OUVIDOR GERAL 01-07-2024

Ouvidor Geral para o jornal “Novo Primeira Edição”01-07-2024–Geraldo Câmara

HILTON MOTA E EU

Eram seis horas da tarde quando liguei o rádio do carro na Campina FM, onde mantinha os meus programas, “Ponto e Contraponto” e “O povo cobra”. A voz de Hilton Mota ressoava forte e vibrante; e à capela, de repente, começou a cantar: “Olha pro céu, meu amor. Veja como ele está lindo”. E à medida em que lembrava ao povo a canção do Gonzagão, convocava este mesmo povo a ir ao Parque do Povo conferir o lindo céu estrelado que fazia ainda mais linda a gostosa e romântica Campina Grande. Nada, absolutamente nada, estava acontecendo no parque, mas a criatividade de Hilton era tão grande que ele conseguiu com que as pessoas fossem chegando, que um trio de forró atendesse ao seu apelo e em poucos minutos uma festa estava montada e sendo transmitida pelo irrequieto homem de rádio, amado e admirado por muitos, na Paraíba, no Recife e por onde passara. Pouco tempo antes deste fato, alguns meses antes, eu participava de um Encontro da Asserne, que era a Associação das Emissoras de Rádio do Nordeste, na cidade do Recife. Lembro-me bem que eu estava numa fase triste da minha vida, quando havia perdido o meu filho mais velho, de doença séria. Mesmo assim, fiz uma apresentação neste encontro e chamei a atenção do homem que havia sido um dos diretores dos Diários Associados e passara a ter, com muito orgulho, a poderosa Rádio Campina FM. Conversamos e ele convidou-me a conhecer a cidade de Campina para decidir se faria um programa de rádio na sua emissora. Passei três dias na cidade, ainda que acostumado a grandes cidades, gostei. Mas o que eu gostara mais ainda era do espírito criativo e empreendedor do velho Hilton que vibrava como um menino quando ouvia minhas idéias sobre o programa. Aceitei a idéia e em pouco tempo estava no ar, entrevistando os políticos locais e estaduais, animado com a fantástica audiência daquela emissora que atingia mais de 60 municípios com os seus 50 kilowatts na antena. E, Hilton sempre comigo, me apresentando a todos na cidade, buscando espaços para mim, exaltando minha figura para os da cidade, incluindo aí o então prefeito, Ronaldo Cunha Lima. E Hilton sabia fazer isto como ninguém. Lembro-me bem do dia em que entrou numa empresa, famosa na cidade, a Laser Engenharia, de projetos e materiais elétricos e disse ao dono: “Luiz, vim lhe apresentar o maior apresentador deste país. E você vai patrocinar o programa dele”. Luiz Alberto Leite disse que ouvia o meu programa, que gostava muito, mas que o patrocínio ficaria para uma outra oportunidade. Tempos depois, numa promoção especial busquei o patrocínio de um concorrente da Laser e aconteceu um enorme sucesso. Foi quando o Luiz Alberto nos chamou e confessou que havia ficado mordido de ciúmes e raiva por ter deixado que o seu concorrente entrasse; e que, cada vez que eu falava no nome da tal empresa, ele se arrependia. Nem preciso dizer que fechamos um contrato tão longo e tão bom que nossa amizade extrapolou e ele, Lula, tornou-se meu compadre, numa outra história de minha vida campinense. Hilton vibrou com a reviravolta comercial. Logo depois que cheguei a Campina Grande, Hilton me apresentou a Edvaldo do Ó, um empresário, presidente da Bolsa de Mercadorias, economista que pretendia ser prefeito da cidade. E, quando me apresentou foi logo dizendo que eu era publicitário, expert em marketing e que seria a pessoa certa para fazer sua campanha. Mas, na verdade, o plano dele era outro, o que eu só soube depois que as coisas aconteceram. Edvaldo não teria suporte para agüentar uma campanha de peso, considerando inclusive que o então prefeito, Ronaldo Cunha Lima, estaria lançando seu filho, o jovem deputado federal Cássio Cunha Lima, uma candidatura que, se efetivada, seria absolutamente fadada ao sucesso. Por outro lado, Edvaldo do Ó era uma pessoa um tanto difícil de se lidar, por sua excessiva vaidade. Algum tempo depois, lançada a candidatura de Cássio e o desgaste de Edvaldo do Ó bastante acentuado, Hilton promove um encontro com o irmão do prefeito, Roberto, que nos contrata para a equipe de campanha. Prescindível dizer que a Campina FM adotou o nome de Cássio e sua eleição foi tranqüila. Naquela altura, Hilton Mota, já providenciara para que eu tivesse mais um programa na emissora e nasceu o “O povo cobra”, uma idéia nova no rádio e um reforço para uma idéia nossa que nos fez criar, cultivar e solidificar o horário do almoço como o horário dos grandes debates, dos programas de entrevistas políticas. Fomos responsáveis, sim, pelo nascimento deste horário que até hoje é praticado em toda a Paraíba. A visão de Hilton era enorme e os seus exemplos eram seguidos por emissoras concorrentes que, no entanto, não conseguiam chegar perto de nossa audiência. Foi chegada a eleição para governador do estado e os candidatos principais eram Ronaldo Cunha Lima e Wilson Braga. A Campina FM e o próprio Hilton Mota eram a cara dos Cunha Lima. E eu, também já era um profundo admirador deles e me entreguei de corpo e alma à campanha de Ronaldo. Naquela época as leis eleitorais eram bem diferentes e a rádio podia abrir o jogo, as entrevistas e reportagens eram permitidas. Ronaldo percorria o estado e voltava à Campina e, cada vez que o fazia, lá estávamos nós estimulando o povo a votar no poeta que sempre terminava seus comícios em versos e empolgava as multidões. Hilton aceitava muito bem nossas sugestões e nos tornamos “unha e carne” nos projetos políticos da emissora. Durante o dia das eleições fizemos uma das melhores coberturas que a cidade já viu e, em seguida, repetimos um feito de cobrir as apurações e sair com o resultado sempre muito à frente de outras emissoras e do próprio TER. A ponto de algumas emissoras terem parado as transmissões antes do tempo. E, lembro-me como se hoje fosse, o entusiasmo de Hilton, dentro do estúdio comigo, rindo e batendo palmas enquanto eu dizia para o ouvinte: “Habemus governador”!

DESTACÔMETRO

O destaque vai para uma pessoa que eu não via há muito tempo e que fez um enorme furor aqui em Alagoas comandando a fase mais significativa da Lei Seca. Emannuel Costa escreveu seu nome nos anais do Detran Al.

PÍLULAS DO OUVIDOR

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu uma votação histórica: o porte de maconha para uso pessoal não é mais considerado crime. Mas devemos aguardar os próximos capítulos com a grita do pessoal do Congresso Nacional.

A Lei Pelé, oficialmente conhecida como Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, é um marco legislativo no esporte brasileiro, alterando profundamente a estrutura do esporte no Brasil, em especial ao futebol.

Antes da Lei Pelé, o esporte brasileiro, especialmente o futebol, era regido pela Lei Zico, que por sua vez substituiu a antiga Lei do Passe, um sistema que amarrava os jogadores aos clubes. (coisas que a gente lê no Jusbrasil. Muito interessante)

Tanques e soldados do Exército invadem a entrada do palácio presidencial em La Paz, na Bolívia. Roteiro e imagens lembram as décadas de 1960 e 1970, quando ditaduras militares se espalharam pela América do Sul.

A Bolívia está vivendo uma situação econômica muito difícil. O principal setor é o de gás natural, que está enfrentando uma série de problemas. Isso levou a uma queda nas exportações, e as reservas internacionais da Bolívia estão muito pequenas, em torno de US$ 3 bilhões. O que é nada para as necessidades de um país. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o projeto de lei que institui o novo Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2024 a 2034. O texto foi encaminhado para análise do Congresso Nacional.

Prevê 18 objetivos, compreendidos nas temáticas de educação infantil, alfabetização, ensino fundamental e médio, educação integral, diversidade e inclusão, educação profissional e tecnológica, educação superior, estrutura e funcionamento da educação básica.

Aquele complexo pequeno na Pajuçara e que leva o nome de Cine Arte Pajuçara é um fenômeno dirigido pelo amigo Marcos Sampaio (foto). Um trabalho de fôlego que leva em conta a cultura cinematográfica internacional. Parabéns, amigo.

ABRAÇOS IMPRESSOS

Os abraços da semana vão para o Joel Henrique do Cavaquinho e Chico Fidélis do violão. Ambos verdadeiras feras no que fazem e bem feito. Vale a pena vê- los todos os sábados no Mercado das Artes sob a batuta do Igbonan Rocha.

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