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Mensagem de um médico

Edécio Galindo Albuquerque

Nós estamos em guerra! Sou médico, e assim como outros profissionais essenciais nessa pandemia, vou ao fronte na medida incontida da minha vocação, aprendendo a lidar com medos e receios, principalmente ao retornar para casa. No entanto, realmente se engana quem pensa que essa luta é só da saúde. Estamos vivendo o que, em medicina, chamamos de síndrome. Quando um conjunto de fatores leva a um acometimento do organismo. Não um fator apenas, mas vários que se somam. Infelizmente o único remédio eficiente que temos, no momento, é amargo e doloroso, que é o isolamento social. O pior? Não sabemos a dose certa desse remédio e tentamos aprender com o erro dos outros países para administrá-lo. Afinal, independente das vertentes políticas ou da legitimidade de questionamentos, a verdade é que, infelizmente, o nosso Berço Esplêndido não possui uma redoma mágica que nos proteja e nos torne assim… tão diferentes do resto do mundo. Não sabemos quanto tempo de isolamento realmente teremos que vencer. Lembra do que falei sobre a síndrome? Pois bem, esse vírus nos trás vários outros problemas: depressão, saudade, insegurança, incerteza e graves problemas econômicos. Não se trata uma síndrome atacando apenas um dos problemas que estão sobre o tabuleiro de ameaças. Se combate as ameaças possíveis de serem combatidas. Utilizamos para isso a ciência, o bom senso, a razão e se nada disso for suficiente, lançamos mão da solidariedade, que é um valor incontestável da condição humana. Nesse momento todos podem ajudar. Uns no fronte e outros se redescobrindo, fazendo o que estiver ao seu alcance para preserva a vida. Isso significa também apoiarmos, dentro do possível, a manutenção de empregos e empresas, que contribuem para a sanidade social. Precisamos incentivar, dentro das nossas possibilidades e por meios oficiais, os serviços, os empreendedores pequenos ou grandes. Além disso o apoio psicológico é fundamental. Se por um lado alguns entram em depressão pela solidão, com medo, e carentes, por outro lado a aproximação obrigatória acaba por aflorar feridas escondidas, expondo chagas emocionais, até então, suportadas graças à benevolência da distância oferecida pela fragil maquiagem da rotina no dia a dia. Mas, apesar do isolamento social, todos podem ajudar e vamos superar tudo isso juntos. Após passarmos o período previsto como pico, vamos experimentar uma incógnita transição progressiva de saída do isolamento, pois estamos diante de uma “síndrome” desconhecida e a medicação possível NÃO TEM BULA. Humildemente estamos aprendendo, seja com a alegria da vida salva e a esperança na expectativa de novas drogas ou mesmo com as lágrimas da perda. Aprendendo caso a caso, vida a vida. Nisso tudo só tenho uma certeza:  VAMOS VENCER!

E.G.A.

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