TEM BOI NO CLIMA

Geoberto Espírito Santo

Na Guerra Fria, a corrida armamentícia movia a economia mundial. A antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e os Estados Unidos disputavam a primazia de enviar o homem ao cosmos e quem seria o primeiro astronauta a pisar no solo lunar. As superpotências procuravam se “defender” construindo o maior arsenal possível de mísseis nucleares. Com a queda do Muro de Berlim, a Rússia ficou separada das outras repúblicas socialistas soviéticas e a grande questão passou a ser quem iria movimentar a nova economia mundial.

O cientista político e economista norte-americano, Francis Fukuyama, escreveu o seu famoso artigo “O Fim da História”, na revista National Interest, e três anos após, lançou o livro “O Fim da História e o Último Homem”. Passou por Platão, Nietzsche, Kant e Hegel para revigorar que naquele momento estava havendo a vitória do livre capitalismo de mercado e que a difusão mundial das democracias liberais estaria sinalizando o fim da evolução sociocultural da humanidade.

Teses e mais teses ainda hoje são discutidas para dar resposta à nossa realidade geopolítica. A ascensão da China como grande potência mundial, a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Índia emergindo como o país mais populoso do mundo, a guerra de Israel com a Palestina/Hamas, o temor da entrada de países do Oriente Médio nesse combate, e uma polarização política tendendo para uma radicalização extrema e conflitos generalizados.

O poder mundial vitorioso daquela época decidiu que a tese do aquecimento global movimentaria a economia e, na geopolítica, as fontes renováveis de energia. Apesar de sua tecnologia ser dominada por poucos, sol e ventos estão disponíveis em todos os países na busca política da disseminação da democracia. Essas fontes de “energia limpa” deveriam substituir os combustíveis fósseis, petróleo e gás natural, energéticos produzidos em países quase sempre praticantes de regimes políticos fechados e/ou autoritários, e o carvão.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), passou a defender a tese que as emissões de gás carbônico (CO 2) antropogênicas era a responsável pelo aquecimento global. Outro grupo de cientistas argumenta que as emissões humanas representam apenas 3% das emissões totais e que a variação da atividade do Sol, que da máxima para a mínima passa 90 anos, é quem controla o clima, com grande influência dos fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação.

O CO 2 é responsável por 74,4% das emissões globais, ficando os 17,6% restantes de responsabilidade do metano (CH 4 ), que também contribui para o efeito estufa de forma diferente porque seu tempo de vida na atmosfera é curto. Enquanto o metano dura cerca de 20 anos na atmosfera, cerca de 20% do gás carbônico emitido pode ultrapassar os 100 anos. No período de 20 anos, o metano é 86 vezes mais poderoso que o gás carbônico e 34 vezes em um século. Ele também contribui significativamente na formação do ozônio ao nível do solo, responsável por um milhão de mortes prematuras por ano em todo o planeta.

No crescimento exponencial da população na Terra, o processo de desenvolvimento econômico e a migração para as cidades estimularam uma demanda sem precedentes da proteína animal, muito embora um terço dos 8 bilhões no mundo ainda passe fome. Se considerarmos uma alimentação diária de 2.000 calorias, esse 1/3 de famintos poderia ser alimentado pelo desperdício de 1/3 do topo da pirâmide de renda. Em 2022, foram emitidos 52 bilhões de toneladas de gás carbônico no mundo, enquanto o metano registrou 364 milhões de toneladas. Desde a chamada Era Pré-Industrial, o CH 4 responde por cerca de 30% do aquecimento global e está avançando rapidamente.

Das emissões antropogênicas, quem mais libera metano para a atmosfera é o setor da agropecuária (40%), seguido pela energia (35%) e pelos resíduos (20%). Na agropecuária, não só pelo processo digestivo dos ruminantes, mas também pela gestão do esterco e pelo cultivo de arroz em casca. Ao se alimentarem, no estômago de bois e vacas existem micróbios que ajudam a quebrar a comida liberando hidrogênio e dióxido de carbono, quando uma enzima faz uma combinação desses gases para formar o metano.

A maior concentração atmosférica global de metano havia sido registrada em 2020, sendo que doze países, dentre eles o Brasil, são responsáveis por dois terços dela. Segundo dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), em 2021, os rebanhos no Brasil foram responsáveis por 65% do metano liberado para a atmosfera no país. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Coalizão Clima e Ar Limpo, seria de fundamental importância para o atingimento das metas relativas às mudanças climáticas que as emissões de metano provenientes da agricultura fossem reduzidas.

As flatulências dos bois, cabras, ovelhas e outros animais, como o arroto e o pum, são emissores de metano e poderão estar sujeitos a serem taxados a partir de 2030.

Encontra-se no Parlamento da Dinamarca um projeto de lei cujo objetivo é taxar as emissões de metano causadas pelo gado. Segundo dados da agência Reuters, a Dinamarca é um grande exportador de carnes e laticínios e essa atividade emissora de CH 4 é também a maior de CO 2 naquele país, que tem uma meta de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 70%, comparadas aos níveis de 1990. Fico imaginando como será fazer uma justa medição dessas emissões.

Apesar de vultosos investimentos globais em solares e eólicas, as emissões de CO 2 apresentaram um recorde de 425,38 ppm em março/2024, tendo como pano de fundo não ultrapassar o limiar climático de 1,5°C até 2100. Mas, como disse o economista britânico John Maynard Keynes, “no longo prazo estaremos todos mortos”. Para quem vive na pobreza energética, o longo prazo foi ontem, razão pela qual a transição energética tem que ser justa e segura. Está na hora de serem traçadas metas decenais palpáveis, visando não só eliminar a pobreza energética, mas também alocando recursos para proteger a população dos efeitos das mudanças climáticas.

Geoberto Espírito Santo (Personal Energy da GES Consultoria, Engenharia e Serviços)

Ouvidor Geral 02-09-2024

“Ouvidor Geral” para o Novo Primeira Edição de 02-09-2024 – Geraldo Câmara

QUAIS SÃO AS IDEOLOGIAS POLÍTICAS DO BRASIL?

O país tem um sem número de partidos e aí vem a grande pergunta: como é que podem existir tantas ideologias, tantas razões de ser para que partidos sejam fundados, a não ser que sejam grandes negócios, tanto políticos, como financeiros? E, por que não? O caminho que está sendo mal seguido deve ser este. Uma estrada que não é percorrida pelo povo e que simplesmente faz com o que o povo siga comprometimentos dos quais não compartilha e não sabe compartilhar. Houve tempo em que o Brasil tinha o comunismo, o integralismo, o trabalhismo, o socialismo. Algumas ideologias, discutíveis ou não, mas que traçavam fronteiras nítidas entre os poucos partidos da época. Hoje não se sabe nada, não se encontram fundamentos ideológicos e até mesmo proposições, com raras e honrosas exceções. Como tentar, então, fazer com que a população aprenda a votar, busque entender a complexidade política e saiba escolher entre tantos joios e trigos que existem por aí? Difícil, muito difícil, porque a identidade política do país ainda não foi configurada e as gerações mais recentes ainda buscam por essa identidade como se perdidos ainda estivessem nas estradas, “sujas” ou não. Vamos crescer, vamos somar, vamos encontrar os caminhos políticos deste país. É o que desejamos para esta e para as próximas gerações.

DESTACÔMETRO

O destaque da semana vai para a iluminada radialista Floracy Cavalcante, a rainha do rádio alagoano. No Dia do Maçom ela recebeu a Comenda Moacyr de Carvalho Ribeiro e foi homenageada e aplaudidíssima por todos os que lotaram o auditório de TCE naquela noite.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Como era de se esperar o Brasil está fazendo um furor nas Paralimpíadas e conquistando medalhas, uma atrás da outra. Parece que os que têm algum tipo de deficiência lutam muito mais pelo que querem. Força de vontade acima de tudo.

E é aí que provocamos atletas e dirigentes em relação aos saudáveis que precisam ter mais garra e sobretudo mais atenção por parte das autoridades que precisam investir cada vez mais no esporte.

A Seprev) participou de um evento em alusão ao Agosto Lilás. Com o tema “Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada”, o encontro reuniu profissionais que atuam no atendimento, assistência e monitoramento de demandas relacionadas a mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

O espetáculo de dança “Cheia”, interpretado por Joelma Ferreira foi a atração alagoana da edição de Pernambuco do Festival Cena Nordeste. A apresentação ocorreu no sábado (31) no Teatro Fernando Santa Cruz, localizado no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda.

A obra, que é estruturada pelos três “Ps”: Poder, Prazer e Política, reflete sobre a relação entre mulheres negras, filhas de Oxum, e o chão em que vivem, explorando a conexão entre o corpo- território e as águas que o inundam.

Há 16 anos atuando na criação e apoio a projetos, pesquisas e políticas públicas de cultura digital em todo o país, o LabHacker – Laboratório Brasileiro de Cultura Digital abre, em Maceió, um novo espaço de inovação cidadã.

A sede foi inaugurada no sábado (31), na Rua Pedro Paulino, 179, no bairro do Poço. A associação chega fisicamente ao Nordeste com o propósito de ampliar o acesso às tecnologias sociais.

Puxando a brasa para minha sardinha e orgulhosíssimo da Comenda recebida das mãos do Grão Mestre da Maçonaria em Alagoas, Otávio Lessa (foto). Meu amigo irmão, uma das melhores almas que conheci em minha vida.

ABRAÇOS IMPRESSOS

É com muito prazer que envio o meu abraço ao grande comunicador que é Gilvan Nunes e a sua esposa. Gilvan foi um dos homenageados no dia do Maçom e recebeu também a honrosa Comenda, primeira da Maçonaria em Alagoas.

A CURVA DO PATO

GEOBERTO ESPÍRITO SANTO

Temos uma potência instalada para geração de eletricidade no Sistema
Interligado Nacional (SIN) de 225.000 MW, para uma demanda máxima de 90.060
MW registrada na semana passada. As principais fontes de geração da nossa matriz
elétrica (não confundir com matriz energética) que compõem esse total são as
seguintes: hidrelétrica (62%); eólica (12%); gás natural (6%); bagaço de cana (4,7%);
solar (4,4%); nuclear (2%); carvão (1,2%); para completar os 100% existem a lixívia,
óleo diesel, PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) e outras renováveis. Portanto, em
potência instalada, temos energia de sobra para o atendimento ao mercado consumidor.
Todas as fontes são importantes, mas vale salientar que cada uma tem características
próprias.
As hidrelétricas podem funcionar todo o tempo, desde que as afluências sejam
suficientes para o enchimento dos reservatórios. Chuva que cai fora da bacia dos rios
não vai fazer parte do armazenamento das hidros. As eólicas não funcionam o tempo
todo e, quando estão em operação, sua intensidade é maior no período noturno. Apesar
dos modelos matemáticos e estatísticas, não se sabe exatamente quando começam ou
param de gerar. Térmicas a gás natural podem funcionar o tempo todo e serem ligadas
de forma rápida, mas sua operação é mais cara e poluente. As usinas solares só geram
durante o dia e sua intensidade depende da hora. As que usam biomassa só funcionam
integralmente nos 6 meses da safra da cana-de-açúcar. As nucleares produzem energia
firme o tempo todo, mas seu custo é alto e não têm flexibilidade operacional. As
térmicas a carvão podem operar o tempo todo, mas também são caras e mais poluentes
do que as que usam o gás natural.
Desde abril de 2024, a segurança do abastecimento de energia elétrica na “hora
da ponta” do sistema vem preocupando o Operador Nacional do Sistema Elétrico
(ONS). Por causa do calor no verão e o intenso acionamento de aparelhos de ar
condicionado, essa “hora da ponta” vem ocorrendo no período das 14h às 16h nos
meses de janeiro e fevereiro. No restante do ano, essa maior demanda acontece entre
18h e 20h, período em que as solares já deixaram de produzir e as eólicas ainda não
estão gerando com sua potência máxima. Atualmente essa diferença é de 40.000 MW,
ou seja, de 17,8% do total da potência instalada. Esse tipo de comportamento é
conhecido como a “curva do pato” e o déficit precisa ser rapidamente coberto por
hidrelétricas e/ou térmicas, a depender de onde a demanda estiver sendo solicitada.
Para não ter maiores reflexos nas tarifas, o ONS deve saber quais usinas estão
disponíveis para o despacho e quanto custa essa disponibilidade, uma “ordem de
mérito” econômico utilizada para autorizar a entrada em operação.
A onda de calor e as queimadas na região Norte afetaram os rios da Amazônia e
o menor volume de água atingiu a geração das usinas de Santo Antônio, Belo Monte e
Jirau, hidrelétricas consideradas estruturantes para o SIN. Na semana passada, a
geração média foi de 2.976 MW, quando no mesmo período de 2023 foi registrado
3.703 MW. Nesse tempo, a demanda média aumentou naquela região, passando de
8.274 MW para 8.297 MW. Na semana passada, a geração solar total no Brasil

entregava em torno de 30.000 MW entre o meio-dia e as 13h, caindo para 50 MW às
18:30h, valor que já inclui a geração nos painéis solares instalados nas residências dos
consumidores. Às 18:44h, a demanda do país registrava 90.060 MW.
O preço da energia no mercado atacadista, que é o PLD (Preço de Liquidação de
Diferenças), passou de R$ 124/MWh para R$ 342/MWh, cujos reflexos vão aparecer
no custo de quem está no mercado livre precisando de energia para atendimento às
suas necessidades contratuais e para os consumidores do mercado cativo por causa do
acionamento da bandeira tarifária amarela, ou até a vermelha. A preocupação com esse
cenário foi detectada através da troca de ofícios entre o Operador Nacional do Sistema
Elétrico (ONS), o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL). Essa dificuldade deve aumentar em outubro, quando a
temperatura começa a crescer fazendo a demanda subir e as chuvas de
novembro/dezembro ainda não começaram a recompor os reservatórios.
O crescimento da demanda e a abertura para um mercado totalmente livre
tendem a levar a expansão do sistema a ser feita com renováveis, que são
intermitentes, sendo que 80% tende a ser pela fonte solar. Recentes estudos feitos pela
Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já identificaram a necessidade de uma potência
adicional no sistema de 5.500 MW em 2028 de fontes “despacháveis”, ou seja, aquelas
que podem ser acionadas a qualquer momento. Nesse caso, não são consideradas as
fontes eólica e solar por serem intermitentes e dependerem das condições climáticas
para gerar energia. Portanto, a regulação existente e a intermitência são fatores
baseados nos quais as termelétricas continuarão sendo cruciais para a segurança no
abastecimento nos períodos de baixa produção das fontes renováveis.
Uma das soluções para essa questão, adotada em vários países, é o programa
Resposta da Demanda, válido somente para consumidores de grande porte. O operador
do sistema, sabendo que será necessário ligar térmicas com custo variando entre R$
800/MWh e R$ 2.000/MWh, entra em contato com as indústrias perguntando se elas
podem tirar carga na hora da ponta, em lotes de 5 MW, por no mínimo 4 horas.
Certamente que a empresa teria que parar sua produção ou realocá-la para fora da hora
da ponta, ou até mesmo fazer adaptações na sua produção para responder ao programa
se quer participar. Funciona assim: ao invés de acionar uma térmica que custa R$
800/MWh, o operador oferece R$ 600/MWh para a indústria tirar carga na hora da
ponta do sistema elétrico. A empresa vai para a “ponta do lápis” calcular se sai mais
barato parar a produção por alguns dias e se pode oferecer o corte de carga para
diminuir o uso das térmicas.
De novembro de 2023 a julho de 2024, o ONS já aprovou 185 ofertas de 25
empresas, totalizando 112 MW, uma prova que há espaço para prosseguir com essa
estratégia de redução dos custos do sistema. O governo brasileiro não gosta de
divulgar esse programa, para não dar a impressão que estamos à beira de um
racionamento.

Geoberto Espírito Santo
Personal Energy da GES Consultoria, Engenharia e Serviços

Ouvidor Geral 19-08-2024

“Ouvidor Geral” para o Nova Primeira Edição de 19-08-2024 – Geraldo Câmara

O PAÍS DO TALVEZ

Problema sério. Falta de personalidade? Falta de afirmação? Falta de saber o que está fazendo? Na verdade é falta de muita coisa, principalmente com a questão da insegurança que norteia os trabalhos do país, do que procura acertar, mas está sempre com uma pulga atrás da orelha se perguntando. Será que vai dar certo? Talvez. Façam, meus amigos, uma pesquisa simples. Saiam perguntando coisas, buscando afirmações e verão que na maioria das respostas o “talvez” estará presente. Será que o meu time vai ganhar a partida? Claro! Mas “talvez” precise fazer isto ou aquilo para evitar o gol do adversário. Na verdade, o “talvez” é uma fuga. Uma maneira de encontrar no dicionário a palavra certa para disfarçar nossa insegurança, nossas fraquezas, nossos medos em assumir nossos erros. O “talvez” é a melhor desculpa que achamos para fugirmos de decisões importantes porque nela “talvez” encontremos a fórmula da fuga. Ou não. Quem sabe? “Talvez” alguém saiba mas “talvez” não queira dizer. Se fossemos mosquinhas indiscretas e pudéssemos entrar nos lugares mais importantes onde as histórias do país acontecem possivelmente seríamos os descobridores da palavra mais falada por políticos. Afinal, eles são a base das conjecturas, das falácias e não das falas. Eles são a base do disse me disse. Ou será do disse não disse? Com eles veríamos que as grandes decisões são enfeitadas durante todo o tempo de uma série de “talvez” que mudam os sentidos da língua falada por eles que é o politiquês. Porque é exatamente aí, nos gabinetes, nos salões, nos bares escondidos que “talvez” nossos destinos sejam traçados. Talvez!!! Se o “talvez” fosse utilizado apenas para dirimir dúvidas, tudo bem. Mas o fato é que ele é utilizado para cobrir dúvidas. “Eu não disse que daria certo”. Eu disse que “talvez” fosse um sucesso. Mas não foi. Então, tudo está passível de desculpa porque foi avisado que “talvez” não desse certo. O “talvez”, talvez seja uma das palavras mais medíocres da língua portuguesa. E o será também em qualquer língua porque ela é um escudo, uma proteção descabida de quem pensa que sabe o que está fazendo e não sabe nada. Uma incrível fuga pelo idioma e que serve para tudo sem que se admita contestação. Isso porque, quem diz “talvez” não disse nada e para ele disse tudo o que era possível. Neste momento, o país vive e viverá um dos mais importantes momentos de sua existência, posto que a cada ano eleitoral as vidas de todos nós estão em jogo. Se os candidatos aos postos importantes estão prontos, realmente não o sabemos. Porque todas as suas propostas têm o sentido do “talvez”. Ninguém é totalmente afirmativo nem totalmente negativo. A dúvida fica a pairar na cabeça dos eleitores com um enorme “talvez” que simplesmente quer dizer nada. Não sei de nada, ninguém disse nada, apenas a esperança de “talvez”. É por isso que, infelizmente repetimos e sempre repetiremos que vivemos mais do que nunca na fantasia do país do “talvez”.

DESTACÔMETRO

O destaque vai para a competente e bonita alagoana, Belle Acioly, filha de Gigi e do saudoso Vasconcellos. Ela que, hoje, vem trabalhando ativamente no estado de São Paulo, como “blogger” e como a boa jornalista que é.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Próximo dia 23, sexta-feira, no auditório do TCE-AL, o Grão Mestre da Maçonaria em Alagoas, Otávio Lessa estará comandando uma comemoração pelo dia do Maçon. A solenidade, aberta tem a finalidade de abrir cada vez mais as portas da entidade.

O desmistificar da Maçonaria que, no Brasil acontece desde o século XVII é exatamente para mostrar que todo o mistério que a cercava não tem mais sentido no Brasil moderno. Afinal, ela, a Maçonaria é responsável por grandes atos sociais.

Buscar cada vez mais a participação da sociedade na educação escolar pode e deve ser uma grande meta para os responsáveis por políticas públicas. Criar novas cadeiras, práticas e do dia a dia davida deve realmente estar na cabeça de todos.

Mas que fantástico “imbroglio” essa questão das eleições na Venezuela. O presidente Lula declarou em alto e bom som que “ainda” não aceita o resultado apresentado por Maduro. Ele está certo e ajudar a colocar ordem por lá é dever de todos os sul-americanos.

Próximo dia 28 começam as Paralimpíadas em Paris, a competição voltada para as pessoas com deficiência. O evento, em outros anos tem mostrado que o Brasil sempre se saiu bem e até melhor do que no evento natural e tradicional. Então, vamos torcer por nossos atletas.

A prova inequívoca de que a música atual e já de alguns anos não funciona é a magia que se estabelece quando são divulgadas as das décadas de 70, 80 e 90. E até de décadas anteriores. As melodias repercutem e a magia da música resplandece.

E aí, quando nós dizemos que já não se fazem músicas como antigamente dizem que somos saudosistas e que estamos exagerando. E não é só aqui. É mundo afora e prova disto aconteceu agora nas Olimpíadas quando Celine Dion cantou um clássico fantástico.

Carla Teixeira (foto) é esposa do vice Grão-Mestre da Maconaria em Alagoas, e ela o é também como são denominadas as mulheres, “fraterna” da entidade. Faz parte de um grupo de mulheres que estão fazendo um belo trabalho Social no estado e desmistificando a Maçonaria.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços impressos vão para o dinâmico diretor técnico da Escola de Contas, Perrôneo Tojal e que vem exercendo a função com enorme produtividade e resultados positivos para o Tribunal de Contas de Alagoas. Na foto em entrevista na nossa Rádio Senado Cidadã.

coluna BARTPAPO

Tribuna hoje

COLUNA BARTPAPO

OURO DE TOLO

Bartpapo com Geraldo Câmara16 de agosto de 2024

   

Vocês já ouviram falar em “pirita”? É uma pepita. De ouro? Quase. Por fora com um brilho amarelo invejável absolutamente igual ao desejado ouro. Por dentro uma liga de estanho e enxofre cujo valor é infinitamente menor do que o do verdadeiro. Muito bem, quando há tempos, na Idade Média, o ouro era explorado em minas, sem garantias, sem aferições, algumas piritas eram encontradas e repassadas pelos garimpeiros metidos a vivos como se ouro fosse. E muitos dos incautos que não conheciam os detalhes da pedra a recebiam e pagavam certos de que ali estava uma valiosa pepita de ouro. Quando descobriam ou eram alertados ficavam evidentemente furiosos e ficavam sabendo que ela, a pirita já tinha uma alcunha, um apelido: “Ouro de tolo”. Porque conseguiam enganar e acabava ficando tudo por isso mesmo. Raul Seixas celebrizou a pirita com sua célebre canção que leva e alude exatamente a este termo condenando a sociedade consumista.

Durante a recém encerrada Olimpíadas de Paris os torcedores do Brasil em todas as suas etapas não falavam de outra coisa, não almejavam nada mais que não fosse o “ouro”. A medalha de ouro, não como símbolo de riqueza, mas como uma imagem dignificante do ser humano que se esforça, que luta, que ensaia, que treina e que quer chegar lá, ao seu topo com todas as glórias que o ouro representa. Sem dúvida, um desejo do mais alto nível, mas que não deveria minorar o valor do atleta se ele não recebesse a máxima, o cobiçado ouro, mas estivesse mostrando a todos a conquista da prata ou da “pirita” como ouvi muita gente falar, comparando o bronze, a honrada medalha de bronze ao “ouro de tolo”. Mas também, sejamos justos, Percebi que a maioria exaltava a conquista fosse ouro, prata ou bronze. O que na verdade, não importa. O que valeu foi o esforço, o esporte em si, a vontade de defender as cores do Brasil podendo olhar para o peito e ver o valor daquele símbolo conquistado com tanto esforço.

A nossa sociedade, a que vem sendo formada gradativamente desde 1500 e que não teve a sorte inicial de ser colonizada pelo que de melhor havia no reino de Portugal, mas por uma ralé comandada por pessoas de um nível melhor, mas que nem sempre ou quase nunca tinham contato com o povo que veio formando essa sociedade. Essa, vamos dizer assim, falta de educação permitiu que à medida que outras origens chegassem ao país, em determinadas regiões fossem obtendo o que até hoje chamam de “educação europeia” diferenciada daquela originada, mais situada no sul do país, o que demonstra que as modificações foram sendo introduzidas com vagareza mas hoje já assimiladas pela maioria do povo brasileiro. Mesmo assim, a noção em determinados assuntos, a verdadeira ideia da riqueza não estão assimiladas. Não se pode admitir que não tenhamos a noção completa da importância do esporte para a educação do povo; para a diminuição da criminalidade; para uma efetiva contribuição no sentido de que os meninos, meninas, jovens de todo o país recebam as informações corretas, mas que sobretudo sejam estimulados por todos os meios que os governos possam utilizar no sentido de que o esporte seja um dos mais importantes motivadores do “porque me ufano de ser brasileiro”. Não adianta “tapar o sol com a peneira”. É preciso agir com fundamentação, com planejamento, com ação. O que se faz ainda é muito pouco diante de uma população de mais de 200 milhões de pessoas. Bom será o dia em que todos estejamos unidos em torno do mesmo ideal e que possamos realmente considerar o esporte como imprescindível para a formação curricular de nossas crianças e jovens, preparando-os para futuras e proveitosas Olimpíadas. Ainda que sem ouro, sem piritas ou o que seja. Mas com o verdadeiro entendimento de que ganhar é fruto de uma enorme consciência formada em bronze, ouro ou prata. Ou apenas com a medalha de ouro do esforço coletivo onde todos ganham.

FOTONOTAS

MARTA VARALLO – Privar do conhecimento e até da amizade de Marta é adquirir conhecimento que aprendi a obter ouvindo, ouvindo e ouvindo. Marta é didática profissionalmente e uma figura maravilhosamente no trato natural com as pessoas. Gosto de sua garra, de suas convicções e da maneira como passa a frente suas ideias sempre contornadas de explicações complementares para que não pairem dúvidas sobre suas posições. Personalidade muito interessante no contexto social e profissional. Ah, lembrando: Ela é a diretora de RH do TCE AL.

MENDES DE BARROS – Grande e figura de excelência, mas acima de tudo uma pessoa digna, amiga dos seus amigos, com uma enorme contribuição dada ao estado de Alagoas e acima de qualquer pejoratividade que lhe queiram imputar. Orgulho-me muito de ser amigo de sua simplicidade, de seus papos altamente produtivos, mas sobretudo de ver como ele conseguiu ser o que é com a sua competência reconhecida por gregos, troianos e alagoanos. Mendes de Barros é desses homens que fazem história e se deixam historiar com galhardia e personalidade.

PARE PRA PENSAR (do meu livro do mesmo nome)

Nunca tente passar por cima de seus semelhantes nessa vida. Um dia você também poderá ser atropelado.

ALERTAS DO DIA

* Vem aí o lançamento do Portal Espia que é uma ferramenta criada pelo Tribunal de Contas que vai disponibilizar um painel de indicadores sobre a Primeira Infância no Estado aumentando a visibilidade e engajamento com impacto social. A iniciativa foi da Conselheira Renata Calheiros e a solenidade acontecerá no próximo dia 21 de agosto, no auditório do TCE com a presença do governador e outras importantes autoridades. Diga-se de passagem a experiência de Renata é enorme, ela que foi a idealizadora do já famoso programa CRIA quando ainda atuava no Governo do Estado.

* Não há quem aguente ficar atendendo telefonemas de “fakes”, de recados malucos e até de supostas e indevidas dívidas pelos telefones celulares. São dezenas por dia, impedindo que as pessoas tenham seus direitos preservados. A privacidade é invadida e por mais que você bloqueie os ditos cujos que ligam eles são aos milhares e nunca terminam. É preciso que se dê um freio nisso porque a invasão dos seus celulares é como se fosse a invasão de sua residência. Não dá. Não tem hora, não tem dia, acabou o respeito.

* Hoje, exatamente hoje, sexta, 16 de agosto inicia-se a propaganda eleitoral para os candidatos a prefeito e a vereador. As regras estão bem expostas pelo Tribunal Regional Eleitoral e devem ser seguidas à risca sob pena de multas e até de restrição total à candidatura que não seguir o que manda o figurino. Ao que se deve ficar muito atento é que a novidade é a permissão para uso da Inteligência Artificial e confesso que ainda não sei como vai acontecer e nem como será aplicada em campanha. Mas vou saber e depois falo.

* Proximamente irei escrever um artigo mais profundo sobre este assunto, mas numa prévia, não posso entender como a televisão brasileira está fazendo questão de, principalmente em suas novelas, mostrar cenas e atos absolutamente criminosos, alguns com requintes de crueldade. Não consigo entender essa coisa de deseducação, de ensinar como se realizam atos sórdidos que são até impossíveis de serem imaginados na vida real. Afinal, temos certeza de que a valiosa televisão não foi criada para ser escola de crime. Ou foi?

POR AÍ AFORA

# Ainda Paris. No próximo dia 28 começam na Cidade Luz as já conhecidas “Paralimpíadas”. Aliás, onde nas mais recentes, o Brasil tem brilhado mais do que nas Olimpíadas propriamente ditas. Acho fantástica a ideia, a atividade, a integração absolutamente saudável e que integra social e mundialmente a todos os que tenham qualquer tipo de deficiência mas que no evento mostram força, garra e vontade de vencer e de mostrar igualdade humana. Os brasileiros precisam torcer até com mais vontade para que esses e essas atletas sejam os verdadeiros campeões da força de vontade.

# Posso até estar enganado, mas acho que o Partido Democrata americano estava com razão quando pedia a Biden que renunciasse à sua candidatura. Com isso, a vice Kamala Harris está mostrando sua força, sua simpatia diante de eleitores, sua possibilidade de arrecadação bem maior e sua capacidade de articulação fantástica. Acho sinceramente que a queda gradativa do opositor, Donald Trump está mostrando que seu canto de vitória está começando a escorrer pela goela. Vamos esperar e ver.

# As crescentes tensões no Oriente Médio e as ameaças de um ataque do Irã, que poderiam agravar o conflito na região, forçaram Israel a colocar os seus militares em alerta máximo. De acordo com o “Wall Street Journal”, citando uma fonte familiarizada com o tema, Herzi Halevi, chefe do Estado-Maior do Exército já iniciou os preparativos ofensivos e defensivos para um possível ataque iraniano ou do Hezbollah. Já Daniel Hagari, porta-voz militar de Israel, garantiu que a nação está em alerta máximo e que as ameaças são levadas a sério.

ATÉ A PRÓXIMA

Amanhã, sábado é dia de “BARTPAPO com Geraldo Câmara”. Na BAND, canal 38.1 aberto; NET CLARO, canais 18 e 518; BRISANETE, canal 14; VIVO, canal 519. Das 9 às 10h da manhã. Assista e inscreva-se também pelo Youtube no canal “Programas do Geraldo Câmara”. Fale conosco pelo geraldocamara@gmail.com ou pelo Whats’App 82 99977-4399