Mais uma vez bisavô – chegou Júlia

Ele foi meu primeiro neto,

Foi o de frente da linha

Meu quindim, meu afeto.

Com tantos outros na vida minha,

Também foi ele, Bruno,

A entrar na nova reta

E há cinco anos me dar

Minha primeira bisneta.

E como foi grande a alegria

De receber com amor

A nossa querida Bia.

Aí, de Highor veio Arthurzinho,

O valete bisnetinho.

E agora, lá vem o Bruno,

De novo, com a sua Tati,

Dizendo JÚLIA chegou!

E que o mundo a acate

Que seja mais um amor

Para o velho bisavô

Que, junto com a bisavó,

Ainda vai esperando,

Daqui a pouco chegando

Do meu Deco e de Mirella,

A bisneta Giovanna.

Vai ser mais uma desculpa

Pro velho tomar mais cana.

O meu piano

Minha primeira professora me batia os dedos

Com uma varinha idiota, por enganos ledos,

Achando que com isto eu aprendia.

Insistia em me fazer exercitar a rapidez de um Hannon

Mas, na verdade, eu queria tocar como um Valdir Calmon

E despejar no piano toda a minha ouvidoria.

E de tanto fazer para ela as mais irritantes caretas,

Minha mãe resolveu dispensá-la por todas essas mutretas

Que propositadamente eu fazia.

E aí, tornei-me um pianista livre, dono de mim e do meu piano

Usando o meu ouvido sensivelmente, como era meu plano

Dele transbordando a minha fantasia.

E os dedos corriam céleres, sem fiscais, pelas teclas de marfim

Buscando mostrar a todo o mundo o que era melhor pra mim.

Encontrando a música, elaborando sons.

Até porque, nem por sombra eu pretendia ser um grande pianista.

Na verdade eu desejava curtir a minha alma de artista,

O piano e eu, afinados, nos mesmos tons.

Aguenta Vanessa

VANESSA para o Blog

Não sei quem de nós dois, nessa vida, escolheu quem.

Sei que, se o destino existe, a ele estou dando amém

Desde o dia em que ela me apareceu.

Eu estava adormecido, combalido diante do amor

E no primeiro beijo tomado, sentiu-se logo o furor

De um vulcão que, apagado, reacendeu.

Os mesmos gostos, as mesmas intenções e preferências,

As mesmas atitudes na simplicidade ou na excelência.

No que eu sentia ela não era avessa.

Personalidades à parte, desejos incontidos consentidos,

Tudo levou nossos caminhos para que sempre unidos

Fôssemos eu e minha musa Vanessa. 

Nem sempre de poesia se modula a existência de um casal.

Existe um dia a dia e toda uma conjuntura ligados ao material

Mas que nunca abalou nossas convicções. 

Por estes anos, nem tanto trocamos mil juras de amor.

Só jura quem já não crê que o amor aumenta com a dor

E nós fizemos um só dos nossos dois corações.