OUVIDOR GERAL 11-03-2024

“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 11-03-2024 – Geraldo Câmara

ME DEIXA DORMIR!!!

Paulo Silvino, o grande humorista da televisão, precocemente falecido, na segunda metade da década de 60 foi a São Paulo apresentar um espetáculo teatral que se chamava “Escada para o Infinito”. Nós éramos amigos desde os tempos de televisão no Rio de Janeiro e Paulo ficou hospedado em minha casa, um apartamento triplex na Avenida 9 de julho, onde eu morava sozinho, após uma separação. Farrista por essência, Paulo, após o espetáculo, jantava no Restaurante do Papai, na São João, onde jantavam também alguns artistas de teatro, dentre eles algumas coristas fantásticas. E, eu, ia encontrar-me com ele e, após, sempre saíamos com algumas delas, para o apartamento, onde a festa rolava até quatro horas da manhã, às vezes mais. Imaginem que, além de atividades na TV de São Paulo, eu trabalhava, no horário comercial, na Alcântara Machado Publicidade, na área de criação e precisava estar com a cabeça descansada.

Aquilo virou rotina e, todas as noites se repetia. Um dia eu disse ao Paulo que ia dormir, que ele não trouxesse ninguém para casa porque eu precisava descansar. Duas horas da manhã, a campainha toca. Não poderia ser ele, porque tinha a chave. Era. Abro a porta. Morrendo de sono, grito: “Me deixa dormir!” Tento fechar a porta mas o Paulo empurra-a e entra, com uma garrafa de champanhe, cinco mulheres, aos berros de “a noite é nossa”. No dia seguinte eu tinha uma campanha publicitária para fazer e o produto eram colchões. O título do anúncio de jornais foi: “Me deixa dormir!”. Até sua morte, quando nos encontrávamos na rua ou em algum lugar, não importa qual, abríamos os braços e o nosso cumprimento era este: “Me deixa dormir!”

DESTACÔMETRO

O destaque é dela, sim. De minha mulher Vanessa que há 38 anos comemora do meu lado o dia dela, o Dia Internacional da Mulher. Uma mulher e tanto e pelo meu sorriso de felicidade vocês podem imaginar.

PÍLULAS DO OUVIDOR

A luta de bastidores para que, primeiro consigam um lugar na lista de um partido e depois possam batalhar por uma vitória para vereador não é pequena. Principalmente para os novos não convidados, mas com todo o direito de participar.

Pra quem pensa que essa luta é fácil e que basta ter um nomezinho que já está garantido, experimente. Por trás, nos bastidores, a guerra é muito maior do que se pode pensar e quem quiser arriscar vá em frente.

O nome de Cícero Almeida está aí relançado e vai começar tudo do começo ainda que tenha deixado a prefeitura com um enorme índice de aceitação. Vai sair para vereador com a certeza de que a luta é grande. E é um nomaço!

Existem muitos fatores que podem levar um candidato a vereador à vitória, dentre eles poder provar que chegando lá vai lutar pelos interesses do povo, vai conhecer as regras e vai usar bem o que puder em favor da cidade.

Entender a responsabilidade de um vereador é a principal coisa que deve ser estudada pelo pretenso candidato. Saber que não está sozinho e participará de um colegiado onde os interesses se chocam é outra coisa absolutamente importante.

Saber que a eleição para vereador é uma das mais difíceis e que a maioria das famílias tem um candidato que no mínimo conhece é importante. Parente, aderente, amigo, conhecido. É o que não falta nessa hora. Depois vem a cobrança.

A sugestão é que, na escolha do seu candidato, procure conhecer seu passado, suas ligações, seus parentescos, suas ideias. Não será fácil porque se você tiver influência em qualquer grupo vai ser profundamente assediado.

Enfim, a luta já começou. E começa com a inscrição no partido que te escolhe. Não é você que escolhe o partido que põe mil dificuldades. Você tem que mostrar seu potencial, caso contrário “babau” candidatura.

Olhem bem a expressão do rosto e das mãos do presidente Fernando Toledo e do vice Otávio Lessa (foto). Estarão dizendo pela expressão que esperam um grande esforço por parte de todos para que o Tribunal de Contas alcance os objetivos desejados. A luta é grande.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Pense num casal fantasticamente simpático e competente, cada um no seu ramo, Ruth Freitas e Paulo Bezerra. Para os dois vão os meus abraços da semana com muito carinho e amizade.

coluna BARTPAPO

Tribuna hoje

QUE MULHER É ESSA?

Geraldo Câmara 08 de março de 2024

   

Que mulher é essa que ainda sofre através dos anos ou dos séculos essa discriminação absurda? Que mulher é essa que, hoje, dona de uma personalidade ímpar ainda demora a reagir às agressões que o mundo lhe faz? Que mulher é essa que tem tudo, por dentro e por fora, para reagir, para dizer “estou aqui” e nem sempre o faz com o medo secular que a envolveu e que a denominou absurdamente de “sexo frágil”?

Essas são algumas perguntas seculares que envolvem a fantástica figura feminina e que, ao contrário do que dizem que é frágil e que está sob a tutela permanente do homem, enganam-se os que afirmam. Elas estão aí, mundo afora, mostrando sua garra, sua personalidade; tendo a oportunidade de demonstração de força mental e intelectual e também nos esportes com a força física sim e que as levam invariavelmente a “tops” de pódios.

Então, porque se permitir que homens apenas nos nomes tenham a ousadia de se acharem melhores do que elas? Por que se permitir ainda que as proteções jurídicas os acabem envolvendo e protegendo, se é que ainda acontece, num mundo que tem que ser unido em torno dos dois sexos com absoluta igualdade.

Nos remotos anos 50, uma emissora de televisão do Rio de Janeiro, a TV Continental transmitia um programa semanal com a inesquecível Hebe Camargo sob o nome de “O mundo é das mulheres”. Um sucesso absoluto que mostrava mulheres importantes e seus perfis num panorama interessante em que mulheres de sucesso falavam sobre suas trajetórias. Exemplos que são seguidos, que precisam continuar a serem mostrados porque elas sempre terão o que dizer dando exemplo ao mundo de que realmente ele, o mundo, é delas, sim. A conquista vem se efetivando através dos séculos, através de conquistas importantes como o direito ao voto que lhes era negado, mas sobretudo com leis fantásticas que as colocam em seus devidos lugares paralelamente com os homens.

O que acontece é que, através desses anos de conquistas, o sentimento de posse tem se manifestado abertamente, apesar das leis. Certa qualidade de homens que se julgam absolutos ainda se dão ao desplante de maltratar, espancar e até matar o que acabou gerando o termo feminicídio. Ora, as leis aí estão para serem cumpridas, mas os sentimentos não podem ser forçados. Por isto e até por isto, pelo crescimento ou aparecimento maior dessa violência, algumas mulheres têm se protegido na solidão, na renúncia à tal felicidade ou buscado outras aceitáveis formas de atingi-la. Acho que a violência contra a mulher acaba por mudar a própria sociedade e a formação familiar. Acho que já lá se vai o tempo do romantismo, do namoro com vistas a uma formação familiar, não de todo, é claro, mas de maneira visível e até desagradável porque nada mais bonito do que a família e sua relação com a sociedade. A mulher, evidente que sempre lembrando que nem todas, jamais vai deixar de romancear; jamais vai esquecer do seu lado puro e romântico; jamais vai deixar de sonhar com seus “Romeus” mas, no entanto, hoje pensa dez vezes ou mais antes de se entregar aos floreios e encantos com que sonha.

Tudo isso é importante, mas para o dia a dia, os governos precisam pensar mais e mais nas políticas públicas voltadas para a mulher. Pensar na sua capacitação e qualificação se não a possuir, Pensar em empregabilidade, em igualdade de funções e de salários (agora é lei), pensar sobretudo na força que deve ser dada a elas em todos os níveis e em todas as categorias. Oito de setembro é o Dia Internacional da Mulher. Por que? Para que? Todos os dias precisam ser pensados nelas e por elas. O mais é não entender que elas são e sempre serão a maior força de nosso mundo. Hoje e sempre.

FOTONOTAS



 ANA LUIZA NOGUEIRA– Quem já não ouviu falar nesta ousada delegada que tem demonstrado uma enorme guarra em sua missão de proteger as mulheres de nosso estado? Sem papas na língua, sem medo de aparecer, Ana Luiza tem implantado uma política de salvaguarda dos direitos da mulher em suas delegacias especializadas que realmente tem dado o que falar. Não deixa por menos em nada e em se tratando da mulher tem demonstrado que elas podem contar com seu apoio, com sua coragem mas sobretudo com a certeza de que com ela a guarita existe.



FÁTIMA PIRAUÁ – Figura fantástica de juíza e de mulher, saudada por tudo e por todos. Dedicada inteiramente aos problemas da infância e da juventude, Fátima conhece tudo sobre o assunto e na proteção às crianças também o está fazendo em relação às mulheres. Dona de um imenso coração e só assim poderia trabalhar com crianças, Fátima sabe as políticas públicas que devem ser empregadas neste problema tão angustiante para a nação e tem feito o que pode para agir e divulgar o melhor de suas ações como bons exemplos de justiça infantil. Grande mulher!

PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)

Que seria dos homens se não fossem as mulheres. O desequilíbrio total já teria derrubado o mundo.

ALERTAS DO DIA

* Essa questão da dengue mexe com a cabeça da gente à medida em que sabemos que o doença não existe de hoje e que todos os meios de repressão ao mosquito causador são divulgados desde anos. Ora, gente. Como se pode entender que não se cumpra esse mínimo de cautela para evitar a proliferação do “Aedes Egypt”? Acho que, além das campanhas de aviso, as de repressão mesmo, agora com a utilização dos modernos “drones” devem ter bastante persistência e punir os que deixam focos abertos, como já vimos em filmagens, por exemplo na cidade de São Paulo.

* O Tribunal de Contas de Alagoas está com licitação aberta para escolha de agência de propaganda o de manutenção da mesma que o atende no momento. O Tribunal tem feito um trabalho de comunicação próprio já que possui uma emissora de televisão, a TV Cidadã e um convênio também com a Rádio Senado para divulgação de sua programação e em parte do dia com programação própria. Estes serviços não são da competência da agência de publicidade que trata dos assuntos relativos à criação, mídia e redes sociais.

* E por falar em Redes Sociais, para os profissionais que são realmente publicitários e jornalistas,às vezes chega a dar pena ver como elas, as redes, são tratadas de maneira absolutamente antiprofissional e sendo usadas por gente que não entende nada do assunto. O resultado é essa profusão de assuntos idiotas sendo tratados e de “fake news” espalhando desde boatos inocentes até terrorismo e assuntos que nem poderiam estar sob a visão pública. Ainda bem que, vagarosamente mas andando, estão as delegacias especializadas tentando minorar os efeitos.

* E a propósito deste assunto continuo a não entender o absurdo da aceitação de um programa de televisão como o BBB. Uma idiotice que leva para as telinhas um monte de pessoas que poucoo ou nada têm a somar, pelo contrário. Com uma lista enorme de palavrões, de agressões, de maus exemplos para uma sociedade que já não está muito a receber cultura. Tenham paciência, mas aquilo é uma aberração e que demonstra uma aceitabilidade tão grande que chegamos à conclusão de que somos um povo absolutamente aculturado ou que não tem o que fazer. Com muitas exceções, é claro!

POR AÍ AFORA

# E o ex-presidente Donald Trump parece caminhar a passos largos para ocupar a presidência dos Estado Unidos mais uma vez. Estranho porque, acusado do jeito que vem sendo em um país onde as leis são absolutamente rígidas, não dá para entender como acaba fugindo delas e derrubando um a um os obstáculos que lhes aparecem pela frente. Nas famosas primárias ele sai derrubando tudo e depois, tudo indica que vai vencer o presidente Biden. Aliás, o Biden que parece um robô e dá mais a impressão de estar completamente alienado e fora da realidade.

# (do JB) O poder Executivo da União Europeia multou a Apple em 1,8 bilhão de euros (R$ 9,7 bilhões) por abuso de poder dominante no mercado de “streaming” musical. A sanção é fruto de uma denúncia do aplicativo Spotify, da Suécia, país integrante da UE. Segundo a Comissão Europeia, a Apple praticou “condições comerciais desleais” ao impedir desenvolvedores de plataformas de “streaming” musical de informar os usuários de iPhone e iPad sobre serviços alternativos e mais econômicos que o da gigante americana.

# As universidades britânicas sempre foram o sonho de estudantes de todo o mundo. No entanto, num ano, o número de candidatos a pós-graduações – ou seja, doutorandos – em estabelecimentos ao longo do Canal da Mancha continuou a diminuir. Por que essa súbita perda de interesse? A explicação é principalmente financeira: o aumento do custo dos vistos de estudante, decidido em 2023 pelo governo de Rishi Sunak, dissuade os candidatos estrangeiros O Financial Times indica “uma queda de 37% no número de candidaturas internacionais para cursos de pós-graduação no Reino Unido em janeiro de 2024 face a janeiro do ano passado”.

ATÉ A PRÓXIMA

Amanhã, sábado é dia de “BARTPAPO com Geraldo Câmara”. Na BAND, canal 38.1 aberto; NET CLARO, canais 18 e 518; BRISANETE, canal 14; VIVO, canal 519. Das 9 às 10h da manhã. Assista e inscreva-se também pelo Youtube no canal “Programas do Geraldo Câmara”. Fale conosco pelo geraldocamara@gmail.com ou pelo Whats’App 82 99977-4399

BARTPAPO COM GERALDO CÂMARA

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Jornalista, apresentador do programa Bartpapo na Band Maceió e Diretor de Comunicação do Tribunal de Contas de Alagoas

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NO CLIMA DOS APAGÕES

Geoberto Espírito Santo

Eventos climáticas extremos têm ocorrido com mais frequência no Brasil e o
impacto dessas intempéries sobre a rede elétrica tem gerado muita insatisfação dos
consumidores. Conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais (CEMADEN), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
(MCTI), em 2023 foram mapeados 1.161 eventos, um recorde de desastres climáticos no
Brasil, somando-se os deslizamentos, inundações e secas. Impactos no setor elétrico mais
recentes podem ser apontados como os ocorridos em outubro/novembro/23 em São
Paulo e em janeiro/24 no Rio Grande do Sul, quando em ambos os casos, além dos
consumidores, o Poder Executivo e outras autoridades locais se manifestaram contra a
demora no restabelecimento do fornecimento de energia elétrica.
As reclamações maiores se iniciaram em novembro de 2023 na capital paulista,
quando um temporal derrubou árvores que caíram e danificaram a rede elétrica,
deixando sem energia elétrica mais de 4 milhões de pessoas. A distribuidora ENEL
demorou 5 dias para restabelecer completamente o fornecimento de energia e essa
demora gerou um pedido de cancelamento da concessão pelo prefeito de São Paulo e
críticas do governo federal contra a privatização e da própria ANEEL (Agência Nacional de
Energia Elétrica). No Rio Grande do Sul foi em janeiro último, quando mais de 1 milhão de
pessoas ficaram sem energia elétrica após um temporal. O Diretor-Geral da ANEEL foi
convidado pelo governador gaúcho para uma reunião com prefeitos, quando foi
solicitada uma atuação mais decisiva nas demoras para o restabelecimento de energia
após apagões.
Uma das soluções por eles apresentada foi a construção de redes subterrâneas,
como se essas também não tivessem problemas com excesso de água. Seu custo de
implantação chega a ser entre 6 e 8 vezes superior ao de uma rede aérea, investimento
que deve ser remunerado e assim aumentar a tarifa de energia elétrica. Geralmente, essa
solução só é economicamente viável quando existe uma grande concentração de carga e
um planejamento integrado do local. Com ele, os custos são diluídos se, por um único
duto, passarem também gasodutos para distribuição de gás, cabos telefônicos, de TV e
de internet. No Brasil isso é quase impossível, pois a luta pelo poder entre governadores
e prefeitos das capitais inviabilizam esse entendimento em favor da população.
Nos estados acima citados, a questão não era apenas fazer a religação. Em São
Paulo, várias árvores caíram sobre as linhas, quebraram fios e postes e que, nesses casos,
antes da religação, existe todo um trabalho de engenharia para colocar em pé uma rede
nova. É necessário lembrar que a responsabilidade de poda e retirada de árvores que
afetam a rede elétrica por elas destruídas, é do poder público municipal, das prefeituras,
e não das concessionárias de energia. Nesse caso de árvores, quando o sistema está em
funcionamento e qualquer vegetação está ameaçando encostar nos cabos, as
concessionárias de energia elétrica só atuam com autorização do poder público
municipal, haja vista as implicações com o meio ambiente.
Existe uma cultura no Brasil que é de esperar que uma rede elétrica, mesmo
destruída com a queda de árvores, seja restabelecida em poucas horas, o que,

certamente, não será possível. Quando os defeitos são decorrentes do sistema elétrico,
os investimentos em automação da rede nas grandes cidades vêm avançando e os
problemas citados nos leva a verificar e estudar a experiência internacional para o caso
de eventos extremos. Nos Estados Unidos, por exemplo, um país em que 80% de sua
rede elétrica é aérea, o tempo de reconstrução da rede para casos de eventos extremos
varia de duas semanas a 18 dias. Grandes árvores no ambiente urbano das grandes
cidades requisitam um manejo mais eficiente, razão pela qual em Nova York e Chicago
estão optando por substitui-las plantando outras 3 com exemplares que alcancem até 3
metros de altura.
É claro que podem haver falhas na atuação das distribuidoras, cabendo à ANEEL a
fiscalização sobre o que rezam os contratos de concessão no que se refere aos índices
DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), FEC (Frequência
Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), DIC (Duração de Interrupção
Individual por Unidade Consumidora), FIC (Frequência de Interrupção Individual por
Unidade Consumidora), DMIC (Duração Máxima de Interrupção Contínua por Unidade
Consumidora ou Ponto de Conexão) e DICRI (Duração Individual Ocorrida em Dia Crítico
por Unidade Consumidora ou Ponto de Conexão) definidos por trimestre e anualmente.
Até dezembro de 2023, a ANEEL registrou 84.328 reclamações que foram feitas ao
órgão sobre a qualidade do fornecimento de energia elétrica. Se fizermos uma
comparação com 2022, esse número de reclamações representa um aumento de 40% e é
o maior patamar registrado numa série histórica que começou a ser computado em

  1. Se formos observar o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade
    Consumidora) de 2023 vemos que o Rio de Janeiro ficou quase 11 horas sem luz no ano,
    isso já expurgados os eventos extraordinários e as manutenções programadas. Agora
    imaginem os seguintes índices: Amazonas, com 40 horas; Maranhão, com 25; Piauí, com
    24; e Goiás, com 23. Em Alagoas, em 2022, o DEC foi 18,75 para o limite permitido de
    15,53. O FEC foi de 7,80 para um limite de 12,96. Parece que nos acomodamos com o
    ruim.
    Esses índices devem ser fiscalizados se estão dentro dos critérios anuais da
    qualidade do serviço estabelecidos nos contratos de concessão, função da localização do
    consumidor (cidade ou meio rural), sua carga (volume e importância) e suas
    especificidades. Antigamente, esses índices apareciam nas contas de luz e o consumidor
    poderia solicitar à concessionária o que realmente aconteceu. Pela regulação atual não
    precisam aparecer, mas a concessionária é obrigada a, caso algum seja violado, calcular e
    fazer a compensação ao consumidor até 2 meses após apuração. Nesse caso, a
    fiscalização tem que ser rígida, ou pela própria ANEEL, ou pela Agência Reguladora local,
    o que nem sempre acontece. A ANEEL pode aplicar multas, outras sanções e, no extremo,
    cassar a concessão. Na semana passada, a ANEEL multou a ENEL em R$ 165,8 milhões
    pelas falhas no restabelecimento da energia elétrica em São Paulo. Posteriormente, a
    Agência anunciou que está avaliando fazer uma “intervenção regulatória”, uma ação para
    tornar as redes de distribuição e de transmissão mais resilientes a eventos climáticos

extremos, e abriu uma Tomada de Subsídios para receber contribuições da sociedade
sobre o tema.
Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

JABUTIS, SUBSÍDIOS E DISTORÇÕES

Geoberto Espírito Santo

Na aprovação das leis no Congresso Nacional sempre aparecem os “jabutis” e os
últimos foram em 29 de novembro de 2023. Encontram-se no PL 11.247/2018, que
tramitou para ser o marco regulatório das eólicas offshore no Brasil. Por falta de terras, a
Europa partiu para o mar, custo 3 vezes maior, mas um casamento perfeito de quem
sabe produzir energia com os ventos com as petroleiras, que conhecem bem as
plataformas no mar. Falta de terras não é nosso caso, mas a pressão chegou ao
Congresso pois já existem 96 projetos no IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
Recursos Naturais Renováveis) à espera das licenças ambientais. Sem a segurança jurídica
de um marco regulatório, os investidores não colocam dinheiro para o desenvolvimento
dos projetos.
Segundo cálculos da consultoria PSR, esses “jabutis” aprovados têm o potencial
para causar um impacto direto no bolso do consumidor de R$ 25 bilhões anuais até 2050,
o que totalizaria nesse período o equivalente a R$ 658 bilhões. Nele, foram aprovadas
emendas com contratações compulsórias, totalmente desnecessárias pois não possuem
estudos técnicos e nem são visualizados no planejamento do sistema eletroenergético do
país que é feito pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) com horizontes de 10 e 50
anos.
Vale lembrar que na Lei nº 14.182/2019, que permitiu a privatização da Eletrobras,
dos 8 GW compulsórios de térmicas com gás natural, apenas 2,8 GW poderiam ser
viabilizados. Nessa Lei temos ainda os 650 GWm de contratos como o PROINFA
(Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), que foram
estendidos, e mais 1,2 GW em PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). No caso da
geração distribuída, Lei nº 14.200/2021, posterga o prazo para 28,8 GW de renováveis
entrarem em operação com subsídios, e, com um “jabuti”, esse total passa para 63,8 GW.
Os “jabutis” também beneficiarão outros 8,5 GW com a postergação de prazo para as
micro e mini geração distribuída (MMGD) entrarem em operação com subsídios até

  1. Sem respaldo técnico, temos mais 300 MW de eólicas no Sul, 920 MWm de
    extensão de contratos do PRIONFA, outros 4,5 GW de contratação compulsória em PCHs
    e 1,2 GW em térmicas a carvão (UTEs Candiota 3 e Figueira) com benefícios de custo até
  2. A consultoria TR Soluções calculou que esse impacto anual deve ser da ordem de
    R$ 35 bilhões. Esse custo adicional no bolso dos consumidores começa em 2027 com
    5,07%, passa para 2,29% em 2028, depois vai para 4,40% em 2029, segue para 8,78% em
    2030 e chega em 2031 com o acréscimo de 5,48%. No dia 29/02/2024 a ANEEL vai
    realizar, em Maceió, uma Audiência Pública para colher subsídios para definição das
    tarifas da Equatorial Alagoas, a serem aplicadas a partir de 03/05/2024. Deverá ser uma
    das 8 distribuidoras a ter um índice pequeno ou até negativo.
    A capital do Brasil é uma cidade com características especiais, na qual existe dois
    locais onde somados se reúnem 597 pessoas com perfis dos mais variados, certamente
    que dignos representantes dos vários segmentos que compõem a sociedade brasileira.
    Algumas dessas pessoas se apresentam como muito criativas e com o intuito de “mostrar
    serviço” propõem que a coletividade possa transformar qualquer coisa em qualquer

coisa. E a energia, pelas suas amplas possibilidades de produção no Brasil, e agora com o
apelo da transição energética, é um alvo no qual sempre atiram saindo de suas armas os
já conhecidos “jabutis”.
No PL nº 484/2017, que foi apensado ao PL 11.247/2018, nele foi encontrada essa
rara espécie num improvável texto chamado “Substitutivo da Câmara dos Deputados ao
Projeto de Lei do Senado nº 484/2017”. Da redação bastante enigmática, pode ser
visualizado: “…também deverão ser contratados 250 MW de energia proveniente do
hidrogênio líquido a partir do etanol na Região Nordeste até o segundo semestre de
2024, com entrega até 31 de dezembro de 2029”. Após o pedido de ajuda para
taxonomistas, inclusive de fora do país, não se conseguiu classificar esse “jabuti” como
outros da mesma espécie. Um grupo de cientistas e especialistas em energia
promoveram um debate e chegaram à conclusão pela impossibilidade de surgimento
dessa nova espécie, já que desafiaria a Teoria de Darwin sobre a sobrevivência daqueles
que se consideram os mais aptos. Essa espécie seria de uma eficiência energética tão
baixa que não faria nenhum sentido ter sido resultante de uma evolução natural.
Esse “jabuti” propunha produzir energia útil em cinco fases. Primeira: fazer a
conversão da energia do sol em açúcar da cana pela fotossíntese. Segunda: transformar o
açúcar em etanol, por fermentação. Terceira: produção do hidrogênio através do etanol.
Quarta: fazer a liquefação do hidrogênio. Quinta: produzir energia elétrica através do
hidrogênio líquido. Dos cientistas que participaram dos debates, ninguém entendeu nada
dessa lógica. Ora, se podemos produzir energia diretamente do bagaço da cana e o
etanol tem a propriedade de armazenamento à temperatura ambiente, por que utilizar
grande parte dessa energia para resfriar o hidrogênio à temperatura de -253°C para
depois armazená-lo para produzir energia? Um taxonomista fez a seguinte exclamação:
“O jabuti não resultou da evolução natural, mas de uma seleção artificial!”.
Talvez essa nova espécie tivesse surgido por causa do excesso de energia
conjuntural existente no sistema elétrico brasileiro, argumentou outro. Temos 209 GW
de potência instalada e, só agora, em fevereiro de 2024, registramos um pico de
demanda de 101 GW, devido ao intenso acionamento de aparelhos de ar condicionado
para combater o calor, sendo que a nossa demanda média este ano foi de 83 GW. Na
proposta existe uma altíssima ineficiência em converter energia bruta em energia útil e
que, talvez, fosse essa uma maneira discreta de jogar energia fora para não aumentar o
desequilíbrio do sistema.
Após várias risadas, alguém levantou a hipótese de tratar-se de uma homenagem a
Victor Frankenstein, que criou um monstro e sugeriu que fosse chamado de Chelonoidis
frankenstein. Outro cientista lembrou que esse monstro nasceu com um coração bom,
muito embora tenha sido posteriormente rejeitado pela sociedade que o transformou
num vilão. Nasceu com o dom de feroz devorador do dinheiro dos consumidores porque,
pelos cálculos aproximados, chegou-se à conclusão que custaria algo em torno de R$ 3
bilhões anuais a serem retirados dos bolsos dos consumidores de energia elétrica.
Ter uma matriz elétrica com 93% renovável, não é tudo. Ela tem que ser justa e,
para tal, precisa de visão prospectiva, planejamento e gestão da segurança operacional.
Temos uma energia barata, mas é a 2ª mais cara do mundo no bolso do consumidor. O

ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, já reconheceu que subsídios e distorções
estão levando o sistema elétrico brasileiro à beira do precipício. Esse modelo precisa ser
revisto.

Geoberto Espírito Santo
GES Consultoria, Engenharia e Serviços

Ouvidor Geral 04-03-2024

“Ouvidor Geral” para o jornal Primeira Edição de 04-03-2024 – Geraldo Câmara

                                    A MORTE DO SOLIDÔNEO

           O nome dele, Solidôneo Palitot. Um nome diferente, um bom amigo, casado com Noanita, irmã do grande Noaldo Dantas. Ela fora colega de faculdade de Vanessa, minha mulher. Homem de seus cinqüenta e poucos anos, na época, Solidôneo andou tendo uns problemas de saúde, relacionados ao coração. Fora inclusive internado e, quando voltou para casa, Vanessa eu fomos visitá-lo em João Pessoa. Nós morávamos em Campina Grande, na Paraíba mas, volta e meia estávamos na capital. Solidôneo estava bem. Fraco, mas bem. Conversamos muito e ainda combinamos que nos veríamos para uma boa farrinha, em breve. Passara-se um mês daquela tarde de visita a Solidôneo. Eu estava em Campina, lendo o meu jornal, no banheiro, como é o meu costume, quando me deparei com o anúncio: “A família de Solidôneo Palitot, profundamente consternada, participa o seu falecimento ocorrido ontem à noite, na cidade de João Pessoa e convida a todos para o seu sepultamento, hoje, às 9 horas, no Cemitério São Judas Tadeu, agradecendo desde já aos que comparecerem a este ato de piedade cristã”. Dei um grito: “Vanessa! Tenho uma péssima notícia… Solidôneo faleceu. E nem dá tempo de irmos ao enterro. Faltam só 15 minutos. E, entre lástimas Vanessa sugeriu: “Passa um telegrama, meu filho. E nós vamos à missa de sétimo dia”. Peguei o telefone e passei o telegrama: “Estamos profundamente consternados passamento nosso  amigo Solidôneo. Sabedores, apenas agora, terrível desenlace, estamos com todos, unidos dor, pedindo a Deus para que nos dê, a todos, a graça do consolo e da aceitação.  Geraldo e Vanessa. Menos de uma semana depois, telefonamos para uma grande amiga comum, Neves, para sabermos o dia da missa. “Que missa? Solidôneo não morreu, não. Foi um tio que tinha o mesmo nome”. Quando encontrei com a quase viúva, Noanita, entre risos e vergonha e a afirmação dela de que o telegrama havia comovido muito ao quase defunto, acrescentei: “Ora bolas, um homem ter o nome de Solidôneo já é demais! Agora dois, tenha paciência! E quer saber mais? Diga ao Solidôneo que já estou quites com ele e o telegrama fica valendo para outra ocasião, ok?”

DESTACÔMETRO

          O destaque vai para o historiador e escritor Marcelo Bastos que tem uma visão espetacular das coisas, principalmente quando se trata de período eleitoral. Vale a pena ler seu novo livro “Personagens da política alagoana”

PÍLULAS DO OUVIDOR

O número de problemas que aparecem em diversas áreas e que dão prejuízo às pessoas está fazendo com que a adesão a seguros de vários esteja proliferando no estado de Alagoas.

A questão de incêndio, por exemplo. Tem sido assustador o que aparece de apartamento pegando fogo e em áreas nobres da cidade. Provocados por mil problemas. Depois o prejuízo fica e aí?

É por isso que os bancos estão aumentando suas carteiras de seguros, ligando para os seus clientes, oferecendo todas as espécies de seguros para quie os prejuízos não sejam tão grandes para seus clientes, em casos de sinistros.

O carnaval já era e o povo se prepara para a Semana Santa. Alguns praticando suas devoções, outros já querendo o feriadão, praia ou sei lá o que. A maioria não vai comer carne porque é a hora e vez dos peixes.

Então também é o momento de ver o que vai comprar, onde vai e como vai. O maior cuidado deve se ter nessa hora sabendo exatamente como escolher o pescado ou o crustáceo porque se assim não for o perigo é grande.

Meu amigo Paulo Bezerra, da Vigilância Sanitária sabe exatamente explicar como você deve se comportar diante de um peixe ou de um sururu, por exemplo. Esta semana fiz um Bartpapo com ele e o resultado foi fantástico.

E não esquecer que um envenenamento por peixe estragado é dos piores que podem acontecer. Dependendo do tipo pode levar o consumidor a óbito. Portanto, vamos aos atos de fé e também a diversão com cuidado e respeito.

O Tribunal de Contas de Alagoas tem hoje um dos melhores sistemas de ponto facial que existe. O sistema que exige uma série de atitudes paralelas começará a funcionar em definitivo nos próximos dias. 

Atricon, muitos já sabem tratar-se da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas e agora tem novo presidente. O Conselheiro de Roraima Edilson Silva (foto) assume com a enorme responsabilidade de suceder ao Conselheiro César Miola.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos vão para a Conselheira Renata Calheiros que acaba de implantar no TCE AL o Núcleo da Infância. Conhecedora profunda do assunto tenho a certeza de que vai fazer um belíssimo trabalho em prol das crianças de Alagoas.