Do Bolsa-Família ao Bolsa-Trabalho

Um país como este, de imensas extensões territoriais, de enormes diferenças intelectuais e sociais e obviamente com grandes distorções, campeão de IDHs baixos, sem dúvida teria que ir buscar guarda-chuvas em soluções assistencialistas e o vem fazendo com a inclusão, cada vez maior , das proteções federais, a exemplo do “bolsa-família” que um dia já foi ”bolsa-escola” e, que, numa análise mais profunda é o instrumento de compra de votos mais perfeito e mais oficial que existe, burlando a lei de uma maneira consensual e vertiginosamente ascendente. Ignorar que o povo sofrido deste país precisava de algo como as bolsas para que saíssem do estado de miséria declarada seria ignorar o sofrimento de quem, sem ferramentas e sem orientação, passou por várias gerações coronelistas, daquelas que não tinham a menor intenção de diminuir a miséria, de acabar com a seca ou de erradicar o analfabetismo, todos a serviço do voto que as mantinham oligárquicas e poderosas.

Se os programas sociais dos governos, quer federais, quer estaduais ou municipais, precisam passar por este tipo de assistencialismo, também gostaria de contestar, dizendo que, melhor do que o peixe é melhor o anzol; melhor do que o dinheiro dado é o dinheiro conquistado e trabalhado, ainda que para isto, o governo incentive o povo a ganha-lo, com honestidade e, sobretudo, com o suor do próprio rosto.

Tenham a certeza os meus leitores de que o povo não quer esmola. Absolutamente não deseja ganhar sem que tenha contribuído para o ganho. Se ao povo for dado o prazer de trabalhar, se a ele for dada a oportunidade de produzir e de receber pela sua produção, então este país terá alcançado a verdadeira conquista da igualdade, da distribuição de renda mais efetiva e mais justa.

Nossa proposta está justamente na modificação do assistencialismo praticado através do bolsa-família para o estímulo e o incentivo que podem ser dados através da criação do bolsa-trabalho, uma espécie de financiamento da pequena produção para ser aplicado na  criação de micro negócios familiares ou, e isto é o maior objetivo, na capitalização de cooperativas de produção criadas a partir do mapeamento vocacional do país, de cada estado, de cada município.

O Bolsa-trabalho seria exatamente o anzol; o instrumento para que se chegue ao peixe sem vergonha, sem esmolarização do sistema, deixando que cada um consiga implementar sua personalidade em um trabalho, por mais simples que ele seja.

Gostaria de lembrar o fator multiplicador que ocorreria quando a dação do Bolsa-Trabalho estivesse atada à concretização de um trabalho efetivo e que viesse por associativismo ou por cooperativismo. O envolvimento familiar, o envolvimento comunitário, principalmente em estados pobres como é o nosso de Alagoas, sem dúvidas, daria lugar a um novo tipo de produtividade que transformaria a chamada economia informal na aceleração e formalização de um crescimento absolutamente palpável e com fixação maior do homem ao seu local de origem.

Que não estejamos ligados, nós enquanto estado de Alagoas, às ações  federais para podermos colocar em prática o nosso projeto de incentivo à geração de trabalho e não mais somente à geração de emprego. Porque, a partir de projetos estaduais e municipais também podemos chegar à liberação de verbas capazes de nos fazer criar o nosso Bolsa-Trabalho e servirmos de exemplo para toda a federação.

Na verdade, precisamos, enquanto brasileiros e em especial alagoanos, levantarmos bandeiras de mudanças que sejam significativas para a transformação das empoeiradas noções que se tem dos deveres do estado. Deveres que vão muito além do terrível assistencialismo e que precisam urgentemente romper barreiras e preconceitos e criar novos conceitos na área social.

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