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Cenário de apreensão

RIO SÃO FRANCISCO

Carinhosamente chamado de Velho Chico no cinema, na TV e na música, o rio São Francisco é o maior e mais importante do Nordeste do Brasil. Ao longo dos seus 2830 quilômetros de extensão, existem seis usinas nele instaladas que podem armazenar até 97% da energia da Região, além de ser fonte de água para navegação, pesca, irrigação, consumo humano e animal.

No biênio 2016/17 foram registrados seus piores índices de Energia Natural Afluente (ENA), podendo no final do ano a hidrelétrica de Sobradinho, hoje com apenas 3%de armazenamento, ser desligada para que não chegue ao seu volume morto. Sua vazão normal seria 1300 m3/s, já foisistematicamente reduzida até 550 m3/s enão deve baixar mais pelo prejuízo que pode causar aos múltiplos usos do rio. Não há perspectiva de falta de energia nesse ano, mas essa situação exige uma operação cara e delicada.

Nesse momento, o pico de carga no Nordeste está 10.416 MW médios, sendo suprido com as eólicas (50%), térmicas (35%), hidrelétricas (14%) e solar (1%). Na análise das fontes verificamosque as eólicas são intermitentes, funcionam melhor com os ventos da noite e precisam das térmicas para assegurar o suprimento contínuo e economizar água. As térmicas aqui instaladas foram projetadas para operar no liga-desliga das horas de pico e por utilizarem óleo combustível, e até diesel, são poluentes e caras. Não é à toa que são chamadas de térmicas “bang-bang”,pela forma de operar,e Chanel nº 5, pelo preço. Por estarem agora trabalhando como energia firme na base do sistema, ou seja, sem desligar, os riscos de defeito aumentam e com eles os custos de manutenção para evitá-los. Se precisar de intercâmbio de outras regiões, não pode haver defeito nas linhas de transmissão na interligação Norte-Nordeste que participam do MRE (Movimento de Realocação de Energia).                                                                                                                                                                                                                                                                                            Muito embora a hidrologia abaixo da média histórica tenha grande influência, a situação crítica por que passa o suprimento de energia no Nordeste é estrutural. O sucesso da expansão das eólicas teria que vir acompanhada de térmicas na base com partida rápida para suprir a incerteza dos ventos, já que não temos mais água como opção. É preciso que fique bem claro não ser possível num sistema de potência interligado do nosso porte, ter seu suprimento com 100% de fontes eólicas e solares. Elas devem ser complementares em no máximo 30% porque não temos bons ventos durante o dia, nem sol durante a noite e, no momento, o armazenamento de energia nessas proporções é economicamente inviável. Assim, fica um vácuo de demanda a ser atendida que deve ser coberto com usinas de inércia, ou seja, por hidrelétricas e térmicas de partida rápida, para que seja assegurada a continuidade de fornecimento. Como não temos água, a melhor forma de recuperação dos reservatórios para o uso múltiplo dos rios é uma operação combinada de usinas solares, eólicas e térmicas com CVU (Custo de Valor Unitário) o mais baixo possível operando na base.

Atualmente, a melhor opção está no Programa Gás para Crescer, inicialmente utilizando o GNL (Gás Natural Liquefeito) importado, que está com sobreoferta no mercado internacional, até que possamos dispor do gás extraído do nosso pré-sal. Em paralelo,térmicas à biomassa operando como energia firme ou com alta inflexibilidade.

Geoberto Espírito Santo

Personal Energy – GES Consultoria, Engenharia e Serviços

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