No ano de 1959 as obras de Brasília estavam em plena efervescência. Juscelino e seu governo não pensavam noutra coisa senão na inauguração da nova capital que deveria ocorrer no ano seguinte. Eu tinha exatamente 21 anos e vibrava com aquele presidente que estava fazendo uma revolução em nosso país. Apareceu uma oportunidade ímpar, via meu pai, para que eu conhecesse a nova cidade antes de inaugurar. Não me fiz de rogado e num avião do Loyd Aéreo Brasileiro saí pela manhã e ao sobrevoar a nova cidade o susto já foi grande. O maior canteiro de obras que já havia visto; o maior conglomerado de máquinas e operários; o maior, o maior, tudo o maior. E, então, numa comitiva fomos conhecer os prédios públicos que estavam sendo construídos, alguns já prontos, como o Alvorada e o Planalto. Fiquei entusiasmado e absolutamente admirado com duas figuras incríveis: Lúcio Costa, o urbanista de Brasília que um dia tive a honra de conhecer e Oscar Niemeyer que, infelizmente, nunca pude cumprimentar em minha vida apesar de durante um longo tempo ter frequentado alguns dos mesmos ambientes e personalidades que ele. Que pena! Se foi um dos maiores homens desse país aos 105 anos e não pude apertar-lhe a mão uma única vez sequer.Meus respeitos a esse incrível brasileiro, Oscar Niemeyer, que soube levar sua longevidade com a devida honra, com trabalho até o último momento e só não o fez mais porque Deus devia estar precisando dele lá por cima.Além de não querer que ele presenciasse os desmandos terríveis que sua criativa capital vive nos dias de hoje. Continuar lendo “EU VI BRASÍLIA EM 1959” →