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Se todos fossem iguais a você…

Você até pode ser exemplo, mas não deve ser modelo para uma clonagem, principalmente se ela o for de princípios, de caráter, de personalidade. Você é único e sempre o será, ainda que ao seu lado exista um gêmeo.

A política tenta clonar seus líderes e colocá-los diante de você como o exemplo, o molde, a forma que você deve usar para transformar-se em idéias, pensamentos e até objetivos.

Certas religiões fazem o mesmo. Utilizam métodos hipnóticos e  verdadeiras lavagens cerebrais para convencê-lo a segui-las cegamente, sem que você tenha tempo, ao menos, de pensar no que é melhor para si próprio.

Baseados nisto, buscamos compreender as atitudes de certos políticos que, moldados em modelos anteriores e que fizeram suas cabeças, tentam empregar os mesmos métodos quando buscam nos intimidar, nos convencer ou nos fazer entender que suas tramóias, corrupções e desacertos morais são os caminhos certos ou que não fizeram nada daquilo. Na verdade, dizem eles, tudo não passa de armadilhas políticas de seus adversários que não aceitam o seu sucesso junto ao povo que os elegeu. Afinal, eles sempre estiveram ao lado do povo nas suas mais recônditas reivindicações; sempre estiveram ao lado da verdade e jamais cederam às pressões dos corruptos de plantão que, ao tentarem suborná-los, verificaram que ali, neles, residia a honestidade e os princípios morais mais eloqüentes.

E, então, nos perguntamos: como compreender essas atitudes se elas nunca fizeram parte de nossa enciclopédia? Se elas nunca foram ensinadas em casa ou na escola? Seríamos nós, seres de outros planetas ou estivemos fora dos ensinamentos que só são ministrados a determinados privilegiados, como eles?

A política é boa e necessária. Fazemos política a todo o momento, a todo o instante. O que enxovalha os políticos é a má condução. Ao invés de se pensar no bem comum, no coletivo, pensa-se nos anos de mandato, no que se pode aproveitar em benefício próprio ou o que se pode deixar passar de pai para filho, ainda que coisas ruins façam parte da herança. Porque, ao político mau, tanto se lhe faz se ao filho irá passar lições amorais ou não. A ele importa passar os caminhos da corrupção para que as gerações futuras saibam como se locupletarem do dinheiro, dos impostos, do que pertence ao povo.

E aí, voltamos ao princípio deste artigo quando falamos que nos querem clonar. Que nos querem passar que devemos pensar como eles e, numa sucessão de fatos e convencimentos, convencermos também a nossos filhos e aos que estão ao nosso redor de que eles, os políticos, estão certos. Que, errados estamos nós enquanto pensarmos na coletividade e esquecermos nossas pequenas repúblicas familiares. Que mais equivocados estaremos se acharmos que, um dia, tudo poderá mudar no nosso Brasil.

Este é o ponto onde temos de nos enfrentar a nós mesmos. Onde temos de deixar as tentações de lado e acreditar que ainda podemos transmitir o bom e o correto, dentro de casa, fora de casa, nas ruas, nos negócios, nas amizades que temos, em tudo, por tudo e para todos. Este é o momento em que temos de acreditar que existam bons políticos; crer que voto não pode e não deve ser vendido e que os nossos representantes precisam ter a nossa cara e não nós a cara deles.

Orgulharmo-nos de sermos cidadãos honestos e decentes é o primeiro passo. Transmitir este orgulho é o segundo passo. E, finalmente, combater os maus políticos, arrastá-los de onde estão a lesar o nosso patrimônio, passa a ser também o papel de toda uma sociedade que, devidamente constituída, pode e deve ser a incontestável líder da revirada nacional. No mais, continuar a escutar as baboseiras dos acusados de hoje, dos corruptos do sempre e dos maus políticos do amanhã, será se deixar conduzir e ao país, ao mar de lama que não merecemos.

 

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