977-4399

Bartpapo com Geraldo Câmara

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Jornalista, apresentador do programa Bartpapo na Band Maceió e Diretor de Comunicação do Tribunal de Contas de Alagoas

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“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 05-05-2025 – Geraldo Câmara

QUEM É LADY GAGA ?

Assisti ao decantado e anunciado show da famosa Lady Gaga e fiquei surpreso. Não com a cantora que, aliás sempre ouvi muito pouco, mas com a artista porque bem longe da cantora vi a artista fabulosa, a “performer” fantástica, capaz de lhe deixar preso à poltrona até o último minuto de show. Não vou falar da riqueza, até exagerada do show em si, porque não existem palavras para que se descreva fielmente a aplicação da tecnologia, da criatividade e, sobretudo, da excelência em tudo que se faz para que o show transcenda a expectativa de qualquer espectador. O que se viu foi um esbanjamento de coreografia, devidamente aliado a todas as possibilidades técnicas de ilusão, de iluminação, de presença de movimentos que permitiram aos brasileiros assistirem o que não se pode ver nos espetáculos brasileiros, carentes sobretudo de verbas monstruosas capazes de permitirem realizações daquele “top”. Por outro lado o magnífico cenário da praia de Copacabana com uma multidão estimada em cerca de 2 milhões de pessoas, entusiasmadas e hipnotizadas pela novidade que ali estava à vista de todos. Mais de 60 toneladas de equipamentos, cerca de 300 pessoas trabalhando nos bastidores do espetáculo e algo inexplicável para quem fez qualquer tipo de prognóstico. Parece que o Rio, mais precisamente as areias daquela praia passaram a ser cenário desses internacionais espetáculos. Primeiro, Madona. E agora, essa incrível Lady Gaga que deixou fluir as lágrimas ao final e retribuiu a paixão de quem a estava assistindo.

DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para o promotor aposentado Geraldo Pirauá, leia-se de Arapiraca, hoje fantástico escritor, colunista, pensador e admirador das artes e da literatura como um todo. Obrigado por ter prestigiado o nosso Bartpapo.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Ainda sobre o show de Lady Gaga. Quem pagou toda a aquela monstruosidade de despesa para que ela se apresentasse no Brasil? Dizem que, entre outros patrocinadores particulares, entrou na história o Governo do Rio e a Prefeitura. Será? Não duvido.

Enquanto isso, reclamação de todo o país, os artistas brasileiros locais de cada estado são sempre relegados a segundo ou a terceiro plano e recebem, quando recebem, ninharias por suas apresentações culturais. É preciso prestigiar a cultura nacional também.

Vide, vamos aguardar, as festas juninas por aqui em Maceió quando as reclamações não param em relação ao pagamento dos artistas locais que se apresentam, mas que sempre ficam para trás em relação aos grandes nacionais. Barbaridade!

Não sou eu quem está dizendo mas muitos deles que demoraram meses para receberem seus míseros cachês enquanto os de nível nacional não subiam nos palcos enquanto não recebessem os seus ricos proventos.

Mudando de pau pra pedra, os escândalos nacionais estão aí dando o que falar. Como se não bastasse mais nada encontraram um meio de roubar os pobres aposentados do INSS que não sabem nem onde caírem mortos para gáudio dos vivos de plantão.

E tome de cair presidente de autarquia e até o ministro da Previdência como se isso resolvesse alguma coisa. O que se quer é que esqueçam a burocracia e devolvam o que foi ilegalmente descontado das contas dos aposentados.

Aliás, isso não será difícil porque está tudo documentado nos pagamentos mês a mês e com os tais descontos bem visíveis. Como se tratava de descontos relativamente pequenos eles estão lá bem claros para quem quiser comprovar. Fácil, fácil.

O que assusta sempre é a cara de pau dos arquitetos dos desvios de verbas neste país. São sempre os inocentes e prontos a acusarem outros, saírem da reta das investigações e, em alguns casos, alguns até voltam a ocupar cargos de relevância. Ai, ai!

Quem quiser se deliciar com música de primeiríssima qualidade procure assistir Gama Junior e Arnaud Borges (foto). Fantásticos, criativos e produtores de trabalho próprio que encanta os ouvidos de todos nós.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos vão para George Santoro, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, onde empresta seu valor profissional para ajudar ao máximo o ministro Renan Filho a realizar um intenso trabalho de desenvolvimento do país.

GAMBIARRA OFICIAL

Geoberto Espírito Santo

O Ministério de Minas e Energia (MME) promoveu uma reunião com as associações e apresentou uma proposta de reforma do setor elétrico, haja vista que todos reconhecem que ele precisa de mudanças estruturais para não se tornar financeiramente inviável para muitos. Naquela oportunidade, o ministro Alexandre Silveira afirmou que ainda não está decidido se o texto irá para o Congresso na forma de projeto de lei ou medida provisória. Certamente tendo em vista às eleições do próximo ano, as propostas mostram um viés político forte e, no todo, causaram divisão no mercado. Regra geral, as distribuidoras e comercializadores de energia elétrica acharam as mudanças positivas, enquanto os grandes consumidores industriais ficaram temerosos com o possível aumento nos preços da energia. As principais mudanças apresentadas pelo MME são as seguintes:

A) TARIFA SOCIAL – Atualmente, para os consumidores de baixa renda, é assim: I) Para quem consume de 0 a 30 kWh/mês, o desconto é de 65%; II) Para quem consume de 31 a 100 kWh/mês, o desconto é de 40%; III) Para quem consome de 101 a 220 kWh/mês, o desconto é de 10%; IV) Para quem consome acima de 220 kWh/mês, não tem desconto. A proposta para os consumidores de baixa renda é a seguinte: para quem consumir de 0 a 80 kWh/mês, o desconto é de 100%; e para quem consumir acima de 81 kWh/mês, não terá mais desconto.
Impactos da proposta – Haverá um custo extra anual de R$ 3,6 bilhões que serão bancados pela CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), a serem pagos por todos os demais consumidores e haverá um aumento médio de 0,9% para os consumidores que estiverem no mercado regulado, antes das revisões dos subsídios.
B) DESCONTO SOCIAL NA CDE PARA CONSUMIDORES DE BAIXA RENDA – Haverá isenção do pagamento da CDE para famílias de renda per capita entre 0,5 (meio) e 1 (hum) salário mínimo para quem consumir até 120 kWh/mês.
Impactos da proposta – Serão beneficiadas 21 milhões de famílias, cerca de 60 milhões de pessoas e haverá um aumento de 0,53% para os demais consumidores do mercado regulado, antes de revisões de subsídios.
C) LIBERDADE PARA CONSUMIDOR DE BAIXA RENDA – Assim como já acontece hoje com o consumidor de alta tensão (indústrias e empresas conectadas no sistema de alta tensão), os consumidores residenciais (baixa tensão) também estariam livres para escolher o seu fornecedor de energia, conforme o seguinte cronograma: para a indústria e comércio de baixa tensão, a abertura será à partir de 1º de março de 2027; para os demais consumidores, inclusive residenciais, à partir de 1º de março de 2028.
D) EQUILIBRIO PARA O SETOR
 Rateio igualitário das cotas de Angra 1 e Angra 2, com entrada dos consumidores livres nos custos das usinas;
 Pagamento equalizado da CDE para a geração distribuída, com a inclusão dos consumidores livres no rateio;

 Alocação mais justa dos encargos da CDE, com rateio proporcional ao consumo, independentemente do nível de tensão;
 Melhor definição de autoprodutor ao instituir, por exemplo, a participação mínima de empresa no empreendimento gerador em 30% do capital social (para evitar que empresas se associem de forma excessivamente minoritária a geradores para obter vantagens).

A ABRACEEL (Associação Brasileira das Comercializadoras de Energia) gostou do que foi apresentado porque o MME avançou num tema que vem sendo discutido há muito tempo, ou seja, a abertura total do mercado para permitir que os consumidores de baixa tensão também possam migrar para o mercado livre. A associação disse que a portabilidade da conta de luz pode gerar uma economia de R$ 35,8 bilhões/ano, que, se comparado com os preços de 2023, seria uma redução de 23%.

Mas essa ideia de redistribuição dos custos dos subsídios e da operação do setor elétrico, se apresenta para os consumidores cativos das distribuidoras como um risco se essa migração para o mercado livre for feita em massa. Essa redistribuição dos custos de Angra 1 e Angra 2 para o mercado livre e para a geração distribuída, através da CDE e a eliminação do desconto na transmissão para as renováveis é que parecem ser o principal desentendimento do setor. A argumentação do governo é que essas medidas ajudariam a bancar o aumento da isenção na conta de luz sem pressionar o restante dos consumidores.

A ABRACE (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres) acha importante acolher a população de baixa renda reduzindo o custo da energia elétrica, mas essa transferência de custos para as indústrias termina diminuindo a competitividade dos produtos nacionais. A ABRADEE (Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica) elogiou a minuta que foi apresentada com o argumento que está tratando de alguns problemas importantes do setor. Para a ANACE (Associação Nacional dos Consumidores de Energia), essas mudanças propostas pelo MME, na prática, só transferem para o mercado livre os custos que estão atualmente associados aos consumidores regulados, chamando a atenção que isso pode também diminuir a atratividade do ACL (Ambiente de Contratação Livre).

Essa ampliação da isenção para famílias inscritas no CadÚnico é uma política pública. Portanto, deve ser bancada pelo Tesouro Nacional e não pelos consumidores de energia elétrica. A proposta do MME não fala que o planejamento setorial deve ser revisitado, pois os graves problemas de hoje são decorrentes do crescimento desordenado da geração eólica e solar, com a migração de consumidores do ambiente regulado para ambientes subsidiados. Há ainda o temor da desconfiguração do texto no Congresso e, se os subsídios não forem cortados antes, certamente as gratuidades serão aprovadas e essa parte difícil deixada de lado, pois envolve os lobbies. E assim serão criados novos desequilíbrios setoriais.

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços