Ouvidor Geral 01-01-2024

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 01-01-2024 – Geraldo Câmara

DANDO-SE AS MÃOS

Pois é. Um novo ano que se inicia, uma nova era, uma, quem sabe, nova oportunidade para que nos realizemos como gente de fato e de direito. Não que nos sintamos não realizados, mas crescer nunca será pouco para os objetivos de cada um. Parar? Só quando Deus quiser. Mas se pudermos fazer alguma coisa para que nossa vida tenha valido a pena, isto talvez seja nossa maior contribuição enquanto gente. Não podemos ver o que acontece mundo afora, os extremos de guerras violentas esquecendo a cabeça que deve funcionar, com as ideias que deve ter e que precisamos nutrir. Fazermos funcionar nossos neurônios de maneira efetiva e produtiva buscando uma positividade que seja muito mais do que a nossa mas com influência coletiva. Buscar fugir das manifestações de ódio que de há muito vem envolvendo sobretudo as famílias criando dissensões absolutamente improdutivas que não levam a nada, absolutamente nada e que nos levam sim a uma negatividade total. Entrar 2024 com um novo e denso objetivo de produzir, de trabalhar, de unir pessoas e famílias, este é o grande recado para o ano que se inicia. Dando-nos as mãos. O mais é complemento.

DESTACÔMETRO

O destaque vai para o amigo Neto Auto – é assim que ele é conhecido e ponto final – um enmpresário de destaque no mundo dos automóveis, executivo na Cepal e um excelente comunicador com programa na Band Maceió. Mas, sobretudo decente e meu amigo.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Primeiro dia do ano de 2024 e lá vai também nossa primeira coluna do ano como se tudo estivesse começando agora, com muito futuro pela frente, com muita vontade de escrever sobretudo acerca do crescimento deste estado de Alagoas que me acolheu há 27 anos atrás.

Quando aqui cheguei Alagoas estava em tumulto porque havia apenas um mês da queda do então governador Divaldo Suruagy. Mano era o sucessor. Corria o ano de 1997. Muitos diziam que não era bom ficar. Acreditei no oposto e jamais me arrependi.

E aqui continuei a trajetória do meu programa de TV, o “Bartpapo com Geraldo Câmara” e com ele, desde a sua fundação em 1992 na Paraíba, até agora já são passados 32 anos, graçs a Deus de sucesso e de alegria.

Por aqui também continuei minha trajetória de jornalista e dei continuidade a uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever. E naqueles pesados tempos entrei para O Jornal pelas mãos do saudoso e grande amigo Luiz Carlos Barreto e também não parei mais.

Veio o Primeira Edição, veio mais recentemente a Tribuna Independente e por aí vamos caminhando pelo mundo das letras quando neste ano devo lançar o meu décimo livro, muito em breve. Dos dez, sete foram escritos em Alagoas. Com muito orgulho.

Aqui conheci muita gente boa e acabei adentrando pelo serviço público também, comissionado, dando tudo de mim em cargos importantes que venho ocupando e com um enorme amor por essa Alagoas que tanto carinho me dá.

Sem contar que fui honrado com os títulos de “Cidadão Maceioense” proposto pela então vereadora Rosinha da Adefal e posteriormente o título de Cidadão Alagoano proposto pelo deputado Ronaldo Medeiros. Além de inúmeras comendas e prêmios obtidos nas Alagoas.

Que me perdoem os leitores por essas elucubrações que faço nesta coluna de hoje, mas longe de serem por vaidade ou vontade de me mostrar maior do que sou as faço por reconhecer tudo o que devo a este magnífico estado, ao apoio de todos e de minha família, à frente a dona do meu coração, Vanessa.

Paulo Poeta (foto) tradução cultura. Um expoente fantástico para a cultura de Alagoas em todos os níveis que vão da poesia à teatralização, à escrita e a tudo que represente bem este estado. Paulo deve sempre estar em destaque por nós que fazemos a imprensa. Abração, amigo.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos profundamente carinhosos vão para meu muito antigo e estimado amigo, o empresário de sucesso, Joaquim Santana. Conheço Joaquim desde os idos de 1979 e sempre tive por ele uma merecida admiração.

coluna BARTPAPO

Tribuna hoje

O QUE EU QUERO PARA 2024

Geraldo Câmara 29 de dezembro de 2023

   

O que eu quero para 2024? Essa é a pergunta que todos nós devemos estar nos fazendo porque em todos os anos, em todas as passagens de um para outro ciclo a pergunta é refeita e a esperança se renova o que é muito importante para que nada morra dentro de nós. Fiz uma lista, fugindo de escrever o tradicional artigo que faço todas as sextas-feiras neste jornal para responder a esta mesma pergunta: O que eu quero para 2024?

1) Claro que a primeira de todas é a saúde. Sem a saúde nada fazemos ou pouco fazemos.

2) A fé. É preciso manter a fé nas pessoas, em Deus e em si próprio para que a vida continue em patamares sólidos espiritualmente.

3) A paz entre as pessoas que mandam para que os países se entendam e não destruam o mundo do jeito que as coisas estão acontecendo.

4) O respeito para com as crianças que precisam ser olhadas a cada dia como futuro das nações. Crianças que necessitam de educação, de saúde mental para que sejam melhores condutores de cada país neste mundo.

5) O respeito também para com os idosos, tantos que já deram muito, tantos que ainda podem dar com seus conhecimentos com suas lutas, com suas fabulosas experiências. Ouvi-los é uma maneira de apoiá- los.

6) Pedir a todos que defendam-nos dos absurdos preconceitos existentes neste mundo e que, além dos raciais são formados por uma extensa lista de divisões de raças, de pátrias, de gênero, coisas que mantém as pessoas afastadas umas das outras quando a pregação precisa ser a da união, da cooperação, da igualdade.

7) E como gostaria de ver acabarem os homicídios e os feminicídios que estão assolando por aí afora. Como se veem coisas desses matizes numa demonstração inequívoca de que falta mais humanidade, mais crenças, mais religiosidade entre as pessoas! O crime está se perpetuando como algo absolutamente comum e não podemos permitir.

8) E os animais? Gostaria de ver um mundo que amasse mais os animais. Que não os maltratassem. Que entendessem que eles fazem parte de nós. São também integrantes de uma sociedade onde possamos ser tutores ou não.

9) Amaria ver a definitiva abolição das drogas, essa coisa insuportável que vem ceifando vidas em nome do enriquecimento ilícito de alguns poucos assassinos morais e materiais. Gostaria muito de ver a nossa sociedade engajada no propósito de eliminar essa coisa criminosa que pode começar com a ex-inocente lança-perfume e culminar com os “craques” que tantas vidas vem ceifando.

10) Que bom seria se não víssemos mais as crianças nas ruas pedindo esmolas em nome de mães que muitas vezes não têm alternativas para alimentá-las mas que estão cometendo um erro crasso com uso dessas crianças. O estado precisa agir cada vez mais com absoluta prioridade para com elas, as crianças. São o nosso futuro. Ou não serão?

11) Gostaria de ver mais respeito das pessoas com seu próprio trabalho. Que se dedicassem mais e que encontrassem em cada ação positiva uma contribuição para a produtividade que o Brasil tanto precisa. Um país que não produz não cresce. E esse entendimento precisa entrar na cabeça de cada um de nós, brasileiros. Somos contribuintes, sim. Mas precisamos usar melhor essa palavra, principalmente os que fazem o serviço público deste país para que este trabalho, se construtivo reverta em favor de toda uma sociedade a que pertencemos.

12) Finalmente, dizer que não existe “finalmente” em nossos desejos. As mudanças sempre serão constantes, as gerações futuras continuarão a elaborar listas de desejos e é assim que, gradativamente, iremos buscando e encontrando nossos caminhos.

Feliz e produtivo 2024 para todos nós. Obrigado sempre ao meu, ao seu, ao nosso Deus.

FOTONOTAS



CAIO PORTO – Conheço há muitos anos e desde então tornei-me um grande admirador deste cidadão que foi um dos introdutores do turismo institucional em Alagoas, um “expert” no assunto, um professor melhor dizendo. Caio além de tudo é uma figura antológica que adora o mar, que recebe em seu “Caio Mar”, o maior trimarã do Brasil como se ali fosse realmente a casa de todos os brasileiros que chegam a Maceió. Um papo inacreditavelmente gostoso, um prazer enorme de mostrar que gosta de estar com os amigos e de fazer tantos outros. Além de tudo como o grande “gourmet” que é. Admiro e muito, grande Caio Porto.



DINHO LOPES- Esse cara é ímpar. Deve ter herdado do grande pai Edécio a fantástica simpatia, o amor aos amigos que fez e faz e, sobretudo, a paixão pela obra do velho e saudoso Edécio que cultiva como ninguém. Presidente da Liga Carnavalesca faz carnaval como ninguém e daqui a pouco estará mostrando para o que a Liga veio com mais uma prévia sensacional do carnaval alagoano. Dizendo que aqui tem, chamando os turistas que, mesmo fugindo do carnaval de outros estados acaba por aderir e gostar. Dinho, o simpaticão que acompanhamos de perto e que admiramos por seu trabalho e dedicação.

PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)

Quem corre demais sem olhar para os lados não vê a vida passar.

ALERTAS DO DIA

Passei o Natal em João Pessoa na casa de meu filho Dinho e pude estar e conviver com alguns de seus amigos, com netos e bisneto. Ali é só um pedacinho da minha gostosa família que se espalha também pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Maceió e Orlando nos Estados Unidos. Que bom seria se pudesse reunir todos nesses dias tão bons e festivos mas é uma tarefa muito difícil e então, ficamos reduzidos na presença física, mas sempre ligados em todos, orando para que uma família grande e linda como essa tenha sempre o olhar divino.

* Meu amigo Valtenor Leôncio aproveitou o recesso do mês de dezembro e fez uma viagem em um desses fabulosos navios internacionais saindo de Maceió, indo até Santos e voltando com algumas paradas interessantes. Primeiro problema aconteceu quando antes do dia do embarque e quando o navio para cá se dirigia e dois passageiros tiveram AVC em alto mar. Com isso o embarque foi transferido para Salvador e os passageiros daqui de Maceió tiveram que ir para a capital baiana em ônibus para que lá embarcassem no navio. Tudo bem não fora o transtorno por aqui.

* A total falta de estrutura por parte dos que fazem o turismo foi anotada pelo jornalista que ficou horrorizado e esta é a palavra correta com a falta de assistência a todos os passageiros que ficaram por quase duas horas no sol, do lado de fora do porto porque táxis não entram nas dependências, com um mal cheiro terrível de esgoto a céu aberto e é claro que isso tudo foi altamente prejudicial antes mesmo de chegarem no segundo local do embarque que foi Salvador. Secretários de Alagoas e de Maceió vamos abrir os olhos porque saber receber é muito importante.

* Vem aí um novo ano repleto de promessas, cheio de esperanças para todos nós e devemos e podemos aproveitá-lo ao máximo, sobretudo se pensarmos nas falhas do que está acabando e tentando modificar rumos com toda humildade de reconhecer nossos erros, aprendendo a entender conselhos e recomendações e com isso buscar novos caminhos porque o mundo caminha pra frente e quem determina caminhos, ruelas, o que for somos nós mesmos. As experiências que temos sempre serão importantes para a construção do futuro. Que 2024 seja um futuro promissor.

POR AÍ AFORA

# Das duas uma: ou o Milei, recém empossado presidente da Argentina é um lunático que com o poder nas mãos será um louco poderoso e destruidor de processos ou já está mostrando que será um reformador capaz de fazer o que ninguém teve coragem, ainda que com o sacrifício de um povo já massacrado há alguns anos. Não se pode sequer dizer que ele não avisou porque em seus comícios plantou a ideia de um governo que acabaria com todos os tabus e que seria capaz de fazer coisas das quais até “Deus duvidasse”. E é nesse pé que caminha a Argentina de hoje. Vamos ver no que vai dar.

# Vamos entrar 2024 sem que haja algum consenso no que diz respeito a essa questão climática mundial. A tal COP não disse bem para o que veio. O entendimento entre os países ainda não aconteceu. O Brasil também não está liderando apesar do grande esforço de nossas autoridades principalmente em relação à Amazônia, aos seus recursos, o combate ao desmatamento, que são passos importantes mas, na verdade quem está sofrendo é o mundo como um todo e cada país precisa pensar nisso de maneira mais séria e contundente, caso contrário, nem é bom pensar.

# Os bombardeamentos podem ser diários na Faixa de Gaza, que mede 41 quilômetros de comprimento por 12 de largura, mas 83 dias depois do ataque terrorista do Hamas contra Israel, o conflito é cada vez mais regional. “Estamos numa guerra de frentes múltiplas”, avisou o ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, numa entrevista na comissão de Defesa e Negócios Estrangeiros do Knesset. “Estamos a ser atacados a partir de sete frentes – Gaza, Líbano, Síria, Judeia e Samaria, (o nome que os israelitas dão à Cisjordânia ocupada), Iraque, Iémen e Irão”.

ATÉ A PRÓXIMA

Amanhã, sábado é dia de “BARTPAPO com Geraldo Câmara”. Na BAND, canal 38.1 aberto, NET CLARO, canais 18 e 518, BRISANETE, canal 14, VIVO, canal 519, das 9 às 10h da manhã. Em Arapiraca, 45.1 e OOPS 10. Assista também pelo Youtube no canal “Programas do Geraldo Câmara”. Fale conosco pelo geraldocamara@gmail.com ou pelo Whats’App 82 99977-4399

BARTPAPO COM GERALDO CÂMARA

SOBRE

Jornalista, apresentador do programa Bartpapo na Band Maceió e Diretor de Comunicação do Tribunal de Contas de Alagoas

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DISCURSO DE UM JOVEM MÉDICO

ARTHUR DUARTE PINTO (em sua formatura)

Saudações à mesa, aos professores, aos pais, familiares e amigos… e colegas de turma.
Representá-los aqui é a maior honra da minha vida.
Há momentos que ficam gravados na memória para sempre: por mais que os anos passem,
não precisamos nem fechar os olhos para vivê-los novamente. Agora estamos vivendo um deles.
Daqui a cinco, dez, vinte anos iremos lembrar desse mesmo palco, do lugar onde nos sentamos, do
momento em que recebemos o diploma e, principalmente, da emoção ao redor de tudo isso.
Aliás, se tem uma coisa que aprendemos no curso, é que as emoções tornam tudo muito mais
fácil de lembrar – e não me refiro apenas a quando mudamos o gabarito de uma questão no último
segundo e erramos. Me refiro antes aos momentos especiais, desses que não sairão das nossas
memórias. Ninguém esquece de onde estava quando recebeu a notícia da aprovação no vestibular, da
primeira prática de anatomia, da primeira prova prática de anatomia, as lâminas de histologia cheias
de detalhes, o primeiro atendimento em uma consulta, e os OSCEs – para os familiares e amigos que
não sabem o que é um OSCE, é basicamente uma prova prática em que atendemos casos clínicos, e,
segundo a ciência, uma das poucas ocasiões na vida em que o cérebro pára totalmente de funcionar.
São lembranças de momentos que por vezes foram difíceis, mas que ficaram mais leves graças às
companhias uns dos outros.
Seis anos é muito tempo, mas não precisamos mais do que poucas semanas para fazer amigos.
De grupos formados ali, no calor do momento, para trabalhos de BCMed ou ISEC, a amizades
profundas, por vezes até entre pessoas tão diferentes. Temos em nossa turma gente de todo tipo: quem
veio de outros estados, quem entrou no curso emendando do colégio, quem entrou mais velho, quem
fez anos de cursinho, quem veio de outra faculdade, quem já tinha concluído outra faculdade (de
Saúde, de Humanas e de Exatas!), mães (antes e durante o curso!), quem conciliou os estudos com o
trabalho… Pessoas diferentes, mas cuja mistura resultou nisso que eu vejo com tanto orgulho agora:
amigos que podem contar uns com os outros pelo resto da vida.
E vejam como hoje é tão especial!: talvez seja o último dia em que todos estejamos juntos.
Tudo bem: amanhã tem o baile, mas aí cada um estará em seu lugar, e alguns nem vão lembrar
direito… então acho que podemos combinar que é hoje. Já pararam para pensar que depois de amanhã
tudo será diferente, cada um em seu caminho? E lembram que a gente viveu algo parecido, lá em
2020, quando estivemos todos juntos em uma aula pela última vez e nem sabíamos? Pois é, hoje
sabemos. Sabemos também como é difícil estar longe de quem nos faz bem, e como é importante ter
com quem contar. Mesmo com a distância física e a falta de contato direto, o que realmente importa
não vai mudar. Então peço licença para corrigir o que disse: depois de amanhã tudo vai seguir igual,
apenas perderemos um vínculo formal. Cultivem sempre os amigos que fizeram no curso: se hoje
fechamos um ciclo, amanhã se abrirão outros, e a caminhada é muito mais fácil quando estamos em
boa companhia.
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Aliás, que caminhada longa! Cursar Medicina tem o estranho efeito de fazer parecer que faz
cinco anos que começamos o internato, e que aquelas provas polêmicas de Embriologia aconteceram
há dez. Gosto de comparar a formação médica com a construção paciente de uma casa: primeiro,
fazemos a base, às custas de suor e trabalho repetitivo, e vamos colocando tijolo por tijolo. No
começo, parece que não vai tomar forma, os dias e meses passam, e ainda assim custamos a
reconhecer o progresso. Mas o trabalho continua, e em algum momento vemos que aquelas estruturas
já têm uma forma que lembra uma casa.
Como em qualquer empreitada, sempre surgem dificuldades. Assim como a chuva atrapalha
uma obra, durante nossa formação inúmeras intempéries apareceram. Por exemplo, tenho certeza que,
desde o início, com a aprovação para uma faculdade particular, não foi fácil lidar com a idéia de pagar
seis anos de faculdade, ou de buscar um financiamento, a depender das nossas condições. Muitos
dizem por aí, em tom jocoso, que só quem é rico cursa uma faculdade particular de Medicina. No
fundo, eles estão certos! Somos ricos, muito ricos, pois não há riqueza maior do que essa: famílias
maravilhosas que se sacrificaram durante 72 meses para vivermos esse sonho.
Mas não pensem que é porque a faculdade acabou que a partir de agora será fácil. Como disse
nossa querida professora Ivonilda quando conversei com ela esta segunda-feira, o caminho, essa
construção contínua de nossa formação, sempre será difícil, sempre terá obstáculos, mas nós temos a
garra e todo o necessário para vencer.
Estarmos aqui hoje é a prova disso: vencemos! Cada um possui a sua própria casa,
pacientemente edificada. E todas essas “casas” são diferentes – porque somos diferentes! E peço uma
coisa: que não se comparem. A história, a vivência e as experiências de cada um são como a noite de
hoje: únicas. Sou testemunha de como foi difícil para todos chegarem aqui. Nossas “casas” ao final
do curso são heterogêneas, mas confio que todas elas possuem uma boa fundação. Não tenho dúvidas
que ao longo dos próximos anos, com o mesmo esforço diário que testemunhei, com a graça e
permissão de Deus, vocês contemplarão as obras das próprias vidas com orgulho e até com saudade
dos bons e velhos dias da faculdade.
Hoje vivemos um dia com o qual sonhamos e, seres humanos que somos, já estamos com
outros objetivos em mente. Plantões, postinhos de saúde, residências, pós-graduações, magistério…
são variados os caminhos que todos percorrerão a partir da próxima semana. Contudo, nosso sucesso
não poderá ser medido em carrões, apartamentos, se seremos aprovados na residência ou onde
faremos a residência; não será medido em seguidores em redes sociais ou em prestígio acadêmico.
Na verdade, são as pessoas e como nos relacionamos com elas que determinarão nosso êxito. Cito o
colega americano Samuel Lyon, que disse, também em um discurso de formatura, que as quatro
medidas do verdadeiro sucesso são nossas relações com quatro grupos de pessoas.
Primeiro: com seus pacientes. Você será o médico que eles querem rever? Será a médica de
cuja consulta ele saiu se sentindo melhor, e a quem ele vai querer indicar os próprios entes queridos,
para que você cuide deles?
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Segundo: seus colegas de trabalho. E peço que olhem uns para os outros, pois agora vocês são
isso. Em seus dias mais pesados, você será rude com o colega de plantão? Irá preencher mal algum
documento em retaliação a algo que te ofendeu? Ou será aquele que é gentil desde que chega,
saudando o porteiro pelo nome? Você será o doutor com quem todos evitam conviver, ou será aquele
em cujo dia fixo todo mundo quer trabalhar?
Terceiro, seus supervisores. Você será a médica que estará preparada, se antecipará ao que
precisa ser feito, considerará os afazeres pendentes e que terá um plano para cumpri-los? Os seus
chefes lutarão por você, para que você não saia do serviço?
Quarto, e a medida mais importante do sucesso: sua família, entes queridos e amigos. Pois,
por mais que hoje seja difícil contemplar, um dia nossa carreira médica vai acabar. Quando isso
acontecer, você terá para onde ir? Sua família e seus amigos terão orgulho enquanto vêem você
pendurar o jaleco pela última vez? Estamos iniciando uma carreira estressante e árdua, e por isso
convido todos a priorizarem suas pessoas mais amadas com o mesmo cuidado e dedicação que terão
em seus trabalhos.
Então, quando você se sentir frustrado, pare e pense no que realmente significa o sucesso.
Revisando (como se fosse uma aula): suas relações com seus pacientes, seus colegas, seus
supervisores e suas famílias e amigos. É isso que indicará seu êxito profissional.
Aliás, todos esses grupos até hoje se doaram não por si, mas por vocês. A partir de amanhã, é
hora de retribuir sacrifícios. De nossas famílias, eu talvez nem conseguiria conter o choro caso
discorresse muito sobre tudo o que nossos pais, avós, irmãos, esposos, tios e primos fizeram por nós,
e hoje muitos destes infelizmente só podem nos abraçar espiritualmente. Sacrifício também dos
nossos professores, que se prepararam para aulas, colocavam-se à disposição para discussões e se
adaptaram ao mundo virtual do ensino que aconteceu durante a pandemia. Sacrifício da coordenação,
cuja capacidade de resolver problemas vai além do que eu posso descrever. E sacrifício dos pacientes
que atendemos ao longo do curso: sim, eles se doaram a nós – afinal, não precisavam gastar três horas
e meia numa consulta com alunos do 4º período para sair com um pedido de ultrassom e uma receita
renovada de losartana.
Agora, nós que vamos nos sacrificar pelos outros e honrar todos esses que investiram em nós.
Tivemos seis anos para estudar o saber técnico, e sei que vocês saem daqui bem formados, e agora
olho para quem, em alguns anos, vai saber tudo de cirurgia, clínica, ginecologia, pediatria,
dermatologia, cardiologia… Mas só saber o que está em livros é insuficiente; a medicina não é uma
teoria, é uma arte. O processo de cura vai além da conduta teoricamente perfeita, pois precisa do
envolvimento emocional do paciente. Se você se dedicar a tratar não uma doença, mas um paciente
(uma pessoa!), se você buscar ativamente entendê-lo como um ser humano além dos sinais, sintomas,
síndromes e diagnósticos, o processo de tratamento será mais bem vivido por todos, mesmo que o
desfecho não seja o melhor.
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Para ilustrar essa idéia – e antes de terminar o discurso (já passei do tempo) –, gostaria de
compartilhar uma história que certa vez li e me marcou muito. É um conto da tradição rabínica que
diz o seguinte:
Certo dia, um estrangeiro visita um rabino muito sábio e lhe pergunta:
— Mestre, o que é melhor, a bondade ou a inteligência?
O rabino responde:
—Claro que a inteligência, meu filho, pois ela é o centro da vida.
Há um momento de silêncio. O rabino parece pensar. E antes que o estrangeiro agradeça e
vá embora, o rabino completa:
— Mas, se você só tem a inteligência, sem a bondade, é como se você tivesse a chave do
quarto que está no centro da sua casa, mas tivesse perdido a chave da porta da entrada.
Meus colegas, meus amigos, que tenhamos e nunca esqueçamos onde estão essas duas chaves!
Conhecendo cada um de vocês, sei que já possuem a bondade que nos faz humanos, e que buscam
sempre a inteligência que nos sustenta. Sei que as “casas” que vocês construíram ao longo do curso
são fortes e cheias de valor, e agora se mostram ao mundo. Somos médicos! Vão, brilhem, saibam a
técnica e busquem melhorar nela, saibam ser humanos e ser vocês mesmos. Quando se sentirem
frustrados, lembrem-se de como medir o verdadeiro sucesso. Agora partimos rumo a novos caminhos
e novas construções. Que não só tenhamos sonhos, mas que eles sejam vividos – exatamente como
no dia de hoje.
Foi uma honra indescritível viver e aprender com vocês. Para a turma VIII A de Medicina,
obrigado e parabéns.
Artur Duarte Pinto
Representante e orador da turma VIII A de Medicina do Centro Universitário CESMAC

Ouvidor Geral 18-12-2023

Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 18-12-2023 – Geraldo Câmara

TAPAR AS MINAS COM AREIA DA LAGOA

Há pouco tempo atrás conversávamos, Otávio Lessa e eu quando ouvi dele uma referência a necessidade de urgente desassoreamento da Lagoa Mundaú, o que não ocorria desde os tempos de administração de Fernando Collor. Uma verdade absoluta e que tem sido alvo de muitas especulações, de muita gente dizendo que não se faz porque não há dinheiro e aquela coisa que todo o mundo já sabe. Só que agora com o problema das minas o assunto pode ser explorado de outra maneira e a areia que for retirada de um projeto de desassoreamento poderá ser a areia necessária para o preenchimento das minas da Braskem. Ou seja uma solução prática, muito mais econômica e que poderia ser feita dentro das negociações com a própria Braskem. Coloco esse assunto aqui, porque quando Otávio falou sobre ele e sugeria exatamente o preenchimento das minas aquilo ficou na minha cabeça como solução fantástica e hoje tive a oportunidade de ouvir alguém falar sobre esse assunto ou talvez tenha lido algo, comentários talvez sem saber de onde saiu a ideia. Se conseguirem superar os entraves das autoridades ambientais, quem sabe? Formidável! Hein, Otávio?

DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para essa fantástica figura que é Selma Brito, nossa concertista mor, capaz de lotar grandes teatros como tem feito ultimamente e encher nossos corações de alegria e emoção.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Meus cumprimentos ao Conselheiro Marcos Peixoto do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul que assumiu aquela corte na qualidade de presidente para o biênio 2024/2025. Simpatia em pessoa, sem dúvida vai conseguir grandes avanços no controle externo do estado.

Para essa posse deslocaram-se do Tribunal de Contas de Alagoas, o vice-presidente Otávio Lessa e os Conselheiros Rodrigo Cavalcante e Maria Cleide, oficialmente convidados para o ato. Em convite pessoal do amigo, Valtenor Leôncio também foi abraçar o novo presidente.

O Ministério Público de Alagoas e Defensoria Pública pedem o bloqueio de contas da Braskem no valor de 1 bilhão de reais para garantir a indenização de moradores das novas áreas atingidas com o problema da mina 18 e outras.

Urgente mesmo no momento é ver como ficam os pescadores e as marisqueiras da Lagoa Mundaú que não podem exercer suas atividades, estão passando por grandes dificuldades e precisam ser atendidos de alguma forma.

E o ambiente anda de festa pelos lados de Brasília com a aprovação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal que só deverá tomar posse na segunda semana de fevereiro. Acho que será um grande ministro já que sempre demonstrou seriedade e dinamismo nos cargos que exerce.

Gente, o que está havendo com o clima no planeta Terra é assombroso. Parece que tudo está mudando de lugar. Porto Alegre com 40 graus de temperatura é algo mais do que assombroso porque é um exemplo do que ainda virá por aí.

A senadora Daniella Ribeiro, da Paraíba lançou o programa “Antes que Aconteça”, uma rede de apoio às vítimas de violência doméstica com uma série de novidades que vão fazer com que a proteção seja bem maior e inclui 350 milhões ao orçamento federal com vistas a este projeto.

O senador Moro parece ter encontrado uma unanimidade a seu respeito. Consegue entrar numa fria sob a ótica governamental e agora encontrou os bolsonaristas o chamando de “traíra”. Entre gregos e troianos o Moro está perdendo todas.

Em meio a toda esta balbúrdia que tem sido provocada pelos descasos da Braskem, recebi a presença em um dos meus programas, o da Rádio Senado Cidadã, do Professor Abel Galindo (foto), uma das maiores autoridades em engenharia e que colocou os pingos nos ii sobre as minas de Maceió. Em breve estará no Bartpapo.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos da semana vão para esta força dinâmica que tem o nome de Aninha Monteiro pelo recebimento do Troféu “Oscar Alagoano” a ela oferecido pelo conhecido jornalista Cláudio Bulgarelli. Parabéns, Aninha. Vá em frente!

A frente da face

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

A energia elétrica é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento de
um Estado, região ou país porque afeta a vida de milhões de pessoas, praticamente
chegando à totalidade das unidades residenciais existentes no Brasil. A ANEEL (Agência
Nacional de Energia Elétrica) tem se mostrado muito preocupada para os aumentos nas
tarifas de eletricidade que foram projetadas por seu diretor-geral, Sandoval Feitosa,
durante sua participação no 1º Seminário Nacional dos Consumidores de Energia.
Esse Seminário foi promovido pela Frente Nacional dos Consumidores (FNC) e seu
objetivo principal foi a promoção de discussões sobre o custo da energia e a transição
energética no Brasil. Dele participaram parlamentares, membros do Executivo, lideranças
setoriais, especialistas e tomadores de decisões. O evento foi dividido em quatro painéis:
a) O papel dos poderes Executivo e Legislativo no setor elétrico; b) As políticas públicas
de energia; c) A voz do consumidor; d) A transição energética. No painel de abertura,
participaram Sandoval Feitosa, (diretor-geral da ANEEL – Agência Nacional de Energia
Elétrica), Luiz Barata (presidente da FNC – Frente Nacional dos Consumidores de Energia),
Luiz Carlos Ciocchi (diretor-geral do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico) e
Ângela Livino (diretora de Gestão Corporativa da EPE – Empresa de Pesquisa Energética).
O diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, discorreu sobre os principais fatores
que impactam na composição das tarifas e defendeu uma política tarifária com foco no
consumidor quando disse: “Que as discussões trazidas aqui tratem o consumidor como
protagonista das decisões tomadas pelo setor elétrico. O momento agora é de
discutirmos o equilíbrio, com tarifas que promovam a melhoria da qualidade de vida da
população e que permitam que a indústria se desenvolva com competitividade”. Ainda
como representantes da ANEEL no evento, tivemos a diretora Agnes da Costa e Camila
Bomfim, Superintendente de Gestão Tarifária e Regulação Econômica.
É preciso entender o que é mercado regulado e mercado livre, conhecer a
diferença entre tarifas e preço da energia. No mercado regulado se aplica a tarifa de
energia (R$ por kWh) e o consumidor é cativo da distribuidora local, que exerce um
monopólio, valor que é homologado anualmente pela ANEEL. No mercado livre o valor
do quilowatt-hora é discutido bilateralmente, entre o consumidor e uma
comercializadora/gerador). Esse valor e sua fórmula de reajuste estão em um contrato,
que também define o prazo de validade do mesmo. No mercado livre o consumidor
assina três contratos: um com a comercializadora para energia (R$/kWh), um com a
distribuidora para a demanda (R$/kW) e outro com o estado, para pagamento do ICMS.
A conta de luz, média nacional, é composta pelas seguintes parcelas: geração
(31,30%); transmissão (3,98%); distribuição (18,74%); encargos (5,70%) e impostos e
tributos (40,28%). Esse último é composto por: Pis/Cofins (9,25%) e ICMS (31,03%). O que
chega no nosso bolso é o somatório de tarifas, preços, encargos, tributos e contribuição
para iluminação pública. Na composição da tarifa de energia elétrica, o maior peso tem
sido a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que é a forma de financiar as
políticas públicas. Seus valores, conforme determina a Lei nº 13.360/2016, deverão ser
igualmente repassados para os consumidores até 2030. Vale salientar que, quando a CDE

foi criada, seu valor era de R$ 1 bilhão para ser financiada pelo Tesouro Nacional, ou seja,
com recursos do contribuinte, e não do consumidor de energia elétrica, como passou a
ser feito. Os últimos valores que foram rateados para os consumidores, via CDE, são os
seguintes: R$ 21,0 bi em 2020; R$ 23,9 bi em 2021; R$ 32,0 bi em 2022; e R$ 33,7 bi em

  1. Para 2024 deverá ser de R$ 37,2 bilhões. Esse repasse por igual termina
    prejudicando os estados menos desenvolvidos e não há como a ANEEL intervir para
    reduzir esses valores porque tem que obedecer a uma legislação superior. A tendência da
    conta de energia é continuar aumentando nos próximos anos até que esse rateio possa
    representar, realmente, uma igualdade para todos os usuários. Quando será, quem sabe?
    Atualmente, as regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste contribuem mais que o dobro na
    composição da CDE do que as regiões Norte/Nordeste, o que significa dizer que a divisão
    sendo igual para todos os usuários há uma transferência de renda das regiões mais
    pobres para as mais ricas. A proposta da ANEEL é que esse repasse da CDE para os
    usuários seja proporcional ao desenvolvimento regional, que leve em conta a capacidade
    de pagamento da população. Um exemplo disso aconteceu recentemente, quando o
    aumento da tarifa solicitada pela CEA Equatorial Amapá, com base no contrato de
    concessão, fez com que a ANEEL autorizasse um reajuste de 44,41% na conta de energia
    elétrica naquela Unidade da Federação. É uma situação em que a política tarifária acaba
    prejudicando as famílias de menor poder aquisitivo.
    Recentemente, outra decisão veio prejudicar os consumidores das regiões
    Norte/Nordeste. Antigamente, como a região exportadora de energia era o Sudeste, a
    tarifa postal aplicada no sistema de transmissão beneficiava os usuários das regiões
    Norte/Nordeste. Como a região exportadora agora passou a ser a Norte/Nordeste
    (grandes hidrelétricas na Amazônia, eólicas e solares) em duas resoluções normativas a
    ANEEL implantou a tarifa locacional, que a partir de 2028 seria composta por 50% da
    tarifa postal e os outros 50% pela tarifa locacional. Por pressão dos geradores eólicos e
    solares que estão situados no Nordeste e que passariam a pagar mais um pouco porque o
    maior mercado é o Sudeste, e os consumidores um pouco menos, um Projeto de Decreto
    Legislativo (PDL) 365/2022 sustou a Resolução ANEEL 1.024/2022 e revogou a 349/2009,
    cuja decisão final ainda tramita pelo Congresso Nacional. A ANEEL tem ainda uma
    proposta que consiste em ter o poder de diminuir a taxa de remuneração das
    distribuidoras quando elas forem beneficiadas através de menores impostos.
    Como nada disso depende do poder da ANEEL, cabe, portanto, ao Congresso
    Nacional, buscar as soluções que venham a promover uma tarifa mais equilibrada e
    acessível para todos os cidadãos brasileiros. Fica evidente a importância do Legislativo e,
    para tal, é necessário que a população seja bem informada e fique atenta às demandas,
    nas alternativas que venham a garantir uma tarifa justa e acessível para todos os
    consumidores de energia elétrica no Brasil. No início de 2024, será lançada a Frente
    Alagoas de Cidadania Energética (FACE), cujo objetivo é a formação do cidadão
    energético, conhecedor dos seus direitos e deveres sobre energia.

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços