O Brasil não merece

OEIKNA0Estamos vivendo dias de expectativa para sabermos se a chapa Dilma/Temer será detonada pelo Tribunal Superior Eleitoral e se o presidente Temer cai ou permanece no poder até as eleições de 2018. Na verdade, somos contra qualquer tipo de corrupção e se o presidente tiver que sair que saia. No entanto, precisamos pensar também num Brasil Econômico que vem segurando a inflação, baixando os juros, dando sinais de recuperação da produção e vislumbrando um aumento de emprego com carteira assinada, graças à excelente intervenção do Ministro Henrique Meirelles, sem dúvida e incontestavelmente competente. Mas a grande pergunta é o que acontecerá com uma suposta queda do atual presidente e a que tipo de crise institucional vamos ficar expostos até que tudo volte ao “normal”. Quem será seu substituto? Rodrigo Maia, pela Constituição, governará por 30 dias convocando eleições indiretas a serem realizadas pelo Congresso Nacional e para o mandato correspondente ao que resta do atual. E quem virá? Outra questão terrível, uma vez que o descrédito assola o nosso legislativo, logo ele que será responsável por eleger o novo presidente. E aí fica a pergunta: pior do que está, ficará? Ou é melhor deixar como está para ver como é que fica? Na verdade, o Brasil está mesmo é num beco com poucas possibilidades de saída, no momento. E ninguém merece!

Quanta maldade!

IMG-20170602-WA0017Conheço e acompanho a trajetória de Otávio Lessa, Conselheiro do Tribunal de Contas, há exatos 20 anos, quando aqui cheguei. Um homem dinâmico, probo, com idéias avançadas e com uma enorme vontade de acertar no meio de tanta podridão que por aí existe. Foi assim que, foi eleito para presidir o Tribunal de Contas de Alagoas pelo mandato de dois anos com a possibilidade de renovação para mais dois, o que não aconteceu, porque, a exemplo das traições palacianas medievais, por lá também aconteceram xicos e fuxicos e os atuais dois anos estão sendo exercidos por Otávio como Diretor da Escola de Contas daquele Tribunal. Uma idéia sua, criação sua e sua menina dos olhos. E aí, os ataques a quem revolucionou a administração no TCE têm sido constantes. Uma administração que moralizou o trabalho dos funcionários, que desengavetou milhares de projetos, que modernizou a informática que restaurou o prédio sede e que, modéstia à parte, fez da comunicação um de seus baluartes, tirando das cinzas o projeto da TV Cidadã, em convênio com a TV Senado e a tornou realidade em emissão aberta. Tudo isto e muito mais transformou Otávio num perigo a ser atacado. Ele era bom demais para ser mantido como verdade. Então, pau nele. Mas o reconhecimento vem de muitos lugares do Brasil e ainda, semana passada, Otávio foi condecorado com “a escultura símbolo do TCE do Rio Grande do Sul como reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Sistema de Fiscalização dos Gastos Públicos, ao serviço público e à promoção das relações institucionais”. Teríamos muito a dizer mas apenas constatamos que o reconhecimento vem de fora bem antes de acontecer, por onde deveria, pelo estado de Alagoas.

Recomeçam as mortes por encomenda?

Quem não ficou com a pulga atrás da orelha quando soube que o delegado encarregado do inquérito sobre a morte do Ministro Teori Zavaski foi brutalmente assassinado há dois dias atrás? Um já morto, outro delegado em estado grave no hospital. É muita coincidência que fosse exatamente ele quem investigava o avião, o vôo, o acidente – será que foi acidente? – numa hora em que o cerco se aperta em todas as direções e que, sem dúvida, Teori faz falta e estava num caminho fantástico como relator da Lava Jato. Não que o seu substituto não esteja também, mas é até bom que ele coloque suas barbas de molho, porque o número de acusados nas operações em questão atingem pessoas do mais alto nível de corrupção e que, com raras exceções, não têm escrúpulo e nem medo de mandar matar. Mandar, porque a covardia de cada um não permite apertar gatilhos. Fica mais fácil pagar aos matadores de plantão. O fato é que, bom será tentar descobrir o que houve com o avião do Teori e o que houve com o delegado que apurava o caso. Porque fica a pergunta do título: Recomeçam as mortes por encomenda?

MACEIÓ TEM 79 ÁREAS DE RISCO. E DAÍ?

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Coisas que não se entende. Todo mundo sabe e há muitos anos que em Maceió existem cerca de setenta e nove áreas de risco. As chuvas chegam e é aquele desastre que sabemos, que vivemos e que deixa tanta gente desabrigada. No entanto, fica a pergunta: se elas comprovadamente existem porque não se faz um planejamento preventivo para que elas deixem de ser de risco gradativamente? Por que não se faz um trabalho de infra-estrutura e social que impeçam os acidentes com vítimas fatais, que diminuam também, ainda que de maneira gradual o perigo e o números dessas áreas de risco. Até parece que querem que as calamidades aconteçam para que sejam necessários os famosos decretos de emergência que beneficiam os municípios com uma série de vantagens, inclusive a de comprar sem licitação pelo período de validade do decreto. O que eu queria realmente ver era um plano antecipado para combater as causas, já por demais conhecidas e diminuir as calamitosas consequências. Vamos esperar por mais equilíbrio no trato da vida humana.

A hora e a vez do parlamentarismo?

parlamentarismo-ou-presidencialismo-qual-o-melhorTalvez interesse a pouca gente. À gente que não conhece as vantagens do parlamentarismo sobre o presidencialismo, principalmente em momentos de crise como o que vivemos.  O presidente é eleito pelo Legislativo mas é apenas o chefe de estado, representando o país, dignificando o cargo. Este mesmo presidente, de acordo com o Legislativo nomeia um Primeiro-Ministro que passa a ser o chefe de governo e escolhe os ministros e auxiliares. A vantagem do sistema parlamentarista sobre o presidencialista é que o primeiro é mais flexível. Em caso de crise política, por exemplo, o primeiro-ministro pode ser trocado com rapidez e o parlamento pode ser destituído. No caso do presidencialismo, o presidente cumpre seu mandato até o fim, mesmo havendo crises políticas ou passa por um enorme processo de “impeachement” enquanto a crise se avoluma. É exatamente o que o Brasil passa no momento. No caso do parlamentarismo as crises são resolvidas com mais rapidez e, tanto executivo quanto legislativo fazem o possível para cumprirem as regras e não assistirem a quedas de gabinete ou a dissolução de parlamento. Os melhores governos de hoje estão submetidos ao processo parlamentarista, seja através de um presidente no topo, seja através de um monarca. Talvez seja chegada a hora da virada no Brasil que, aliás, teve um curto espaço parlamentarista na república, quando da ascensão de João Goulart ao poder que, obrigado pelas Forças Armadas, aceitou o novo regime que chegou a ter em 1 ano, três primeiros Ministros: Tancredo Neves, Hermes Lima e Brochado da Rocha.