A hora é de gerar trabalho, não só emprego

A realidade do nosso estado precisa ser enfrentada com coragem, mas, sobretudo, com sinceridade. Quando falamos em segurança, por exemplo, queremos ir buscar no social todas as culpas para o estado de quase pânico em que vivemos. E aí, vemos as autoridades e os analistas de plantão buscando desculpas na falta de educação e na desproporcionalidade da renda da população. Tudo isto seria perfeito não fora a falta de sensibilidade para que determinadas ações sejam tocadas sem a necessidade de grandes estruturas institucionais, mas simplesmente usando o bom senso e os exemplos de atitudes vitoriosas. Daí, o título deste artigo que pede para que se deixe em segundo plano a geração de emprego e se coloque na vitrine a geração de trabalho como o fator mais importante para o cidadão, para a família, para a comunidade e para a segurança de um povo.

A questão, complexa, sem dúvida, busca apoio em vários aspectos, todos eles voltados para o cooperativismo, esta força de união ou esta união de forças como o queiram chamar que muda vidas, que provoca crescimento, que gera trabalho, energia e riqueza. Se os dirigentes não o desejam, se insistem em negar a sua força isto é estória que pode fazê-los, um dia., entrar na história como vencedores ou como fracassados.

Num estado pobre como Alagoas, mas rico de gente, de idéias e de vocações, a necessidade de se gerar trabalho é ainda maior do que em outros estados. O inchaço das grandes cidades, como Maceió, a migração constante em outros municípios, a pobreza na linha da miséria, tudo isto, deve-se à falta de produção, de trabalho, de incentivo, de capacitação e de qualificação, metas que podem e devem ser alcançadas não pelo poder público, mas através do poder público, como instrumento necessário ao incentivo que a população deve ter para encontrar o seu destino.

Nas cooperativas, todos são donos do seu próprio negócio; todos progridem na razão direta do seu trabalho e da sua produtividade, por mais humilde que seja esse trabalho.

No entanto, haveremos de convir que ninguém, principalmente nas faixas mais carentes de educação, pode sair por aí, abrindo cooperativas ou pequenos negócios, sem que sejam motivados e instruídos para tal. É onde entra o nosso projeto que, anos atrás, foi exaustivamente colocado em gabinetes de decisão deste estado, sem que tivesse a repercussão necessária, mas que, temos a certeza de podermos levar adiante, quem sabe, como projeto estruturante para o futuro de Alagoas ou de uma cidade como Maceió, por exemplo.

A idéia é que seja criada a AFC – Agência de Fomento ao Cooperativismo, gerida por autoridades governamentais e da iniciativa privada (ligada ao cooperativismo) com as funções de mapear vocacionalmente a cidade ou o estado, dependendo da abrangência da agência, estimular, em função das vocações, a criação de novas cooperativas, capacitar, qualificar e orientar através da OCB-AL, estimular o crédito cooperativo e cidadão e, com isto, gerar trabalho em todos os pontos do estado ou da cidade, acabando com a ociosidade e com a busca desesperada pelo emprego tradicional.

Que não se diga que este não é o papel do governo ou das prefeituras porque o é; e como exemplo desta afirmação, o Ministério do Trabalho e Emprego, criou há pouco tempo a Secretaria de Economia Solidária, a SENAES, exclusivamente para os assuntos de associativismo e cooperativismo aplicando 40 milhões no Brasil, sem nenhuma demanda do estado de Alagoas.

É preciso acreditar. A nossa Pindorama não nasceu grande e é uma enorme demonstração da força do cooperativismo. Aos 21 anos tive a honra de ser diretor-comercial de uma cooperativa, uma das maiores do país, a CCPL – Cooperativa Central dos Produtores de Leite e que continua liderando no Rio de Janeiro. Mas, nem precisamos pensar tão alto. Pensemos na formação de cooperativas no sertão, em todas as regiões do estado e até sabemos de que tipos, mas coerentes com o que pensamos e escrevemos, o mapa vocacional antes de tudo.

Importante, governador e prefeitos é que se acredite que a “idéia nova é uma nova conjugação de velhos elementos” e que a nova conjugação que propomos é a aglutinação do desejo e da necessidade orientados por uma ação governamental que só pode trazer resultados os mais positivos.

Abrir os olhos para o cooperativismo é criar motivos para gerar cabeças pensantes e ativas. Uma segurança, sem dúvida.  

É duro morrer na lama!

O caranguejo gosta, se esconde, se alimenta daquela lama de mangue, onde o seu caçador enfia a mão até o meio dos braços e vai buscá-lo para saciar e gratificar, com seu sabor, o homem, seu predador. Mas ele, o caranguejo não morre ali; seria indigno demais! Ele abre as garras de suas patas, tenta fugir de alguma forma da corda a que faz parte com seus companheiros, mas acaba morrendo com um estilete entre os olhos ou fervendo em água limpa que o faz admirado pelos mais aficcionados gastronômicos do mundo.

O homem não gosta da lama. Nasce e logo é limpo e oferecido ao mundo para ocupar lençóis de linho, belos ambientes, receber carinhos e tudo o mais. Nem sempre assim, forçando a própria natureza, a miséria o faz feio, sujo até, ainda que, nesses casos possa ter a alma limpa e virginal.

E aí o homem descobre que fugir da lama é uma meta. Um objetivo a ser seguido na vida e que deve fazê-lo de maneira correta, decente e honesta. Trabalhando com afinco em seu prol, em prol dos seus semelhantes, até com a ajuda deles, mas sem usá-los, o que seria melhor.

Mas aí, o homem descobre e gosta, cada vez mais, das coisas terrenas e materiais que mais o ajudam a ficar longe, muito longe daquela lama. E busca incessantemente o luxo bem distante do lixo.

No entanto, tudo aquilo que começara tão bem atiça o seu instinto humano de ganância, de ter mais, de passar obstáculos, de vencer barreiras, de chegar a destinos nunca dantes propostos. E, então ele procura os caminhos mais fáceis. Um deles, o da criminalidade comum, talvez não dê para pensar, até porque a concorrência é grande demais. Então, fantasiar-se, disfarçar seu instinto desonesto, seus objetivos, buscar caminhos públicos que lhe dê a capa da indestrutibilidade, do poder, da invulnerabilidade e, finalmente da impunidade.

O ser político assoma-lhe à mente e, apesar de saber que centenas de políticos o são bem intencionados, trabalhadores e fiéis aos seus compromissos com o povo, ele não poderia deixar de admitir que em nossa república, enfraquecida por inúmeros casos de corrupção, de enriquecimento ilícito, os caminhos, os mecanismos, as facilidades, as ferramentas, estavam todos ali ao seu dispor para continuar vivendo, crescendo, enriquecendo, por cima de tudo, de todos, do seu país. E ele acredita piamente que está acima do bem e do mal.

Um dia, uma noite talvez, ele cai numa armadilha qualquer que a vida comum oferece aos homens comuns. Mas ele esquece que também é um homem comum. E só pensa que pode comprar o que quiser, incluindo almas e dignidade. Ledo engano. Foi exatamente o dia em que a sua casa caiu.

O homem olhou à volta, sentiu fugir-lhe os pés. E gritou. Mas não pedindo socorro e sim atacando o mundo. Mas não com a humildade dos que se arrependem do caminho errado, mas com a arrogância dos que se acreditam corretos a despeito de tudo e de todos.

O homem estava sendo desnudado. Estava deixando cair a máscara do seu pseudo-sucesso. Estava deixando que todos à sua volta, parceiros ou não, conhecessem suas tramóias, suas intrigas, seus conceitos de amizade. E, então iniciou um processo de destruição dos que o acompanharam na sua trajetória suja e corrupta até que, ele próprio começou a sentir os primeiros toques dos seus pés com um terreno macio e envolvente, exatamente o terreno por onde ele, por tantos anos havia caminhado, sem sentir que chafurdava ao invés de andar.

O terreno havia nascido aos seus pés, através dos seus próprios atos. Construído com suas próprias mãos.

Nele, num belo dia de sol para todos os brasileiros, ele mergulhou. Descobrindo então, que era a sua própria lama.

Como ficar milionário sem fazer força

Primeiro seja brasileiro. Segundo, ganhe inteligência e esteja do lado contrário ao que seria o normal. Depois, gradativamente, vá vendo e lendo os noticiários de jornais, televisões, rádio e internet. Aprenda bastante sobre as diversas maneiras de golpear o lado contrário que é o grosso da população, já que você faz parte de uma reduzida elite. Agora, que você aprendeu bastante, seja “aspone” de algum político já feito ou busque um cargo de consultoria numa grande empreiteira. Em ambos os casos você pode se dar bem. Feito isto, aplique os truques que você aprendeu todos os dias. Primeiro para fazer o patrão ganhar dinheiro, depois para você mesmo se eleger para qualquer coisa e começar a ser o vendedor de facilidades recebendo polpudas propinas oriundas do dinheiro do povo miserável que elegeu você. A fórmula é perfeita e está sendo aplicada por milhares de “brasileiros” que fizeram com honrarias as faculdades das patifarias. Não esqueça de escolher um paraíso fiscal para guardar seus bilhões e arranjar uma vacina contra os “Moro”, os “Janot”, os “Fachin” e alguns outros poucos que resolveram acabar com as pragas como você e que estão corroendo o Brasil. E, finalmente, boa temporada nas cadeias da vida. Ou não, quem sabe?

TEMPOS MODERNOS

1489Seria interessante fazermos uma análise do que se pode definir como “tempos modernos”, uma expressão que vale sempre e todo o dia, porque o presente é sempre moderno em relação a tudo o que já passou.

Mas, se, no entanto, compararmos épocas passadas com os chamados “tempos modernos”, vamos verificando a imensa mudança de hábitos, de costumes, de educação; vamos vendo a mudança tecnológica, o aguçar do crime e o relaxamento com a própria sociedade que vem jogando fora os mais comezinhos princípios que norteavam o viver em comum.

Terrível comparar o direito de “ir e vir” com o direito que nos foi tirado nos dias de hoje, tomadas que foram as cidades por criminosos, assaltantes e traficantes.

Desagradável ver que as quase inocentes “cubas libres” dos anos 50 deram lugar aos craques, cocaínas, maconhas, êxtases e tantas outras drogas do mundo moderno.

Incrível ver a mudança tecnológica que, em poucas décadas, nos deu instrumentos como os celulares, a televisão digital, o computador pessoal, instrumentos que aliviam o trabalho e o conforto de uns e municiam as mentes desvairadas de outros.

Nossas vidas deveriam ter um “dial”. Um botão giratório que nos levassem no tempo e no espaço a épocas mais sadias e que nos permitissem fazer com que nossos filhos estudassem melhor, que os professores fossem mais dedicados e melhor remunerados, que a televisão, incipiente e em preto e branco, ainda exibisse seriados inocentes como “Alô doçura” esquecendo as aulas de crime, de falta de educação e de desrespeito para com pais, avós e toda essa gama de pessoas que antigamente compunham as famílias.

É triste, muito triste, avaliar que o nosso passado já foi a base dos então “tempos modernos” e que a vida de hoje será um passado, talvez lembrado pelas próximas gerações que nem sonhamos como viverão e como estarão incluídas nos “tempos” que ainda virão.

NORDESTE INDEPENDENTE

turismo nordesteMuito além da música, muito além do sonho de alguns, podemos e devemos defender a tese de um nordeste independente e, ao mesmo tempo, unido, no que diz respeito ao desenvolvimento regional em relação ao turismo. Mas, quando nos referimos ao “unido”, queremos dizer unido mesmo e não essa falácia de pseudo-união, onde o egoísmo faz parte do marketing individual de cada estado, buscando para si, e exclusivamente para si, os louros de um trabalho que poderia ser muito mais profícuo, se realizado de maneira uníssona pelos nove estados que compõem a Região Nordeste.

Indubitavelmente, o nordeste brasileiro se constitui em um verdadeiro paraíso, em um produto que pode ser consumido por “gregos e troianos” e que deveria representar a libertação econômica de uma região sofrida e que busca incessantemente  a sua independência econômica e personalística. Vale dizer que sempre fomos tratados, enquanto nordeste brasileiro, como o famoso primo pobre a buscar e a receber migalhas, ainda que tenhamos tido dois presidentes da república contemporaneamente.

Mas, quando abordamos o tema, buscamos mostrar aos governantes de toda a região que a união pode realmente fazer a força do nordeste, no tocante ao turismo. E não nos venham dizer que temos uma CTI – Nordeste porque, na minha ótica, inoperante em seu papel principal de união, não social, mas de realmente juntar as forças de cada estado e criar um planejamento forte e real que vise ações cooperativas de largo alcance mudando o sentido do “marketing” individual para um coletivo, elaborando um novo e grande produto, capaz de levar ao consumidor externo a pujança semelhante a de um Caribe, como aliás já denominam o nordeste.

O difícil é conseguir dobrar as vontades individualistas e de alguns estados que se acham mais merecedores do que outros dos afagos dos turistas, quer nacionais, quer internacionais. O difícil é sensibilizar governantes para que criem uma cúpula construtiva, planejadora e até executora de uma nova política de turismo integrado, através de um pacto real, onde o proposto seja votado e executado sem detrimento das ações soberanas de cada um.

A independência do nordeste pode ser conquistada no âmbito do turismo através de um trabalho hercúleo como este, através da união de propósitos e também através da criação de um órgão estimulador e financiador, como se fora uma espécie de Sudene turística. Com autonomia para exercer sua função de maneira inovadora, criativa e dotada de um Conselho Permanente ao qual pertenceriam as mais diversas categorias voltadas direta e indiretamente para a atividade turística.

Observem os leitores que o que propomos vai muito além da perspectiva atual do turismo nordestino e insere no seu contexto uma verdadeira revolução de métodos e sistemas; uma nova visão do que se possa chamar de turismo integrado porque sem descaracterizar as ações de cada equipe estadual, ajuda a consolidar uma macro-região turística que, de longe, poderá vir a ser considerada uma das melhores, mais bonitas e mais produtivas do mundo. Principalmente porque, com funcionalidade de um órgão central, consultivo e fomentador, toda a região será beneficiada e o seu crescimento levará o nordeste à uma real independência.

Pensemos nisto.